Quando a Mercedes-Benz celebra 70 anos de produção no Brasil, parte dessa história também pode ser contada pela trajetória de seus fornecedores. É o caso da Dana, cuja parceria com a fabricante atravessa mais de cinco décadas e acompanhou diferentes gerações de caminhões, tecnologias e processos produtivos.
Um símbolo dessa relação é o Mercedes-Benz 1113, um dos caminhões mais emblemáticos da indústria brasileira e que utilizava originalmente cardãs Spicer, marca da Dana. De lá para cá muita coisa mudou, mas as duas empresas continuaram trabalhando juntas.
A parceria ganhou ainda mais intensidade nos últimos 25 anos. Atualmente a Dana está entre os principais fornecedores da Mercedes-Benz e entrega eixos cardã, carcaças de eixo, eixos dianteiros, componentes forjados e usinados para diferentes linhas de produção. É uma operação de elevada complexidade, com sistemas Just-in-Time e fornecimento sequenciado, que exige integração entre fornecedor e montadora.
“São mais de 50 anos de relacionamento. É uma parceria que evoluiu junto com os veículos, com os processos industriais e com as próprias exigências de competitividade da indústria”, afirma Eduardo Buchaim, líder de Vendas e Desenvolvimento de Negócios da Dana na América do Sul.
Engenharia compartilhada
A evolução dessa relação também mostra como mudou o papel dos sistemistas. Mais do que produzir componentes a partir de especificações definidas pela montadora, empresas especializadas passaram a contribuir diretamente para o desenvolvimento dos veículos.
Em alguns projetos da Mercedes-Benz, soluções originalmente desenvolvidas pela fabricante puderam ser substituídas por componentes Spicer mais leves e eficientes. Para Buchaim, tecnologia não significa necessariamente adotar a solução mais sofisticada, mas encontrar a melhor combinação entre desempenho, eficiência, peso, durabilidade e custo. É uma lógica que também começa a orientar a próxima transformação dos veículos comerciais: a descarbonização.
A Dana avalia que a eletrificação desse mercado no Brasil deverá ocorrer de maneira mais gradual do que em outras regiões. O País dispõe de alternativas como biometano, biodiesel e sistemas híbridos flex, enquanto o custo dos veículos elétricos e as limitações de infraestrutura ainda representam obstáculos à adoção em maior escala.
Buchaim estima que uma transição mais ampla para comerciais elétricos poderá levar de quinze a vinte anos. Mas a Dana já dispõe das tecnologias necessárias para acompanhar esse movimento.
Globalmente a empresa fornece motores e eixos elétricos e acumulou experiência em mercados que avançaram mais rapidamente na eletrificação. Na China, por exemplo, suas tecnologias estão presentes em mais de 30% dos ônibus elétricos produzidos.
A estratégia é estar preparada para diferentes caminhos tecnológicos, mantendo as soluções convencionais que continuarão relevantes e incorporando novas arquiteturas conforme o mercado brasileiro avançar.
Duas histórias que seguem juntas
A longevidade da parceria mostra como relações industriais também ajudam a construir a história de uma fabricante. Dos cardãs Spicer utilizados em caminhões que se tornaram parte da paisagem das estradas brasileiras aos futuros sistemas eletrificados, Dana e Mercedes-Benz atravessaram diferentes ciclos da indústria mantendo engenharia, eficiência e capacidade de adaptação como pontos de conexão.
E os aniversários ajudam a colocar essa trajetória em perspectiva. Enquanto a Mercedes-Benz completa 70 anos de Brasil em 2026, a Dana chegará, em 2027, aos 80 anos de presença no País. São quase oito décadas de indústria para uma e sete para a outra — e mais de meio século construído em parceria.























