São Paulo – Lançada oficialmente na cidade de São Paulo em janeiro de 2022, a faixa azul destinada ao tráfego de motocicletas reduziu até dezembro do ano passado 26,6% a taxa de severidade de acidentes envolvendo motos, de acordo com o Segundo Relatório Consolidado da Faixa Azul, elaborado pela CET, Companhia de Engenharia de Tráfego.
O levantamento levou em conta 233,3 quilômetros de extensão da faixa azul distribuídos em 46 trechos de 36 vias na Capital. A taxa de severidade é indicador técnico usado para medir a incidência e a gravidade das ocorrências de trânsito.
Ela considera pesos diferentes para sinistros com feridos e mortes e relaciona os dados ao volume de veículos, ao período analisado e à extensão do trecho. Segundo o relatório da CET a taxa média foi de 2,5 acidentes na faixa azul contra 23,9 nas demais pistas. Ou seja: a incidência e a gravidade de sinistros fora do limite criado para as motos são 9,5 vezes maiores.
Com o objetivo de ampliar a segurança dos motociclistas e reduzir ainda mais o índice de acidentes a Azul Seguros anunciou o início de campanha educacional para incentivar o uso da faixa azul.
Velocidade média das motos caiu
Alinhada com a CET a ação estreou em 25 de setembro, Dia Nacional do Trânsito, com conteúdos dirigidos a motociclistas e motoristas, além de informações e orientações sobre a faixa azul e a importância da convivência pacífica nas ruas da cidade.
Os dados da CET também revelaram o comportamento positivo de motociclistas e motoristas de automóveis nas vias com a sinalização. Com a adoção da faixa azul a velocidade média das motos caiu 5,5%, passando de 54 km/h para 51,1 km/h. Nos pontos próximos a radares o desrespeito ao limite imposto pela lei teve queda de 44,2% para 27,6%.
A participação da Azul na campanha faz parte da relação da empresa seguradora com a mobilidade. A proposta é estimular o motociclista a usar o espaço estabelecido pela faixa azul a fim de reforçar o cuidado com a segurança.
“Conhecemos muito bem os impactos que acidentes podem causar na vida das pessoas e acreditamos que nosso trabalho começa antes que eles aconteçam”, afirmou Patrícia Chacón, CEO da Porto Seguro. “As mensagens apoiando a utilização da faixa azul fortalecem a preocupação com a segurança do motociclista e contribui com informação, prevenção e conscientização na construção de um trânsito mais seguro para todos.”
Faixa azul em outras cidades
O relatório da CET aponta outros resultados importantes. Dos motociclistas entrevistados 91,9% aprovaram a faixa azul e 93,9% disseram que a sinalização melhorou o convívio no trânsito. Do lado dos motoristas 86,4% avaliaram a pista exclusiva como boa ou ótima.
A avaliação positiva vem ao encontro do levantamento realizado pelo instituto de pesquisas Datafolha, em julho passado, com moradores da cidade de São Paulo: 75% dos entrevistados elogiaram a iniciativa.
Depois de estrear em São Paulo a faixa azul se espalhou em outras cidades dentro e fora do Estado, como Santo André, São Vicente, Osasco, Fortaleza, CE, Belo Horizonte, MG, e Recife, PE. Expansões estão previstas: a meta da Prefeitura paulistana é chegar a 400 quilômetros até 2028.
Apesar do relatório da CET a faixa azul não está imune às críticas. Estudos da USP, Universidade de São Paulo, mostram que a sinalização gerou aumento de quase 11% do fluxo de motocicletas nas vias, com o consequente aumento de 15,6% no número de vítimas não fatais.
Além disto a sensação de pista livre fez com que 96% dos motociclistas trafegassem acima do limite de 50 km/h na faixa azul. O excesso de velocidade, destaca a USP, pode dobrar as possibilidades de acidentes fatais em cruzamentos, onde os carros precisam cortar a pista das motos para fazer conversões.























