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Classe B deve pautar indústria, diz consultor

A expectativa de um crescimento econômico por classes diferente do que aconteceu no passado recente brasileiro deverá causar uma mudança no perfil do mercado automotivo. Segundo o consultor João Morais, da Tendências Consultoria, a classe B tem maior possibilidade de crescimento em médio prazo, na comparação com a classe C. “O nível de desemprego começa a cair, mas em uma velocidade mais baixa do que no passado”, diz Morais. “Isso deixará o mercado de trabalho mais competitivo, afetando diretamente a classe C, que tende a crescer menos, assim como sua renda, enquanto as classes mais altas, principalmente a B, crescerão mais”.

 

De acordo com Morais isso trará uma demanda maior por veículos que não são, especificamente, os de entrada. Essa mudança no cenário econômico mudará também a busca do consumidor brasileiro por carros novos: “Com o crescimento maior da classe B, a demanda será por carros mais bem equipados, com mais tecnologia embarcada, fazendo com que outros segmentos cresçam mais do que o de entrada”, projeta o consultor. “Com a crise, o segmento que mais caiu foi o de entrada, pois o consumidor desses carros também foi o mais afetado. Com a retomada da economia, não acredito que eles ganhem o mesmo espaço do passado, principalmente pela dificuldade de acesso ao crédito que a classe C terá – entradas maiores e prazos menores para quitar as parcelas”.

 

Morais afirma que nos últimos anos, algumas empresas sofreram mais que outras. Segundo o consultor, isso é reflexo do posicionamento errado de alguns produtos: “Fiat e Volkswagen foram as que mais perderam durante a crise. Um dos fatores para isso ter acontecido foi o preço alto dos carros de entrada, com pouca oferta de equipamentos, enquanto outras montadoras perceberam as mudanças e ofereceram carros mais completos e com preços próximos aos de entrada”.

 

Mais recentemente, Fiat e Volkswagen começaram a tentar recuperar o tempo perdido e mostraram suas armas para enfrentar a nova tendência. A Fiat trouxe o hatch Argo, com a missão de substituir o Punto e o Bravo, seus extintos modelos hatches – sendo o segundo um médio premium. O preço do Argo varia de R$ 46,8 mil a R$ 70,6 mil, conforme a versão. O carro é vendido com três opções de motor e câmbio.

 

O lançamento mais importante da Volkswagen no ano foi o Polo, que chegará ao mercado para cobrir uma faixa de mercado que vai de R$ 49 mil 990 a R$ 69 mil 190, com boa lista de equipamentos desde a versão de entrada e três opções de motorização.Como o Argo, o Polo também quer brigar no segmentos dos hatches mais bem equipados, onde estão algumas versões do HB 20 e do Onix, dois sucesso de venda no Brasil.

 

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