Em destaque

Brasil de fato no fim da recessão?

A economia brasileira cresceu 1% no primeiro trimestre com relação ao quarto trimestre de 2016, garante o IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pelo levantamento esta foi a primeira alta do PIB, Produto Interno Bruto, após oito trimestres consecutivos de queda. No entanto na comparação com o mesmo período do ano anterior o PIB recuou 0,4%.

A alta do PIB teria sido puxada pelo bom desempenho da agropecuária, que cresceu 13,4% com relação ao trimestre anterior, com safra recorde de soja e boa colheita de milho. Já a indústria cresceu 0,9% diante do desempenho de outubro a dezembro do ano passado, mas caiu 1,1% com relação ao primeiro trimestre de 2016.

Vicente Koki, analista chefe da Diamond Mountain Investimentos, disse que o bom resultado do agronegócio foi um ponto fora da curva, ajudado por excelentes safras: “A crise política contamina o mercado e não sabemos se o atual governo irá se manter ou se teremos uma mudança, o que pode gerar novas políticas econômicas”.

Para Philipp Schiemer, presidente da Mercedes-Benz do Brasil & CEO para a América Latina, o crescimento do PIB, após dois anos de queda, é um sinal positivo, pois esse é um dos principais indicadores da economia. Mas, ele ressaltou, o PIB em alta ainda não se refletiu no mercado de veículos comerciais: “Esperamos que as reformas estruturais sejam rapidamente decididas para termos aquele impulso de confiança que nosso mercado precisa e também para aquecer de vez a demanda do mercado interno”.

O agronegócio tem um reflexo direto no segmento de transportes, pois os caminhões são necessários para o escoamento da produção. Segundo Agostinho Celso Pascalicchio, professor da Universidade Mackenzie, a demanda reprimida por caminhões e a elevada idade da frota podem impulsionar as vendas: “O resultado positivo mostra uma reversão dos dois anos anteriores de recessão, mas a recuperação será lenta”.

Para Alarico Assumpção Júnior, presidente da Fenabrave, a tendência de recuperação da economia vem se confirmando, mesmo em meio a um ambiente político incerto: “A economia voltou a crescer após oito trimestres seguidos de queda. Os indicadores positivos refletem diretamente em nosso setor, pois ampliam a confiança do consumidor”.

Investimentos – A manutenção do crescimento econômico é questionável quando se analisa os indicadores dos investimentos, que caíram 1,6% com relação ao quarto trimestre de 2016 e 3,7% no comparativo com o primeiro trimestre de 2016 – ao aumentar a produção a empresa investe em bens de capital.

Pascalicchio, da Universidade Mackenzie, ressaltou que os investimentos têm efeito multiplicador na manutenção do crescimento do PIB a médio e longo prazo: “Eles são essenciais para aquecer a economia e diminuir a capacidade ociosa da indústria”.

Para a Abimaq, Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, é necessária uma política de incentivos no curto prazo para sustentar o crescimento do PIB no primeiro trimestre. João Carlos Marchesan, presidente do conselho de administração da entidade, disse, em nota, que essas medidas podem fazer com que o País deixe definitivamente a recessão fazendo com que o crescimento registrado no primeiro trimestre não seja, de fato, um “falso positivo”.

fiat

Notícias relacionadas

fiat
fiat

Receba as principais notícias do setor automotivo diretamente no seu WhatsApp.

Receba diariamente as principais notícias do setor automotivo, análises de mercado e tendências da indústria no seu e-mail corporativo.

fiat