São Paulo — Dirigir um caminhão semileve no trânsito de São Paulo e Campinas é um bom teste para avaliar o quanto a tecnologia realmente facilita a rotina. E o Aumark S 315 AMT passa bem por este desafio. A combinação de transmissão automatizada, posição de condução e ampla área envidraçada contribui para uma experiência que prioriza a facilidade de operação.
O principal responsável por isto é o câmbio automatizado. A transmissão 5AU408 TO é da Foton e utiliza tecnologia ZF. O conjunto tem cinco marchas à frente e uma à ré.
As relações de transmissão variam de 5,76:1 na primeira marcha a 0,78:1 na quinta. A quarta marcha tem relação direta, de 1:1, enquanto a quinta funciona como sobremarcha. Na prática esta configuração permite combinar força nas marchas mais reduzidas com uma relação mais longa para os deslocamentos em velocidade de cruzeiro.
O resultado é uma condução mais tranquila, com menos intervenções e menor esforço ao longo do dia.
Além disto o motor Cummins F2.5 gera 150 cv a 2,9 mil rpm e 40,8 mkgf de torque, disponíveis de 1,2 mil e 2,5 mil rpm. Com quatro cilindros em linha, 2 mil 498 cm³ de cilindrada e injeção eletrônica common rail o propulsor concentra o torque máximo em uma faixa ampla de rotações. Esta característica favorece a condução em baixa rotação e combina com a proposta do caminhão.
Consumo de 9,6 km/l
No percurso de aproximadamente 250 quilômetros, de São Paulo a Campinas e em trechos urbanos, o Aumark S 315 AMT registrou 9,6 km/l, sempre com o veículo vazio.

O número serve como referência da avaliação, e não como promessa de consumo. Afinal, trânsito, topografia, velocidade e carga interferem diretamente no resultado.
Ainda assim o dado mostra que o conjunto formado pelo motor de 2,5 litros e pela transmissão automatizada pode garantir uma operação eficiente nas condições avaliadas.
O ponto que poderia ser melhor
Porém nem tudo é tão simples quanto parece. O caminhão conta com assistente de partida em rampa, o HSA, mas o motorista precisa acionar o sistema manualmente por meio de um botão localizado próximo à caixa de transmissão.
É um detalhe pequeno, mas perceptível durante a condução. Em um veículo que justamente aposta na facilidade de operação, faria mais sentido que o recurso entrasse em funcionamento automaticamente quando a eletrônica identificasse uma partida em aclive.
A Foton coloca o HSA como equipamento de série do Aumark S 315 AMT, ao lado de ABS, controle eletrônico de estabilidade ESC e controle de tração ASR. O sistema funciona, mas exige do motorista mais uma ação. Para um caminhão pensado para operações urbanas e distribuição, cada comando adicional que puder ser automatizado ajuda a simplificar a rotina.
Suspensão e freios seguem configuração convencional
Na suspensão o Aumark S 315 AMT utiliza feixes de molas parabólicas nos dois eixos. Na dianteira são três lâminas, enquanto a traseira conta com cinco lâminas principais e outras duas auxiliares.
O conjunto traz ainda amortecedores hidráulicos telescópicos de dupla ação e barras estabilizadoras dianteira e traseira. As molas sustentam o veículo e absorvem parte das irregularidades do piso e os amortecedores controlam os movimentos da suspensão. Já as barras estabilizadoras ajudam a limitar a inclinação lateral da carroceria em curvas.
Essa configuração atende à proposta de um caminhão dedicado ao transporte de mercadorias. Mas o comportamento dinâmico depende também da distribuição da carga, das condições da via e do tipo de carroceria instalada.

O eixo traseiro tem capacidade técnica de 4,5mil kg. As rodas são de aço, de 16 polegadas, e utilizam pneus 205/75 R16 com classificação 10PR.
Nos freios a Foton combina discos nas rodas dianteiras e tambores nas traseiras, com acionamento a ar. O sistema inclui ABS, ASR e ESC. O freio de estacionamento utiliza molas acumuladoras, enquanto a lista de equipamentos também prevê acionamento eletrônico do freio de estacionamento.
Visibilidade é um dos destaques
Se o câmbio é um dos principais argumentos tecnológicos a cabine ganha pontos pela facilidade de enxergar o entorno. A ampla área envidraçada proporciona boa visibilidade dianteira e lateral e coloca o motorista em uma posição privilegiada para acompanhar o trânsito.
Este é um atributo importante em um caminhão que pode passar boa parte do dia em centros urbanos. No meio de carros, motos, pedestres e manobras frequentes, enxergar bem não é apenas uma questão de conforto mas, também, de segurança e produtividade.
O conforto também aparece no banco do motorista com suspensão pneumática, no ar-condicionado automático e no volante multifuncional. O painel utiliza tela de cristal líquido de 7 polegadas.
Na versão Plu, a Foton amplia este pacote com câmara 360°, câmara de ré, alerta de ponto cego, monitoramento de fadiga, retrovisores elétricos com função antiembaçamento e sistema de monitoramento da pressão dos pneus, conhecido pela sigla TPMS. A configuração também acrescenta uma central multimídia de 10,25 polegadas.
Dimensões e capacidade de carga
O Aumark S 315 AMT tem duas configurações de chassi, com diferenças que influenciam a instalação da carroceria e a aplicação do veículo.
A versão curta mede 5m38 de comprimento total, com entre-eixos de 2m80. Já a versão longa chega a 5m96 com entre-eixos de 3m36. O comprimento da plataforma de carga varia de 3m61 a 4m17, respectivamente.
O PBT legal é de 3,5mil kg e o PBT técnico chega a 4,8 mil kg. A capacidade de carga útil mais carroceria é de 1 mil 160 kg na versão curta e de 1 mil 130 kg na longa.
Esta diferença merece atenção na hora da compra. O peso da carroceria e dos equipamentos instalados interfere diretamente na carga disponível para transportar mercadorias. Além disto o limite legal de PBT continua sendo 3,5 mil kg, mesmo que a capacidade técnica do veículo seja maior.
O tanque de combustível tem capacidade para 80 litros na versão curta e 120 litros na longa. Ambas utilizam reservatório de 14 litros para Arla 32.
Para quem roda na distribuição

Com PBT legal de 3,5 mil kg e capacidade de carga útil mais carroceria de até 1 mil 160 kg na configuração curta o Aumark S 315 AMT mira operações que precisam de um caminhão compacto mas que não abrem mão de recursos de conforto e segurança.
Por isto o modelo faz sentido principalmente para distribuição urbana e operações que combinam cidade com trechos rodoviários de curta distância. A escolha pelas versões deve considerar o comprimento necessário para a carroceria, o peso dos equipamentos e a carga efetivamente transportada.
Veredito ao volante
O Aumark S 315 AMT acerta em atributos importantes para um caminhão de distribuição. É confortável, oferece boa visibilidade e reduz o esforço do motorista com a transmissão automatizada. O motor Cummins de 2,5 litros, a suspensão com molas parabólicas nos dois eixos e o conjunto de freios com sistemas eletrônicos de assistência completam o pacote técnico.
O acionamento manual do assistente de partida em rampa, por sua vez, representa uma oportunidade de evolução para tornar a operação ainda mais intuitiva.
No balanço o Aumark representa uma experiência de condução coerente com a proposta de um caminhão leve moderno. Traz menos esforço para dirigir, boa visibilidade e um pacote tecnológico que vai além do básico, enquanto as duas opções de chassi permitem adequar o veículo a diferentes necessidades de distribuição.























