Hannover, Alemanha – Um caminhão elétrico enfrentará um dos mais ambiciosos testes de longa distância já propostos pela Mercedes-Benz. A partir de 21 de setembro o caminhoneiro e influenciador alemão Tobias Wagner parte para uma volta ao mundo com um eActros 600, em uma jornada de aproximadamente 45 mil quilômetros por mais de trinta países.
O desafio inclui cerca de oitenta recargas e passagens por diferentes continentes, climas, estradas e condições de infraestrutura. O roteiro começa na Europa, avança para a China, segue para a América do Norte e América do Sul, também incluindo o Brasil.
Mais do que estabelecer uma marca de quilometragem Wagner quer transformar a viagem em uma espécie de laboratório sobre a eletrificação do transporte pesado. Ao longo do percurso ele pretende mostrar como o caminhão se comporta e, principalmente, quais são as condições necessárias para que a tecnologia possa avançar em diferentes mercados.
“Não é apenas uma aventura. É também sobre o que podemos aprender ao longo do caminho.”
45 mil quilômetros para testar a infraestrutura
A dimensão da viagem coloca a infraestrutura de recarga no centro do projeto. Afinal percorrer 45 mil quilômetros com um caminhão elétrico em diferentes partes do mundo exige muito mais do que autonomia. É preciso encontrar carregadores compatíveis, potência disponível, acesso às redes elétricas e condições para que o veículo permaneça em operação sem comprometer a logística da viagem.
Por isto Wagner considera que a experiência poderá mostrar diferenças importantes dos mercados: “Encontraremos diferentes estradas, diferentes climas e, especialmente, diferentes condições de infraestrutura”.
Neste sentido a expedição funciona como um teste em condições muito mais variadas do que aquelas encontradas normalmente em operações europeias. A viagem permitirá observar como um caminhão elétrico de longa distância enfrenta ambientes nos quais a infraestrutura de recarga ainda está em diferentes estágios de desenvolvimento.

Uma casa sobre rodas
Além do desafio tecnológico a expedição também foi pensada para testar a experiência de viver na estrada durante meses. O conjunto que acompanha Wagner conta com uma carroceria especialmente preparada como um motorhome, instalada atrás da cabine do eActros 600. O espaço funciona como uma verdadeira casa sobre rodas, com cozinha e banheiro. A área de descanso utilizada será a tradicional do caminhão.
Assim a experiência durante a viagem acontece em dois ambientes complementares. Na parte dianteira está a cabine do eActros 600, com toda a estrutura de conforto e descanso desenvolvida para o motorista de longa distância. Atrás dela o módulo habitacional amplia a estrutura e oferece recursos para que Wagner possa viver durante a expedição.
A configuração permite que o caminhoneiro cozinhe, tome banho e descanse sem depender constantemente de hotéis ou de estruturas externas. Na prática, o conjunto transforma a expedição em uma experiência contínua de vida a bordo.
Da Europa à China e aos Estados Unidos
O roteiro foi pensado justamente para colocar o eActros 600 em contato com realidades distintas. Depois de iniciar a viagem na Europa, Wagner seguirá em direção à Ásia e chegará à China. Na sequência, a expedição atravessará para a América do Norte antes de continuar pelo restante do trajeto.
A passagem pelos continentes também cria um desafio logístico adicional. O caminhão terá de ser transportado em alguns trechos, enquanto em outros seguirá rodando pelas estradas locais. Para Wagner esta diversidade é um dos pontos mais interessantes do projeto.
Afinal a eletrificação do transporte pesado não avança da mesma maneira em todos os lugares. Alguns mercados já contam com redes de recarga para caminhões e políticas mais estruturadas para a redução das emissões. Outros ainda precisam construir a infraestrutura básica para viabilizar operações elétricas de maior distância.
Brasil entra no mapa
O Brasil também está no roteiro. A passagem pelo País terá importância especial porque colocará o eActros 600 diante de uma realidade bastante diferente da europeia.
Além das condições das rodovias Wagner terá contato com outro perfil de operação, dimensões territoriais distintas e uma infraestrutura de recarga para veículos pesados ainda em desenvolvimento.
A experiência poderá ajudar a mostrar quais são os gargalos para a adoção de caminhões elétricos no mercado brasileiro, no qual as grandes distâncias e o transporte rodoviário têm papel central na economia.
Caminhão vira base móvel
Para enfrentar quase um ano de viagem o eActros 600 foi preparado para funcionar como uma espécie de base móvel de Wagner.
O caminhoneiro pretende passar longos períodos na estrada e registrar a rotina da expedição para as redes sociais. A ideia é mostrar não apenas os momentos de condução mas também as dificuldades encontradas nas recargas, as condições das estradas e as diferenças dos países.
O projeto também ganhou identidade visual própria. Para Wagner a viagem precisava ter uma apresentação à altura de uma experiência que, segundo ele, pretende fazer algo que ainda não foi feito desta maneira com um caminhão elétrico.

O que a viagem pode ensinar à indústria
Ao fim dos aproximadamente 45 mil quilômetros Wagner espera voltar com mais do que imagens e histórias. A quantidade de situações diferentes enfrentadas pelo eActros 600 poderá ajudar a identificar quais tecnologias e estruturas precisam evoluir para que a eletrificação avance em escala global.
Este talvez seja o principal valor do projeto para a indústria. Uma operação convencional mostra o desempenho do caminhão em uma determinada rota. Uma viagem ao redor do mundo coloca o veículo diante de uma combinação muito maior de variáveis.
Clima, topografia, qualidade das estradas, disponibilidade de energia, potência dos carregadores e diferentes modelos de infraestrutura passam a fazer parte do mesmo teste.
Além disto a permanência de Wagner no caminhão durante praticamente toda a expedição permitirá observar um aspecto muitas vezes menos explorado nos projetos de eletrificação: a experiência do motorista.
Conforto, espaço de descanso, autonomia, rotina de recarga e condições para passar longos períodos longe de casa também fazem parte da equação quando se fala em transporte de longa distância.
Para Wagner compartilhar essas experiências é uma forma de contribuir para a discussão sobre o futuro do transporte pesado: “Precisamos entender o que é necessário fazer para levar a eletrificação para uma escala maior”.
Um ano para responder à pergunta
A previsão é que Wagner retorne à Europa aproximadamente um ano depois da partida. Mais do que uma volta ao mundo, portanto, a expedição coloca uma questão importante para fabricantes, transportadores e fornecedores de infraestrutura sobre até onde um caminhão elétrico consegue chegar hoje e o que ainda precisa ser construído para que ele possa chegar mais longe.
É esta resposta que Tobias Wagner pretende buscar ao longo de 45 mil quilômetros de estrada. Porém tendo o próprio caminhão como veículo, casa e laboratório de uma nova era do transporte.























