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Com futuro incerto, fábrica da JLR em Itatiaia segue parada

Omoda Jaecoo mantém negociações para adquirir a unidade, mas todas as alternativas seguem na mesa, segundo o CEO João Henrique de Oliveira

São Paulo – Após alcançar o volume de produção previsto no plano de negócios deste ano a JLR paralisou a produção de veículos na fábrica de Itatiaia, RJ. A primeira unidade do grupo britânico fora do Reino Unido, que completou dez anos, tem seu futuro em reavaliação. Seu uso futuro pela marca, com novos modelos locais, é incerto e fabricantes chinesas estão de olho na planta, que pode rapidamente voltar a produzir sem exigir grandes valores ou prazos de investimento.

Dois modelos foram produzidos no primeiro semestre: o Discovery Sport e o Range Rover Evoque. O primeiro terá sua produção global descontinuada no fim do ano e o Evoque, embora siga em linha por mais algum tempo, passou a ter participação menor no mix de vendas da JLR no País, acompanhando o reposicionamento comercial mais focado em SUVs de grande porte importados, segundo afirmou a AutoData o CEO da JLR para a América Latina e o Caribe, João Henrique de Oliveira. 

Enquanto a matriz e a subsidiária brasileira analisam os próximos passos para a unidade os cerca de quatrocentos funcionários do complexo sul-fluminense cumprem rotinas diferenciadas. Trabalhadores das áreas administrativas seguem em suas funções rotineiras, enquanto os profissionais diretamente ligados à manufatura foram direcionados para programas internos de capacitação e treinamento.

Assédio chinês e portas abertas

A indefinição sobre os próximos ciclos de produção em Itatiaia alimentou, nos últimos meses, rumores sobre possível aluguel ou venda da infraestrutura instalada para montadoras chinesas em expansão no mercado brasileiro. Oliveira confirmou que a empresa sempre manteve uma política de “portas abertas”, recebendo representantes de diversas fabricantes para conhecer as instalações ao longo dos últimos anos.

No entanto refutou que existam negociações avançadas para cessão do espaço: “Perguntas sobre interesse e curiosidade sempre existem. Nos últimos anos me reuni com várias [marcas], mas sempre dentro da nossa política de portas abertas, no sentido de mostrar o que temos, e não pensando em aprofundar nenhuma conversa no momento. Não há nenhuma decisão tomada, nem sobre plano de produção futuro, nem sobre qualquer destinação do ativo”.

A Omoda Jaecoo, do Grupo Chery, é uma que assume oficialmente manter negociações com a JLR pela unidade. A fábrica, no entanto, é pequena para a ambição da companhia, que tem como objetivo vender 500 mil unidades em 2030. As linhas de Itatiaia podem produzir em torno de 25 mil unidades anuais. Seria, porém, alternativa de rápido início de produção enquanto uma nova fábrica, maior, fosse construída do zero.

Mix focado em importados e eletrificação

Com a paralisação da linha em Itatiaia o abastecimento da rede concessionária da JLR no País, composta por 38 lojas, depende prioritariamente do portfólio importado. A família Range Rover é trazida diretamente de Solihull, Reino Unido, enquanto os modelos Defender e Discovery vêm da planta de Nitra, Eslováquia.

Toda a gama comercializada no Brasil já conta com algum nível de eletrificação: os utilitários Defender e Discovery utilizam sistemas MHEV a diesel e os modelos da linha Range Rover são comercializados em versões PHEV.

A chegada do primeiro BEV da marca no mercado brasileiro está programada para o ano que vem, contemplando as versões totalmente elétricas do Range Rover, do Range Rover Sport e do novo Range Rover GT. Até lá, caso não haja definição para a fabricação de um novo ciclo de veículos em Itatiaia, o espaço continuará sob avaliação estratégica, sem novos produtos nacionais confirmados.

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