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Nissan caminha para seu pior desempenho global em 23 anos

Empresa tem forte queda em vendas na China, onde o avanço acelerado da eletrificação pegou-a em ritmo desfavorável frente às marcas locais
Designed around the concept of "Refined and Tough," the all-new Rogue Hybrid combines advanced hybrid technology, bold styling and family-focused versatility.

São Paulo – Impulsionada pelo forte recuo na China e em mercados emergentes a Nissan caminha para registrar o seu pior desempenho de vendas globais em 23 anos. De janeiro a agosto a montadora vendeu 1,9 milhão de veículos no mundo, 9,2% abaixo do mesmo período do ano passado.

O ritmo atual projeta volume anual de 2,9 milhões de unidades, inferior ao patamar de 3 milhões que a montadora sustentava desde 2003. A forte concorrência global, somada a incertezas econômicas e juros altos, impõe ambiente severo enquanto a marca tenta renovar seu portfólio.

De acordo com reportagem publicada pela Automotive News o principal gargalo do balanço global reside na operação chinesa, onde o avanço acelerado da eletrificação pegou a montadora em ritmo desfavorável frente às marcas locais. Neste, que já foi o seu maior mercado comercial, as vendas da Nissan despencaram 27% no acumulado até agosto, somando 289,4 mil unidades, com retração pontual de 52% registrada no mês de agosto. 

O tombo na China reflete também no Sudeste Asiático, onde fabricantes chinesas expandem espaço em praças históricas da Nissan, além de recuos nas vendas no Canadá, de 16%, e na Europa, de 12%.

Em resposta à crise a diretoria executiva, liderada por Ivan Espinosa, conduz um plano drástico de reestruturação para enxugar custos e restabelecer a saúde financeira. O plano prevê corte de despesas da ordem de US$ 3,1 bilhões, redução de 15% do quadro de funcionários — o equivalente a 20 mil demissões — e o fechamento de sete fábricas, incluindo duas no México. 

Desta forma a capacidade instalada global da montadora será ajustada de 3,5 milhões para 2,5 milhões de veículos ao ano, movimento que acompanha forte depreciação do valor de mercado da companhia na Bolsa de Tóquio.

No contraponto dos resultados, a operação nos Estados Unidos surge como o principal alicerce de sustentação de receita e volume para a marca. Nos primeiros nove meses do ano, foram comercializados 716,2 mil veículos, alta de 0,6%, estimulados pelo avanço de 8,1% nas vendas diretas ao varejo, que somou 557,5 mil unidades. 

O plano no país prioriza o canal de concessionárias em detrimento de frotistas e locadoras, focando a produção em SUVs e picapes para blindar as margens de lucro, com a meta de alcançar 1 milhão de vendas anuais na região até 2027.

Para garantir participação no disputado mercado estadunidense a Nissan elevou os incentivos comerciais e fortaleceu a localização de componentes. Em setembro a média de subsídios e financiamentos a taxa zero concedidos pela empresa subiu 23%, atingindo US$ 4,2 mil por veículo. 

Em paralelo a produção local nos Estados Unidos avançou 24% no acumulado até agosto, contornando pressões tarifárias e reduzindo a dependência da manufatura mexicana. Neste mesmo período, o volume fabricado no México diminuiu 25% 

A empresa aposta no lançamento do Rogue e-Power em novembro e prevê que 80% dos componentes dos modelos vendidos nos Estados Unidos sejam de origem local até 2030.

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