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VW reposiciona 18.320 para surfar nova lógica do mercado de ônibus

Chassi 4x2 já conhecido da Volkswagen ganha protagonismo diante da busca por menor custo de aquisição e operação no fretamento e no transporte rodoviário de curta e média distância
Volksbus 18.320
Fotos: Andrea Ramos

São Paulo — O mercado brasileiro de ônibus está mudando a régua de compra e a Volkswagen Caminhões e Ônibus encontrou, dentro do próprio portfólio, uma resposta para esta transformação. Já existente na linha da marca o chassi Volksbus 18.320 passa a ganhar relevância justamente quando operadores de fretamento e de transporte rodoviário de curta e média distância buscam reduzir custos sem abrir mão de atributos importantes para a operação.

A lógica não é lançar um novo produto, mas mostrar que um chassi já disponível se encaixa em uma demanda que está crescendo. Ou seja, produtos mais racionais, dimensionados para a aplicação e com menor TCO, custo total de propriedade.

“O cliente quer o produto que ele tem hoje, só que em um custo mais barato. Isso é low cost, não low price”, resumiu Ricardo Alouche, vice-presidente de vendas, marketing pós-vendas da VW Caminhões e Ônibus.

A diferença dos dois conceitos é justamente o ponto central do plano. A VW não pretende transformar o 18.320 em uma versão “depenada” para chegar a um preço menor. Ao contrário, a fabricante aposta em uma configuração dimensionada para aquilo que o operador realmente precisa.

Mercado mudou a conta do ônibus

A mudança vem em um momento particularmente delicado para o mercado rodoviário. Juros elevados, inadimplência e menor capacidade de investimento pressionam as empresas. Enquanto isto a competição aumenta e novos fabricantes, principalmente chineses, entram no mercado brasileiro.

Ao mesmo tempo a idade elevada das frotas mantém a necessidade de renovação. No fretamento, por exemplo, operadores precisam atender exigências de idade média estabelecidas em contratos e, em muitos casos, já ultrapassam esses limites.

Portanto existe uma contradição no mercado. O cliente precisa renovar mas encontra um ambiente financeiro pouco favorável para comprar. É justamente aí que produtos de menor custo podem ganhar espaço.

Para Alouche o operador não olha apenas para o preço de aquisição. A conta considera consumo, manutenção, disponibilidade e valor de revenda. No fim é o TCO que determina se o veículo realmente custa menos.

O 18.320 já estava pronto para essa realidade

O 18.320 se encaixa nesta lógica porque foi concebido para uma aplicação específica. Ou seja: curtas e médias distâncias. O chassi 4×2 utiliza motor MWM de 9 litros, com 320 cv e 122,4 mkgf de torque, associado exclusivamente à transmissão automática ZF de oito velocidades.

A engenharia da Volkswagen destaca justamente o conjunto como um dos principais atributos para reduzir o custo operacional. A transmissão já equipa outros modelos da marca. E, segundo a fabricante, apresenta potencial de economia de combustível de até 10% em determinadas aplicações.

Volksbus 18.320
Modelo tem conjunto conhecido no mercado, como motor MWM de 9 litros e caixa automática ZF

Além disto o modelo utiliza suspensão pneumática integral, com suspensão nos eixos dianteiro e traseiro. O sistema melhora o conforto para passageiros e motoristas e atende à proposta de um veículo para operações nas quais a qualidade de rodagem continua sendo um requisito.

O pacote de segurança também permanece completo, com ABS, EBD e sistemas de segurança ativa.

Assim a Volkswagen tenta deixar clara a diferença de baixo custo para preço baixo. O primeiro procura reduzir o custo da solução. O segundo simplesmente reduz o preço, muitas vezes cortando conteúdo.

Até 14 metros e 50 passageiros

O 18.320 pode receber carrocerias de até 14m e transportar até 50 passageiros, dependendo da configuração.

A Volkswagen já possui homologação para carrocerias dos principais encarroçadores. Como a Roma R6, da Mascarello, a G8 1050, da Marcopolo, a Campione, da Comil, e a NB1, da Busscar.

O chassi sai de fábrica com entre-eixos de 3 mil mm. A partir daí o encarroçador realiza a adequação conforme o comprimento da carroceria. Em uma configuração de 14m, por exemplo, o entre-eixos pode chegar a 8,1 mil mm.

Além disto a capacidade de combustível também permite adaptação à operação. A Volkswagen libera inicialmente tanque de 200 litros para movimentação, mas o encarroçador pode instalar reservatórios maiores conforme a configuração final. A engenharia cita aplicações com 500 litros e casos de até 700 litros, dependendo do peso e do projeto. O tanque de Arla 32 tem 35 litros.

Fretamento é onde a conta fecha

O plano geral ganha especial importância no fretamento. A Volkswagen afirma deter cerca de 45% dos emplacamentos do segmento, depois de avançar aproximadamente 5 pontos porcentuais.

No mercado rodoviário a participação está em torno de 15%, com crescimento de 3 a 4 quatro pontos porcentuais.

A fabricante atribui parte deste avanço ao posicionamento de seus produtos para operações de curta e média distância. Neste cenário o 18.320 ganha importância porque permite disputar um mercado no qual o operador não necessariamente precisa de um chassi de maior capacidade e potência.

Um novo papel para produtos que já existem

Seja como for a Volkswagen está olhando para o portfólio com uma lógica diferente. Em vez de necessariamente desenvolver um produto novo para cada movimento do mercado, a fabricante também pode reposicionar soluções existentes quando a demanda passa a valorizar seus atributos.

No caso do 18.320 a combinação de motor de 9 litros, 320 cv, transmissão automática, suspensão pneumática e configuração 4×2 conversa diretamente com o operador que busca um ônibus adequado para médias distâncias sem carregar o custo de uma solução superdimensionada.

O objetivo, porém, não é competir apenas pelo menor preço. A equação continua sendo a mesma: quanto o ônibus custa para comprar, quanto custa para operar e quanto vale quando sair da frota.

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