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Exportações recuam 23% com aumento da presença de chineses na América do Sul

Embora a maior influência negativa venha da Argentina embarques para México, Uruguai e Chile também recuaram até setembro

São Paulo – A maior concorrência com veículos importados, principalmente os eletrificados de origem chinesa, tem diminuído o apetite de importantes mercados pelo produto brasileiro. De janeiro a setembro foram exportados 334 mil veículos, contra 433,8 mil unidades no mesmo período do ano passado, segundo balanço da Anfavea. Ou seja: queda de 23%.

Em setembro foram exportadas 39,8 mil unidades, praticamente estabilidade frente a agosto, com leve variação de 0,1%, e queda de 24,2% em comparação ao mesmo mês do ano passado, 52,5 mil vendas ao Exterior.

A maior influência negativa veio da Argentina, com tombo de 37,7%, para 158,5 mil unidades: no acumulado do ano passado, no mesmo período, havia comprado 254,4 mil veículos brasileiros. Para o presidente executivo da Anfavea, Igor Calvet, é ainda mais grave o fato de que o mercado argentino encolheu 13% até setembro mas que as vendas brasileiras tenham caído três vezes mais.

“Somos muito dependentes da Argentina; 96% do recuo pode ser explicado pelo comportamento do país”, assinalou Calvet. No acumulado do ano passado 57% do total exportado tiveram como destino o mercado argentino e, neste mesmo período em 2026, foram 47%. Apesar do recuo este ainda é um volume bastante expressivo, e o país mantém-se como principal parceiro comercial do Brasil no setor automotivo.

No entanto a retração nas exportações pode também ser justificada pelo menor apetite de outros países, como o México, que reduziu 3,8% suas encomendas, para 56,1 mil unidades: “Isto acontece em um momento em que o mercado mexicano tem expansão de 5%”, contrapôs o presidente da Anfavea.

No Chile o movimento foi semelhante, com diminuição de 25,2%, para 15,6 mil unidades, ao passo que o mercado chileno foi ampliado em 1%. No Uruguai também houve recuo de 29%, para 18,1 mil unidades. 

Mesmo na Colômbia, para onde o Brasil ampliou suas vendas em 3,9%, para 40,2 mil unidades, tem-se uma disparidade, pois o mercado colombiano avançou 41%.

Ou seja: a maior concorrência com veículos de outras origens, principalmente a chinesa, com eletrificados, que oferecem tecnologia mais avançada e se beneficiam de cotas para importados elétricos e híbridos, tem resultado no menor volume de compra de produtos brasileiros: “Está acontecendo não só no Brasil mas em toda a América Latina”.

Calvet deixou claro que em 2027 será necessário fazer um trabalho muito forte no comércio exterior, focado no acesso a novos mercados, assim como na conquista de novos acordos, além de recuperar os antigos, a fim de reverter o cenário de queda nas exportações: “Esta será uma agenda estratégica para a Anfavea”.

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