São Paulo – A Brose está colhendo os frutos da crescente nacionalização de sistemas automatizados de conforto no País. O módulo completo de acionamento da tampa de porta-malas foi a mais recente aposta bem-sucedida: a empresa começou a montar o conjunto de acionamento em suas fábricas brasileiras há dois anos, já fornece para dois fabricantes e tem negociação concluída para mais dois clientes em 2027.
Murilo Matta, presidente da Brose no Brasil, afirmou que os cerca de 650 empregados das unidades de produção da empresa estão trabalhando em três turnos na maior parte das áreas em São José dos Pinhais, PR, Jarinu, SP, e Goiana, PE – esta última dentro do parque de fornecedores do polo da Stellantis em Pernambuco, um dos clientes do sistema de acionamento da tampa do porta-malas.
“Nós só fornecemos direto às montadoras e acompanhamos exatamente o ritmo delas, seguimos também os mesmos fluxos de investimentos.”
Exatamente por este motivo é possível prever, segundo o executivo, crescimento da produção este ano em torno de 5% a 10% sobre o faturamento de 2025.
Automação é crescente, mas falta escala
A nova linha de sistema de acionamento elétrico da tampa do porta-malas adiciona automação de conforto a carros produzidos no País que há até poucos anos era encontrada apenas em veículos topo de linha importados ou com grande volume de partes importadas.
Matta ponderou que, embora estes sistemas estejam sendo adotados em maior número de veículos no País, ainda é grande o volume de componentes importados, principalmente eletrônicos, utilizados na produção nacionalizada dos módulos, como os sensores que identificam a presença de pessoas e interrompem o fechamento ou abertura da tampa e a central eletrônica que controla todas as funções.
O mesmo acontece com a já consolidada produção de módulos de automação de portas, que em um só conjunto montado entregue à montadora integra o elevador elétrico automático do vidro, travamento/destravamento elétrico com acionamento remoto, alto-falantes, sensores antiesmagamento e a central eletrônica, com diversos itens importados.
O presidente da Brose no Brasil revelou que são difíceis e até agora infrutíferas as negociações para fornecer sistemas aos fabricantes chineses que estão se instalando no País: “Nós temos fábricas na China e já fornecemos para vários deles lá, mas aqui não temos competitividade. A questão é a diferença de custo e escala. Enquanto fazemos contratos para fornecer 30 mil módulos por ano para uma plataforma de veículo, lá eles fecham para 300 mil. É muito difícil competir nestes termos”.
Bem no ranking dos sistemistas
Apesar das dificuldades com os novos entrantes chineses a Brose segue bem classificada no ranking dos maiores sistemistas instalados no País: “Um a cada dois carros produzidos aqui tem algum sistema nosso”.
Além dos módulos de automação de portas e porta-malas o produto carro-chefe da Brose aqui é o ventilador controlado eletronicamente para arrefecimento de motores. A empresa também vem adicionando evoluções ao componente aparentemente simples, como aumento da eficiência, com menor consumo energético, e utilização de materiais para redução de peso, fator importante para redução de emissões.
Outros sistemas de menor escala no mercado brasileiro, como os módulos de regulagem elétrica de bancos, ainda são importados de outras fábrica do grupo para eventual fornecimento no Brasil.
Mais a oferecer
Com a demanda cada vez maior por sistemas automáticos que aumentam o conforto, Matta projeta o crescimento gradual e constante dos negócios, principalmente para o desenvolvimento de novas funcionalidades que as montadoras querem adotar em seus veículos.
Segundo o executivo a Brose já opera no limite da sua capacidade no Brasil mas a maior parte dos investimentos anuais, equivalentes a 2% a 3% do faturamento, “está indo quase todo para o desenvolvimento de novos produtos que as montadoras querem oferecer aqui”.

O próximo candidato à nacionalização é o sistema de automação de fechamento e abertura da tampa de caçambas de picapes que está em desenvolvimento, como sugere o executivo: “Já estamos fazendo testes pois o Brasil é um grande consumidor de picapes cada vez mais luxuosas e parecidas com automóveis de passageiros, que estão incorporando os mesmos sistemas de conforto”.
O cardápio de sistemas mecatrônicos de automação desenvolvidos pela Brose é bastante amplo. No Congresso SAE Brasil 2026, realizado em 7 e 8 de outubro em São Paulo, a empresa mostrou em seu estande montado para o evento um protótipo que integra todos os módulos que automatizam abertura/fechamento de portas e ajustes de bancos.
No protótipo, que apresenta funções já utilizadas por carros topo de linha, sensores identificam a aproximação do motorista para abrir ou fechar as portas e tampa do porta-malas, puxa automaticamente o banco para trás para o embarque e ajusta na posição pré-definida pelo usuário assim que o cinto de segurança é acoplado. E as portas param automaticamente de abrir ou fechar se houver alguém no caminho.
São soluções de aparência bastante futuristas mas que deverão ser adotadas em futuro já bastante próximo, descendo em escala dos carros mais caros para os mais baratos no horizonte do médio prazo, de dois a cinco anos, em velocidade certamente puxada pela aceleração chinesa de adoção de novos sistemas.























