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Indústria automotiva argentina começa a ver dias melhores

Dirigentes da Adefa e Afac trataram do momento atual do setor no país vizinho durante o Congresso Latino-Americano

São Paulo – Maior parceira do Brasil no setor automotivo a Argentina vem adotando uma série de medidas para recuperar a sua saúde financeira desde que o atual governo tomou posse, em janeiro. E os resultados têm sido positivos, na opinião de Fernando Rodríguez Canedo, diretor executivo da Adefa, a associação local das montadoras, e de Juan Cantarella, presidente executivo da Afac, entidade que reúne as fabricantes de autopeças. A dupla abriu os trabalhos do segundo dia do 6º Congresso Latino-Americano de Negócios do Setor Automotivo, realizado por AutoData.

“Está havendo uma ordenação macroeconômica e também ajustes que refletem no dia a dia das empresas, que tiveram muitas restrições para operar nos dois anos finais do governo anterior”, afirmou Canedo. “Com isto estão começando a aparecer bons sinais, como a baixa da inflação.”

Para o diretor da Adefa há boa perspectiva de retomada. Cantarella tem a mesma visão: “A expectativa hoje é bem melhor, ainda que exista muito para se resolver”.

O presidente da Afac destacou que, até o ano passado, as dificuldades para fazer importações e pagá-las eram enormes, sem falar nas frequentes mudanças normativas: “O cenário atual mais positivo já nos possibilita pensar em questões mais estruturais”.

Objetivos em comum

Canedo destacou que é preciso seguir aprofundando as relações com o Brasil, que continua sendo o principal fornecedor de automóveis para a Argentina, representando quase metade do mercado: “E quando se considera apenas veículos importados os brasileiros representam aproximadamente 90% do total. No sentido oposto 65% da produção argentina é destinada ao Brasil”.

Ele também fez questão de ressaltar outro ponto nesse jogo binacional: “É importante que as políticas públicas de cada país não tragam mais vantagens para um ou outro”.

Segundo ele outro desafio para as fabricantes argentinas é a tributação, pois 25% do preço do veículo exportado são impostos — esta carga é de 7% no Brasil e inexistente no México. Canedo considera ser fundamental trabalhar para gerar mais atratividade não somente para o setor na Argentina como em todo o Mercosul “e, para isto, precisamos criar mais acordos comerciais com outros países e regiões”.

Reposição em alta

Quanto ao segmento de autopeças Cantarella contou que, apesar de as montadoras representarem a maior parte dos negócios para as produtoras de componentes, a queda nas vendas de carros 0 KM significa um aumento da importância do mercado de reposição:

“O parque veicular na Argentina é de 15 milhões de unidades e está envelhecendo”, declarou. “E com a idade média de 14 anos são necessárias cada vez mais peças para manter esses veículos rodando”.

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