Em destaque

Renault aposta na exclusividade do Koleos como seu maior diferencial no mercado

Rodamos 655 km com o SUV premium que tem design e acabamento da grife Alpine, arquitetura da Volvo e sistema híbrido da Geely. O preço é seu pesadelo.

São Paulo – Não foi preciso muito tempo na direção do Koleos para dizer que a Renault é uma das poucas marcas, dentre as mais tradicionais, que está oferecendo algo comparável à receita dos carros chineses. Porque o Koleos foi concebido combinando a tecnologia chinesa, a execução sul-coreana e o estilo europeu. Sua estrutura básica, a plataforma, é a CMA, criada pela Volvo, marca sueca pertencente à chinesa Geely.

Por sua vez a Renault firmou parceria com a Geely na Coréia do Sul onde desenvolveram e atualmente produzem este SUV médio. A chinesa é responsável pelo fornecimento da mecânica híbrida. Mas seu design marcante por dentro e por fora é a parte europeia do projeto.

Em síntese o Renault Koleos veste uma roupa desenhada pelos franceses, usa o esqueleto de segurança e engenharia da Volvo e o coração propulsor híbrido da Geely.

O diferencial do design

Seu design foge da mesmice e apresenta um toque de modernidade, estilo e bom gosto, algo que é valorizado pelo brasileiro. A grade dianteira com elementos hexagonais e o símbolo da Renault no centro é belíssima. Forma um conjunto harmonioso com os faróis full led retangulares e o capô que se projeta para a frente. Essa receita chamou a atenção nas ruas e recebeu elogios por onde estivemos.

O porte do Koleos, talvez pela ampla área envidraçada, deixa dúvidas se com 4m77 é um SUV médio ou grande. Na traseira as lanternas são conectadas de fora a fora pelo já tradicional feixe de luz característico dos projetos mais modernos dos SUVs. Os vincos diagonais da tampa do porta-malas acompanham o desenho das lanternas. Sua assinatura, Koleos, no centro da tampa também foi bem aplicada.

Seu interior supera os novos modelos chineses, com acabamento primoroso e assinatura de estilo da marca Alpine. O material utilizado nos bancos e no acabamento em geral é de primeira linha e o mais interessante: um acesso ao pacote tecnológico que está na vanguarda. A terceira tela exclusiva para o passageiro materializa os projetos de conectividade mais modernos e oferece algo que vi pela primeira vez recentemente no Salão de Pequim, nos modelos mais sofisticados.

Elementos da grade e ilumação em led formam um conjunto belíssimo

O Koleos é oferecido apenas na versão chamada Esprit Alpine, que demonstra o empenho da Renault para estar um passo à frente das tradicionais e cada vez mais próximo dos modelos chineses. Esta atitude não se vê apenas no Koleos mas também no Boreal feito no Brasil.

Posicionamento acima de sua competência

No entanto a Renault precisa ser mais competitiva para fazer frente à concorrência: o mais importante neste momento é o posicionamento de preço do Koleos, algo R$ 30 mil, R$ 40 mil mais caro do que modelos acima da sua competência, como os híbridos plug in Haval H6 PHEV19 e o BYD Song Plus DM-i. Comparando com alguém com o mesmo sistema híbrido fechado como o H6 HEV, a diferença pode chegar a R$ 60 mil.

Ao que parece departamentos de vendas das montadoras tradicionais precisam rever seus planos com relação a preços, pois não cabe mais em mercados ultracompetitivos uma diferença tão grande em produtos similares.

O consumidor está bem informado e não vai aderir à ideia de comprar a grife pagando mais, enquanto a oferta está alguns degraus abaixo em termos de preço e no mesmo patamar em termos de exclusividade e tecnologia embarcada.

Porte de SUV grande, design com vincos e aplicações incomuns da lateral

Com os R$ 290 mil, seu preço oficial, compra-se o Haval H6 PHEV 35, um híbrido plug in com autonomia de 176 quilômetros pelo ciclo do Inmetro. Mesmo a campanha de bônus com a entrega de um seminovo, o preço de R$ 280 mil do Koleos Espirit Alpine E-Tech HEV, ainda assim seria possível comprar um Omoda 7, um híbrido plug in com muito mais recurso, potência e autonomia elétrica.

Híbrido eficiente

Na primeira impressão ao dirigir, durante o lançamento do Koleos, a sensação foi a de que o desempenho do seu motor híbrido HEV, com motor 1.5 turbo a gasolina de 144 cv e dois motores elétricos, que somam 136 cv, sendo um dedicado à tração dianteira e outro atuando como gerador, tivesse um consumo bem abaixo do divulgado, que é de 13 km/l a 14 km/l em percurso misto.

Mas os 245 cv na combinação das duas tecnologias, além de supri um desempenho digno de um SUV mais esportivo, também não decepcionou no uso prolongado. Depois de 655 quilômetros rodados, a maior parte do percurso na estrada, o consumo medido pelo computador de bordo foi de 11,1 km/l.

Motor a combustão e elétricos tracionam o eixo dianteiro

Este desempenho não fica muito distante dos números de modelos como o Haval H6 e GAC GS3, ambos na faixa de 13 km/l em percurso misto e utilizando gasolina, segundo medições do Inmetro.

Na cidade procurei rodar sempre com o modo eco de condução acionado, que reduz o ímpeto do Koleos e não entrega em todas as saídas da imobilidade o torque combinado de 56,1 kgfm.

O gerenciamento eletrônico equilibra muito bem a ação do condutor quando pisa forte no acelerador e oferece um desempenho adequado para um rodar mais eficiente. O Koleos é ágil no trânsito e ainda economiza combustível. Sua bateria de Íons de lítio de 1,64 kWh poderia ser um pouco mais forte, mas com um tanque de 55 litros, a autonomia combinada apontada no computador de bordo pode chegar a 800 quilômetros.

A transmissão DHT com três velocidades proporciona um rodar suave em baixa velocidade e faz aumentar a rotação rapidamente quando requisitado pelo acelerador. A suspensão tem uma calibração que privilegia mais o conforto a bordo mas em nenhum momento as imperfeições das ruas e estradas refletiu no interior da cabine.

Aliás o isolamento acústico é digno de elogios. Os vidros dianteiros duplos, por exemplo, são raros em modelos similares e reduzem sobremaneira os ruídos externos, mesmo rodando em asfalto mais abrasivo em alta velocidade.

Bancos estampam logo da gripe Alpine

Interior familiar

Com entre-eixos de 2m82, 1m88 de largura e 1m69 de altura o Koleos poderia até ser um SUV com a terceira fileira de bancos e sete lugares. Suas medidas são muito próximas de um Jeep Commander e ajudam pessoas de maior estatura a viajar confortavelmente no banco de trás, que são reclináveis e podem ser aquecidos.

Os bancos dianteiros além do aquecimento possuem ventilação e ajuste elétricos com memória. São três zonas de acionamento e controle do sistema de ar-condicionado.

A central de infoentretenimento é bem completa e se conecta com smartphones via Android Auto e Apple CarPlay sem fio. Há ainda a terceira tela de 12,3 polegadas para o passageiro. É possível reproduzir aplicativos e controlar vários equipamentos do veículo por ali, mas apenas com o veículo parado. Em movimento uma película dificulta a visão do motorista sobre a terceira tela.

Três telas colocam SUV da Renault dentre os mais modernos do mercado

O interior familiar poderia ter um porta-malas mais generoso. Os 431 litros podem atender às necessidades dos cinco ocupantes, só não é maior porque as baterias e o sistema híbrido roubam um pouco do espaço de bagagem.

Importado da Coréia do Sul e recolhendo 35% de imposto, mesmo que a Renault no Brasil fosse capaz de reduzir a margem deste SUV lindo, moderno e tecnológico, o Koleos, ainda assim, enfrentaria uma concorrência cada vez mais acirrada neste que é o principal segmento do mercado nacional. Mas quem valoriza a exclusividade que o ele oferece será feliz com a escolha.

vwco

Notícias relacionadas

vwco
vwco

Receba as principais notícias do setor automotivo diretamente no seu WhatsApp.

Receba diariamente as principais notícias do setor automotivo, análises de mercado e tendências da indústria no seu e-mail corporativo.

vwco