São Paulo – A União Europeia e a China assinaram acordo preliminar focado na moderação das exportações de veículos híbridos e híbridos plug-in chineses para o bloco europeu, com potencial para reduzir o volume comercial pela metade. Conduzida pelo comissário europeu do Comércio, Maroš Šefčovič, e pelo ministro chinês Wang Wentao, a negociação encerra a primeira fase de um plano de reequilíbrio focado em conter o avanço de produtos com alegado subsídio estatal que ameaçam a competitividade da indústria automotiva e de outros setores na Europa.
De acordo com reportagem do site Euro News, além do freio no fluxo de veículos eletrificados, o entendimento prevê a ampliação do acesso de empresas europeias ao mercado chinês, com destaque para a remoção de barreiras e a redução de custos na exportação de autopeças e componentes.
A estimativa da Comissão Europeia é que as novas diretrizes gerem uma economia superior a € 225 milhões em tarifas aduaneiras. Em contrapartida Pequim comprometeu-se a desburocratizar a concessão de licenças para a exportação de terras raras e ímãs permanentes, insumos fundamentais para as cadeias globais de suprimento de tecnologias limpas e defesa.
Risco de desindustrialização
O movimento diplomático ocorreu em meio à pressão exercida por potências do bloco, Alemanha e França, que exigem rigor contra práticas de concorrência desleal diante do déficit comercial europeu de € 1 bilhão por dia com a China.
Entidades representativas de dezenas de segmentos industriais na Europa vêm alertando para o risco de desindustrialização e perda de postos de trabalho caso o fluxo do excedente produtivo chinês não seja regulado. Representantes de Berlim e Paris e admitem, inclusive, o uso de mecanismos de retaliação e a exclusão imediata do mercado interno em situações extremas.
Embora sinalize o avanço de uma solução negociada, o pacote preliminar passará por avaliação de governos locais e deputados europeus durante cúpula executiva em Bruxelas. A expectativa da indústria automotiva do bloco é que as medidas restabeleçam isonomia competitiva para os fabricantes locais de veículos de passeio e fornecedores de autopeças.
Ao mesmo tempo Bruxelas mantém no horizonte a possibilidade de aplicar taxas adicionais e salvaguardas adicionais caso as metas de moderação e acesso a insumos estratégicos não sejam rigorosamente cumpridas por Pequim.























