Em destaque

Importação em alta coloca álcool brasileiro em xeque

Setores que participam da construção do Rota 2030, política industrial do setor que vai substituir o Inovar-Auto, definem internamente suas propostas antes de sentar à mesa com gente do governo para mostrar suas contribuições. O que se pode observar, a princípio, é a aposta no etanol para atender futuras exigências de melhoria na eficiência energética. O MME, Ministério de Minas e Energia, aponta para políticas de incentivo à produção nacional no sentido de diminuir as importações. O Estado de São Paulo, maior produtor do combustível, pretende investir em pesquisa para aumentar a produção nas usinas da região.

O que se pretende é aumentar o volume de álcool brasileiro nas bombas. Hoje a produção nacional vive um momento difícil em função da alta nas importações do barato etanol de milho dos Estados Unidos. No primeiro trimestre o aumento foi de 403%, segundo dados da ANP, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis.

O ministro de Minas e Energia disse, durante o primeiro dia do Ethanol Summit, realizado em São Paulo, na segunda-feira, 26, que o melhor caminho para tornar viável o aumento do consumo do combustível é desonerar o produtor nacional: “Não quero entrar no mérito do que é certo ou errado. Defendemos um modelo mais aberto porque é justo com a produção nacional, que emprega pessoas neste país. O produtor, hoje, tem uma série de obrigações que o importador não tem. Queremos igualar as situações”.

Na visão do ministro o cenário indica um sinal de alerta que pode refletir na construção de uma política industrial que beneficie o setor automotivo e toda a cadeia próxima a ele: “Temos que garantir um combustível acessível para que possa ser considerado na definição da matriz energética do Rota 2030”.

No contexto estadual São Paulo surge no debate com o discurso de que é preciso investir em pesquisa e desenvolvimento de meios que façam aumentar a produção das usinas. Maior produtor de álcool do Brasil o seu governador diz que investirá R$ 150 milhões nos institutos de pesquisa nos próximos anos e que contratará duzentos pesquisadores da área sucroalcooleira: “Entendo que é importante primeiro definir a matriz energética. Então haverá mais investimentos se houver o mínimo de segurança neste sentido”.

Ainda que a matriz não esteja definida os biocombustíveis são um dos pilares do Rota 2030, e os produtores do álcool que operam no Brasil se ajustam para atender demanda que pode crescer nos próximos anos. A Raízen, principal nome deste mercado, adotou o discurso ministerial. Rubens Ometto, presidente do conselho da empresa, disse que é preciso valorizar a produção local e que o setor precisa ser favorável a esta linha de raciocínio para crescer, seja no atendimento da demanda nacional ou nas exportações: “Enquanto não existir uma política pública para produção do álcool ainda será melhor importar. Todo mundo é a favor do combustível limpo, mas ninguém quer investir em nada. Nós, produtores, queremos uma política clara”.

Como forma de incentivar o produtor brasileiro o executivo da Raízen sugeriu que o governo adote uma política semelhante à CIDE, Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico, tributação criada em 2001 pelo governo federal que incide sobre os combustíveis: “É uma forma de equilibrar as condições de produtores e importadores. Não estamos pedindo subsídios fiscais pois essa onda já passou”.

fiat

Notícias relacionadas

fiat
fiat

Receba as principais notícias do setor automotivo diretamente no seu WhatsApp.

Receba diariamente as principais notícias do setor automotivo, análises de mercado e tendências da indústria no seu e-mail corporativo.

fiat