São Paulo – Algumas cidades brasileiras, veja só, voltaram à era dos bondes. Mas não são os mesmos veículos de quatro eixos tão tradicionais no século passado, movidos apenas por rede elétrica aérea por cabos. Hoje, o moderno sistema VLT, veículos leves sobre trilhos, reforça a mobilidade urbana com operação mais sustentável, livre de emissões de poluentes e baixo nivel de ruído.
Exemplo de VLT no Brasil de grande sucesso é o da Baixada Santista, em São Paulo. Parte dos trilhos das composições que atendem os municípios de Santos e São Vicente reaproveita a malha ferroviária da antiga Fepasa, Ferrovia Paulista.
O primeiro trecho parcial do VLT da Baixada Santista estreou em 2015 e, dois anos depois, foi totalmente concluído. Com 11,5 km de extensão ele liga o Terminal Barreiros, em São Vicente, ao Porto de Santos.
Em maio passado a concessionária BR Mobilidade entregou a segunda fase completa do sistema que recebeu investimentos de R$ 395 milhões. Agora, 8 quilômetros de trilhos e doze estações ligam os terminais Barreiros até Valongo.
“Dos 2 milhões de pessoas da Baixada Santista que dependem de viagens motorizadas, 62% usam o transporte coletivo”, afirmou Alceu Cremonesi Júnior, diretor da BR Mobilidade. “Isto já comprova a importância do VLT na região.”
Os trens das duas linhas funcionam das 5h30 às 23h30 em intervalos de 10 a 20 minutos e transportam cerca de 35 mil passageiros por dia: “O VLT beneficiou o turismo, porque passa em pontos como o Museu do Café, e os estudantes, devido às paradas próximas de universidades”.

Fabricado pela empresa espanhola Vossloh Tramlink o trem do VLT da Baixada Santista mede 44 metros de comprimento, pesa 60 toneladas e pode acomodar quatrocentas pessoas. Embora consiga atingir 70 km/h a velocidade operacional não ultrapassa 25 km/h.
Os seis motores elétricos estão instalados nos conjuntos de eixos e rodas e armazenam a energia gerada pela rede aérea de fios. Quando não há conexão direta com a rede, baterias auxiliares permitem que a composição percorra trechos de até 400 metros. Durante a desaceleração o sistema recupera energia que é enviada aos motores
VLT Carioca
Os municípios de Santos e São Vicente não foram os pioneiros na adoçao de veículos leves sobre trilhos. Uma das obras realizadas pela cidade do Rio de Janeiro, RJ, para os Jogos Olímpicos de 2016 o VLT Carioca também serviu de intervenção urbanística da Capital fluminense.
Ele faz o trajeto dos principais pontos do Centro e da região portuária, além de chegar ao Aeroporto Santos Dumont. Ao longo da malha de 28 quilômetros os trens de 420 lugares se deslocam por 32 estações, transportando aproximadamente 95 mil usuários/dia.
Controlado pela concessionária Motiva Trilhos, o VLT Carioca opera com 32 composições de 44 metros de comprimento. Elas possuem seis motores elétricos mas, ao contrário do VLT da Baixada Santista, a energia dos bondes modernos do Rio vem do sistema APS, alimentação pelo solo, e armazenamento embarcado.
“Se não bastasse ser inovação tecnológica em mobilidade o VLT Carioca conecta diferentes modais de transporte de forma sustentável e ajuda na preservação da cidade. Trata-se de um serviço de vanguarda e excelência no Brasil”, afirmou o gerente executivo de manutenção da VLT Carioca, José Carlos Alves.
Projeto São Paulo
A cidade de São Paulo tem um projeto um pouco diferente do VLT, chamado Bonde São Paulo. No entanto ainda não saiu do papel porque a SMT, Secretaria Municipal de Mobilidade e Transporte, está na fase de viabilização econômico-financeira.
Caso se torne viável o VLE, veículo leve elétrico, não usará trilhos e se movimentará diretamente sobre o asfalto. Com duas linhas previstas que somam 12 quilômetros de extensão o Bonde São Paulo conectará polos comerciais, culturais e turísticos, como Bom Retiro, Mercado Municipal, Parque Dom Pedro II, Liberdade e Praça da República.
Segundo a SMT o sistema integrará cinco terminais de ônibus, nove estações de metrô e duas da CPTM, Companhia Paulista de Trans Metropolitanos. Com capacidade para transportar cerca de 130 mil passageiros por dia o Bonde São Paulo pretende revitalizar o centro de São Paulo – onde há muitas áreas degradadas – e deixá-lo mais atrativo para atividades econômicas.

Estados brasileiras com VLT
Além da Baixada Santista e do Rio de Janeiro, saiba quais estados também já adotaram o VLT na mobilidade urbana:
Ceará
Fortaleza opera o sistema VLT Parangaba–Mucuripe. Em Sobral o sistema tem 12,5 quilômetros de extensão e doze estações. Já as cidades de Crato e Juazeiro do Norte são ligadas pelo VLT do Cariri.
Alagoas
Na Capital, Maceió, o VLT é usado no transporte urbano.
Paraíba
O VLT da Grande João Pessoa atende à Capital e a municípios vizinhos.
Rio Grande do Norte
O VLT da Grande Natal abrange Parnamirim, Extremoz e Ceará-Mirim.
Piauí
Com quase 17 quilômetros de extensão a rede é conhecida como Metrô de Teresina.
Pernambuco
O VLT de Recife é integrado ao transporte das cidades de Jaboatão dos Guararapes e Cabo de Santo Agostinho.
























