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Mercado de picapes pequenas se movimenta para combater a líder Toro

Chegada de novas concorrentes pode ajudar na expansão da categoria que o modelo da Fiat ajudou a criar há 10 anos

São Paulo – Depois de liderar as vendas de picapes pequenas por uma década a Fiat Toro terá que se colocar à prova mais uma vez. O modelo que, ao lado da Renault Oroch, inaugurou uma categoria no Brasil se prepara, agora, para enfrentar novos concorrentes que buscam a fatia de mercado que se consolidou no País: o segmento posicionado das picapes compactas às médias.

Lançada oficialmente em setembro de 2015, quatro meses antes da Toro, a Oroch está se despedindo do público. A Renault, porém, não ficará sem representantes nesta briga e começará a vender a Niagara no fim do ano.

A guerra declarada à Toro terá outros personagens. A BYD lançará a Mako no último trimestre e a Volkswagen já anunciou a Tukan para o primeiro semestre de 2027. A rigor a Tukan ocupará o lugar da Saveiro, contudo suas versões mais caras e completas tentarão se sobrepor às configurações de entrada da Toro. Além delas a Toyota planeja apresentar o projeto Stout em 2027 ou 2028.

O cenário é velho conhecido da Toro. Afinal, nos últimos anos, a picape pequena da Fiat se deparou com a chegada de rivais que até o momento não representaram ameaça à sua liderança, como Ford Maverick, Ram Rampage e Chevrolet Montana.

A média de 5,7 mil unidades vendidas por mês da Toro em combinação com o desempenho imbatível da Strada no segmento de picapes compactas justificam porque a Fiat detém 46% de participação dos comerciais leves no acumulado de janeiro a agosto, segundo ranking da Anfavea.

Picapes monobloco não repetirão SUVs

“Difícil prever se todas as picapes monobloco novas vingarão, mas é provável que os veículos das marcas que compõem a Stellantis percam território”, disse Cássio Pagliarini, diretor de marketing da consultoria automotiva Brigth Consulting. “Com o aumento de ofertas esta categoria tende a aumentar.”

Apesar da previsão otimista ele acredita que a curva de crescimento das picapes pequenas é limitada e não repetirá, por exemplo, o fenômeno dos SUVs, que hoje representam 48% das vendas de automóveis no país: “As picapes saltarão de 17% para 19%, no máximo”.   

Para Frederico Battaglia, chefe das marcas Fiat e Abarth para a América do Sul, todo mercado possui limites naturais de expansão: “O crescimento sustentável dependerá de fatores como condições econômicas, oferta de crédito, renovação tecnológica e confiança do consumidor”.

Das picapes monobloco prestes a estrear no mercado brasileiro Pagliarini destacou Niagara e Stout: “A Renault conhece bem o mercado devido à Oroch e agora contará com um modelo bem mais bonito e moderno. Já a Toyota construiu sólida reputação no segmento de veículos comerciais com a Hilux”. Ele também elogiou a veterana líder de mercado: “A Toro é competente e estilosa e se atualizou com motorização híbrida”.  

Fiat enxergou melhor o mercado

Quando a Oroch foi lançada Pagliarini trabalhava na Renault. Ele se recorda que defendia o desenvolvimento de uma picape monobloco mais evoluída, com motor diesel e tração nas quatro rodas: “Não adianta fazer picape sem agregar valor. A Oroch foi evolucionária, mas não revolucionária”.

A julgar pelas trajetórias de Toro e Oroch, a Fiat soube interpretar o mercado com mais eficiência. De acordo com Battaglia a picape pequena da marca nasceu de uma leitura precisa das necessidades do consumidor brasileiro.

“Identificamos uma lacuna no meio das picapes compactas e médias tradicionais e desenvolvemos um produto que se encaixava com o desejo de aliar robustez, tecnologia, sofisticação e versatilidade.” 

Uma das razões para o sucesso da Toro é a de se manter atualizada, acompanhando as demandas do cliente: “Na última década ela trouxe inovações tecnológicas, como central multimídia vertical, conectividade avançada, assistentes de condução, frenagem autônoma e controle de estabilidade”.  

Ao projetar a chegada de novas adversárias, Battaglia salientou que o mercado de picapes pequenas continuará sendo um dos mais dinâmicos da indústria automotiva brasileira: “Elas deixaram de ser destinadas exclusivamente para o trabalho e passaram a exercer múltiplas funções na vida das pessoas. Por isso os próximos lançamentos elevarão o nível de competitividade e veremos veículos com mais tecnologia embarcada, soluções de motorização inovadoras e ofertas para perfis diversificados”.  

Ponto de inflexão

Fabrice Cambolive, CEO da Renault Brand, vai pelo mesmo caminho: “Embora estejam fortemente associadas a atividades profissionais as picapes monobloco avançam gradativamente para outras áreas. Atualmente são usadas principalmente como veículo particular. Refletindo esta tendência os clientes vêm buscando conforto, tecnologias embarcadas e qualidade, sem comprometer a capacidade de carga e a vocação off-road.”

BYD Mako

“Fiat Toro e Renault Oroch criaram um nicho, mas quem se encaixou bem nele foi a Toro. Isto despertou a atenção de outras marcas”, afirmou Milad Kalume Neto, diretor executivo da K. Lume Consultoria Automobilística. “A Strada mostrou que a Fiat sabe trabalhar muito bem com picapes, com portfólio versátil dedicado ao trabalho e à família.”

Apesar do anunciado lançamento da BYD Mako, Kalume acredita que os fabricanres chinesas estão observando o segmento de picapes monobloco ainda com certo distanciamento: “Mas não estão quietos. Quando eles entrarem mais fortemente neste nicho o mercado vai se movimentar muito mais do que agora”.   

Este ponto de inflexão, no entender de Kalume, “não acontecerá o mês que vem mas não demorará tanto para acontecer”. Quando chegar este momento a líder Toro certamente terá que se reiventar mais uma vez para seguir soberana no segmento de picapes monobloco que ela ajudou a criar.

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