São Paulo — A eletrificação do transporte comercial brasileiro entrou em uma nova fase. Os números do primeiro semestre, entretanto, deixam claro que caminhões e ônibus vivem momentos bastante distintos.
Os dados da Fenabrave mostram que os emplacamentos de caminhões elétricos caíram 15,3% no acumulado do semestre. Foram 161 unidades licenciadas contra 190 no mesmo período de 2025. Em junho o mercado registrou onze unidades, retração de 72,5% sobre junho do ano passado, que fechou com quarenta unidades.
Os ônibus seguiram o caminho oposto. O segmento praticamente dobrou de tamanho com relação ao primeiro semestre de 2025: foram 589 emplacamentos de ônibus elétricos, alta de 89,4% ante aos 311 registrados no mesmo período do ano anterior. Em junho o mercado alcançou 278 unidades, crescimento de 717,6% na comparação com as 34 do mesmo mês do ano passado.
A diferença dos dois segmentos reflete a maturidade de cada aplicação. Nos ônibus urbanos a demanda depende principalmente das licitações municipais, que passaram a exigir veículos de baixa emissão em diversas capitais. São Paulo encabeça a maior demanda. Já o transporte de cargas ainda enfrenta obstáculos relacionados ao custo de aquisição, infraestrutura de recarga e autonomia para operações de longa distância.
Outro dado reforça esta diferença: segundo a Anfavea os veículos elétricos responderam por cerca de 1,3% dos emplacamentos de caminhões e ônibus no primeiro semestre. O diesel, entretanto, continua praticamente absoluto, com 98,2% de participação. E os veículos movidos a gás representam 0,5% das vendas.
Gás cresce, mas ainda ocupa nichos específicos
Embora receba menos atenção do que os elétricos o nicho gás natural e principalmente o biometano seguem conquistando espaço.

De janeiro a junho a Anfavea registrou 310 veículos comerciais pesados movidos a gás, contra 669 durante todo o ano de 2025. O combustível ainda responde por uma participação reduzida. Mas apresenta evolução constante, especialmente nos grandes frotistas que buscam reduzir emissões sem abrir mão da autonomia típica do diesel.
O crescimento também acompanha a expansão da oferta de caminhões dedicados a gás por Scania e Iveco além dos investimentos em produção de biometano realizados por empresas do setor sucroenergético e operadores logísticos.
Mesmo assim o ritmo permanece distante daquele observado nos elétricos, sobretudo os ônibus, que hoje contam com políticas públicas muito mais estruturadas.
Caminhões elétricos continuam concentrados em poucas aplicações
Os números da Fenabrave mostram um mercado ainda bastante restrito. A JAC liderou o segmento no acumulado do semestre, com 98 unidades e participação de 60,9%. A Foton aparece na segunda posição, seguida pela Sany e por Volkswagen Caminhões e Ônibus.
Na prática quase todas estas vendas atendem a operações urbanas, distribuição de última milha, coleta de resíduos e logística de curta distância, nas quais a autonomia limitada não compromete a produtividade.
Já aplicações rodoviárias continuam praticamente inexistentes. O alto custo das baterias e a ausência de infraestrutura de recarga em corredores logísticos impedem a expansão mais acelerada.

Ônibus consolidam eletrificação nas cidades
Nos ônibus o cenário é completamente diferente. O segmento alcançou quase 600 unidades elétricas em apenas seis meses e já representa aproximadamente 1% das vendas totais de ônibus no Brasil. Ou seja: porcentual que cresce rapidamente graças às renovações de frota do transporte coletivo. A liderança do mercado ficou com a Induscar, seguida por Mercedes-Benz, BYD e CRRC.
Ranking dos caminhões elétricos mais vendidos no primeiro semestre de 2026
- JAC – 98 unidades
- Foton – 24 unidades
- Sany – 22 unidades
- VW Caminhões e Ônibus – 9 unidades
- Nanjing – 3 unidades
- Tesla – 3 unidades
- Mercedes-Benz – 2 unidades
Ranking dos ônibus elétricos mais vendidos no primeiro semestre de 2026
- Induscar – 224 unidades
- Mercedes-Benz – 113 unidades
- BYD – 109 unidades
- CRRC – 91 unidades
- VW Caminhões e Ônibus – 20 unidades
- Higer – 15 unidades
- Marcopolo – 12 unidades
- Volvo – 4 unidades
- Agrale – 1 unidade
Fonte: Fenabrave












