São Bernardo do Campo, SP — A escolha do motor de um caminhão não depende apenas da potência. O tipo de carga, a topografia da rota, a frequência das paradas e a necessidade de cumprir horários determinam qual conjunto mecânico oferece o melhor resultado para as operações. É nesse contexto que a Scania amplia as aplicações da linha Super com o motor de 11 litros, disponível nas versões de 390 cv e 430 cv.
A nova motorização passa a equipar caminhões destinados a diferentes frentes. Nos caminhões bitruck, costumeiramente usados no transporte de até médias distâncias, a prioridade está na agilidade e na capacidade de manter a velocidade em aclives. No transporte rodoviário de longa distância o foco recai sobre a eficiência energética e a produtividade. Já nas operações fora-de-estrada a combinação da tração 6×4 com potência e torque atende serviços de apoio em mineração, construção civil e atividades sucroenergéticas.
Além do motor a Scania atualiza itens que interferem na rotina dos motoristas, como faróis de LED renovados, cama reclinável, nova iluminação interna e ar-condicionado de teto. A proposta é associar o desempenho mecânico a recursos que contribuam para reduzir o consumo, facilitar o trabalho e ampliar a disponibilidade dos veículos.
Estes caminhões, com novas motorizações, estarão expostos na Fenatran 2026, de 9 a 13 de novembro, no São Paulo Expo, em São Paulo.

Comando variável melhora a eficiência da combustão
O motor Super de 11 litros recupera uma faixa de cilindrada que marcou a história da Scania no Brasil e incorpora soluções técnicas da atual geração de motores da fabricante. Dentre elas o comando duplo variável de válvulas, que ajusta os momentos de abertura e fechamento das válvulas de admissão e escape conforme as condições de funcionamento.
O gerenciamento permite controlar melhor a troca de gases e o comportamento térmico do motor em diferentes rotações. Com isto a engenharia busca melhorar a eficiência da combustão e reduzir o consumo de diesel.
Segundo Marcelo Gallao, diretor de desenvolvimento da Scania, o recurso pode contribuir para economia de combustível de até 2%. Este porcentual se refere ao efeito atribuído à tecnologia.
Outra característica está na ausência do sistema EGR, sigla em inglês para recirculação dos gases de escape. Em vez de devolver parte dos gases queimados à admissão o motor utiliza o sistema SCR, que trata os óxidos de nitrogênio no escapamento com o auxílio do Arla 32.
A configuração dispensa os componentes associados à recirculação e permite que o motor receba ar filtrado e resfriado pelo intercooler. Segundo Gallao evitar a entrada de gases de escape quentes e com partículas na admissão favorece as condições de funcionamento e contribui para a durabilidade do conjunto.
Turbo 12 reduz o consumo de Arla 32
O sistema de pós-tratamento também recebe uma solução específica. No Turbo 12 a Scania injeta Arla 32 no centro do rotor da turbina, aproveitando a região de maior temperatura para favorecer a pulverização do fluido. Gallao disse que a tecnologia reduz a proporção de Arla 32 consumida com relação ao diesel de aproximadamente 11% para 9%. A mudança pode diminuir a frequência de abastecimento do fluido e os custos associados à operação.
O motor utiliza o freio auxiliar CRB, sigla para compression release brake. O sistema opera sobre as válvulas de escape para produzir resistência à rotação do motor e ajudar a desacelerar o caminhão.
O comando variável potencializa este efeito ao permitir antecipar a abertura das válvulas de escape. Desta forma o CRB amplia a capacidade de frenagem auxiliar e ajuda a controlar a velocidade em descidas.
Para transportadores que percorrem rotas com serras, aclives e declives frequentes o recurso pode reduzir a solicitação dos freios de serviço. O benefício depende, naturalmente, das condições de utilização e da forma como o motorista administra a velocidade.
G 430 atende ao transporte rodoviário
No transporte de longa distância a Scania oferece o G 430 com cabine G de teto alto, motor de 11 litros, potência de 430 cv e torque de 224 mkgf. O modelo chega nas configurações 4×2 e 6×2.
A aplicação inclui operações de carga geral, transporte de contêineres, cargas frigorificadas e comércio eletrônico, e outras atividades compatíveis com a configuração do veículo.
A versão de 430 cv foi escolhida para atender composições rodoviárias que exigem desempenho em diferentes condições de carga, inclusive aplicações com semirreboques de dois eixos e configurações com quarto eixo, respeitados os limites legais e técnicos de cada conjunto.

A proposta é oferecer uma alternativa para operações que requerem desempenho rodoviário sem necessariamente recorrer ao motor de 13 litros. Entretanto, para avaliar a vantagem econômica, o transportador deve considerar o consumo por quilômetro, a carga útil, a relação entre potência e peso e o custo de manutenção ao longo da vida do veículo.
P 390 8×2 busca produtividade, sobretudo no transporte de hortifrúti
A Scania amplia as opções do bitruck com o motor Super de 11 litros na versão de 390 cv e torque de 204 mkgf. O modelo 8×2 atende operações que ligam propriedades rurais a centros de abastecimento e grandes mercados consumidores.
O perfil dessa atividade exige agilidade. Em muitas operações, o caminhão carrega no fim da tarde e percorre a rota durante a noite para chegar ao destino nas primeiras horas da manhã. Nesse cenário, perder velocidade em aclives pode atrasar a entrega e comprometer o planejamento da distribuição.
Segundo Marcelo Gallao, a fabricante identificou operações nas quais a queda de velocidade em subidas afetava o horário de chegada. A introdução do motor de 11 litros procura preservar melhor o ritmo de viagem quando o caminhão opera carregado. O torque de 204 mkgf contribui para essa entrega. Enquanto a configuração 8×2 atende à necessidade de capacidade de carga desse segmento.
O modelo também recebe um eixo suspensor desenvolvido pela própria Scania e integrado ao veículo desde a fábrica. O recurso permite levantar o eixo auxiliar quando as condições de carga e operação autorizam, reduzindo o arrasto dos pneus em determinadas situações.
Além de evitar adaptações posteriores, a solução permite ao transportador contar com um conjunto desenvolvido para o caminhão. No entanto, o uso do eixo suspensor deve respeitar os limites de carga por eixo e as condições de homologação.
XT P 390 6×4 atende mineração e construção
A terceira aplicação é o XT P 390 6×4, destinado a operações fora de estrada. O caminhão utiliza o motor de 11 litros com 390 cv e torque de 204 mkgf.

A configuração atende serviços de apoio em mineração, construção civil e atividades sucroenergéticas. Dentre as aplicações possíveis estão caminhões basculantes para operações compatíveis com a capacidade do veículo, além de unidades para transporte de água, abastecimento e lubrificação.
Nesses ambientes, a necessidade de tração ganha relevância. A configuração 6×4 distribui a força entre dois eixos de tração, característica importante para enfrentar terrenos irregulares e superfícies com menor aderência.
A faixa de potência também amplia as opções para operações que não exigem necessariamente os motores de maior cilindrada. Contudo, a escolha precisa considerar o tipo de implemento, a massa total, a relação de transmissão, os pneus e as condições do terreno.
A adequação do caminhão à atividade é decisiva para evitar tanto a falta de desempenho quanto a utilização de um conjunto maior do que a operação realmente necessita.
Ar-condicionado de teto pode reduzir o consumo durante as paradas
As mudanças não se limitam à motorização. A Scania atualiza a cabine com recursos voltados ao conforto e à segurança do motorista, entre eles bancos mais largos, encostos de cabeça redesenhados, cama reclinável e novas opções de iluminação.
Um dos equipamentos com impacto direto no custo operacional é o ar-condicionado de teto. O sistema mantém a cabine climatizada durante as paradas sem exigir que o motor permaneça ligado para alimentar o ar-condicionado convencional.
Em regiões quentes, motoristas frequentemente mantêm o caminhão em marcha lenta durante o descanso para preservar a temperatura interna. Essa prática consome combustível mesmo quando o veículo não está em movimento.
Segundo Ivanovik Marx, gerente de engenharia de vendas da Scania, um caminhão nessa condição pode consumir aproximadamente 2,5 litros de diesel por hora.
Considerando seis horas de funcionamento por dia, o consumo chega a 15 litros diários. Ao evitar essa marcha lenta, o sistema de teto pode reduzir o gasto com combustível e as horas de funcionamento do motor sem deslocamento.
Marx estima uma economia mensal próxima de R$ 2,5 mil. O valor depende do preço do diesel, do número de dias de operação, das condições climáticas e do tempo de utilização do equipamento.
Bateria AGM sustenta a climatização
Para alimentar o ar-condicionado durante o descanso, a Scania utiliza uma bateria AGM, sigla para Absorbent Glass Mat. Nessa tecnologia, um separador de fibra de vidro absorve o eletrólito e favorece o funcionamento em ciclos de descarga.
A solução atende à necessidade de alimentar equipamentos auxiliares por períodos prolongados, sem depender continuamente do motor ligado.
Segundo Marx, a bateria AGM permite aproveitar cerca de 80% de sua capacidade nominal nas condições consideradas pela fabricante, ante aproximadamente 25% nas baterias convencionais utilizadas como referência. Essa característica favorece a alimentação do sistema durante o período de descanso.
A autonomia efetiva, porém, varia conforme a temperatura externa, a intensidade de refrigeração, o estado de carga e a condição da bateria. Por isso, a economia estimada não deve ser tratada como um valor fixo para todas as operações.
Cabine concentra recursos de conforto e conectividade
A cama passa a permitir inclinação de até 60 graus, o que facilita a leitura e o uso de uma tela instalada na cabine durante os períodos de descanso.
Os bancos mais largos e os encostos de cabeça atualizados procuram melhorar a ergonomia e atender às exigências europeias de segurança mencionadas pela fabricante. A Scania também oferece quatro pacotes de iluminação interna. Na configuração mais completa, o sistema conta com doze pontos de LED e permite selecionar cores pela central multimídia.
O conjunto de som também dispõe de diferentes níveis de equipamento, com até nove saídas na versão mais completa. Já o carregador por indução permite recarregar o celular sem a necessidade de um cabo conectado ao aparelho.
Faróis de LED ficam mais leves e resistentes
Outra mudança está no conjunto óptico. Segundo Marcelo Gallao, os novos faróis de LED pesam aproximadamente 750 gramas a menos que os anteriores, graças a alterações nos materiais e na construção da carcaça e das lentes.
A fabricante também informa maior campo de visão, melhor distribuição do feixe do farol baixo e ampliação da capacidade de iluminação do farol alto.
Além disto o conjunto oferece maior resistência à entrada de água e a impactos de detritos. A atualização atende tanto à necessidade de melhorar a visibilidade quanto à de aumentar a resistência dos componentes durante a utilização.
A redução de peso por farol é pequena diante da massa total do caminhão mas integra um conjunto de mudanças que procuram reduzir peso e melhorar a eficiência.























