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Vammo começa a vender motos elétricas ao consumidor

Antes disponíveis apenas para locação, scooters movidas a bateria têm preços a partir de R$ 25 mil 990 e autonomia para até 100 quilômetros

São Paulo — A Vammo passa a vender motos elétricas diretamente ao consumidor brasileiro. Até então focada em aluguel para entregadores a startup abre uma nova frente de negócios no varejo. A mudança ocorre em paralelo à ampliação da capacidade industrial em Manaus, AM, em parceria com o Grupo DBS, que expande a produção de motocicletas elétricas.

O novo plano, contudo, não substitui o modelo de assinatura que tornou a Vammo conhecida por suas scooters azuis. Ao contrário: ela surge justamente em um momento de forte expansão da operação principal.

Nos últimos meses a Vammo captou R$ 75 milhões para ampliar a frota e a infraestrutura de troca de baterias em São Paulo. O financiamento, liderado pela EXT Capital, pode chegar a R$ 170 milhões caso determinadas metas de crescimento sejam atingidas. Segundo a empresa os recursos serão utilizados para acelerar a produção de veículos e ampliar a rede de suporte à operação.

Hoje a startup mantém cerca de 5 mil motos elétricas em circulação em São Paulo, utilizadas principalmente por entregadores de aplicativos. A empresa pretende oferecer 15 mil unidades em operação até o fim do ano, ampliando sua presença na logística urbana.

Venda direta: preços partem de R$ 25 mil 990.

A Vammo passa a atuar também na venda direta. Os modelos CPX e CPX Comfort serão comercializados por seis concessionárias parceiras no Estado de São Paulo. Os preços partem de R$ 25 mil 990 para a CPX, que tem motor de 3,5 mil W e chegam até R$ 30 mil 990, no caso da CPX Comfort, que tem motor mais forte de 4,5 mil W .

As unidades já vêm com duas baterias e serão oferecidas enquanto houver disponibilidade de estoque. Os interessados podem obter mais informações sobre as scooters elétricas e os pontos de venda por meio do site oficial da empresa: https://vendasvammo.com/vammo/.

A decisão marca a primeira investida da Vammo no varejo tradicional. Até então a empresa concentrava sua operação em contratos de assinatura, que incluem manutenção e acesso à infraestrutura própria de troca de baterias. Ao entrar no mercado consumidor a startup passa a disputar espaço com scooters a combustão e com a ainda limitada oferta de motos elétricas disponíveis para compra no Brasil.

Os consumidores finais, contudo, não terão acesso à infraestrutura de recarga da Vammo, que segue dedicada à operação de frotas.

Investimento em produção

A expansão comercial acompanha o aumento da capacidade produtiva do Grupo DBS, parceiro industrial da Vammo no Polo Industrial de Manaus. O grupo anunciou a construção de uma segunda planta industrial de 4 mil m², destinada à produção de motocicletas. A unidade atual, de 1,5 mil m², continuará dedicada à fabricação de patinetes, bicicletas e ciclomotores elétricos.

Com a expansão a expectativa é atingir a marca de 15 mil motos elétricas produzidas somente para a Vammo até o fim do ano, volume que o grupo classifica como o maior já registrado no País.

“Estamos ampliando a capacidade produtiva e contribuindo para a expansão da mobilidade elétrica no Brasil”, afirmou Ricardo Ducco, diretor de Marketing do Grupo DBS. “A expansão em Manaus e o novo plano de negócios da Vammo devem acelerar a adoção de veículos elétricos no país, tanto para uso profissional quanto para consumidores que buscam uma alternativa sustentável para a mobilidade urbana.”

Além da Vammo a DBS monta as motocicletas a combustão da marca italiana Moto Morini e de outras marcas menores de elétricas, como Aima, Bee, Wehawk, Drop e TwoDogs.

O processo de ampliação da fábrica já vem sendo feito de forma gradual ao longo do primeiro semestre, de acordo com o Grupo DBS. Já a inauguração oficial da nova fábrica está prevista para o início do segundo semestre. O número de funcionários também deve crescer, chegando a cerca de duzentos.

Motos elétricas ainda engatinham

A combinação de aumento da produção com diversificação dos canais de venda revela uma mudança importante na maturidade do mercado brasileiro de motos elétricas. Até aqui os modelos de negócio mais bem-sucedidos estiveram ligados ao uso intensivo dos veículos, especialmente por entregadores, para quem a economia com combustível e manutenção ajuda a compensar o custo inicial mais elevado.

O consumidor particular, por outro lado, ainda representa uma incógnita. Apesar do avanço dos carros eletrificados no País as motocicletas elétricas engatinham, com baixa oferta de produtos, dúvidas sobre autonomia, infraestrutura de recarga e preços superiores aos praticados para modelos equivalentes a combustão.

Em 2025 foram emplacadas 8 mil 552 motos eletrificadas, de acordo com dados da Fenabrave. Embora represente crescimento de 9,4% em comparação com 2024, 7 mil 821, ainda é um porcentual ínfimo com relação às mais de 2 milhões de motos a combustão vendidas no ano passado.

A venda direta passa a funcionar como teste da demanda por motos elétricas fora do segmento de entregas. Se os entregadores foram responsáveis por tornar economicamente viável a expansão inicial da empresa a venda direta pode indicar se existe demanda suficiente para levar as motos elétricas para além das frotas profissionais.

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