São Paulo — A JAC Motors ampliou seu portfólio de caminhões elétricos no Brasil com dois lançamentos principalmente para a distribuição urbana e para operações de última milha. O destaque é o EJT 9.5 ER, modelo de 9,5 toneladas de PBT, peso bruto total, que recebeu melhorias na arquitetura de propulsão e na construção do veículo para aumentar a capacidade de transporte e o aproveitamento energético.
Além dele a fabricante apresentou o EJT 3.5, caminhão de menor porte desenvolvido para atender operações urbanas que exigem agilidade nas entregas e maior volume de carga.
Os lançamentos reforçam a aposta da empresa em segmentos nos quais a eletrificação apresenta condições mais favoráveis de retorno econômico, na avaliação de Sérgio Habib, presidente do Grupo SHC, representante da JAC Motors no Brasil.
Para ele a experiência acumulada pela marca, desde a chegada dos primeiros caminhões elétricos ao mercado brasileiro, ajuda a identificar as aplicações nas quais a tecnologia oferece vantagens concretas.
EJT 9.5 ER ganha capacidade de carga e novo conjunto de tração
A principal evolução do EJT 9.5 ER está na combinação de redução de peso com a nova arquitetura de propulsão. A JAC conseguiu retirar aproximadamente 350 kg do peso próprio do caminhão, que agora registra 2 mil 990 kg. Como o PBT permanece em 9,5 mil kg a capacidade de carga útil passou a 6 mil 510 kg antes da instalação da carroceria ou implemento.
O ganho representa aproximadamente 5% com relação à capacidade anterior. Na prática a mudança permite transportar mais mercadorias sem alterar a categoria do veículo ou seu limite de peso bruto.
Além disto o modelo estreia um conjunto de propulsão elétrica integrado ao eixo traseiro, o e-Axle. A solução dispensa o eixo cardã e reduz o número de componentes intermediários da transmissão. Com menos elementos mecânicos do motor para as rodas o sistema diminui perdas de energia e simplifica a manutenção.
O motor síncrono de ímãs permanentes gera 245 cv de potência máxima, 180 kW, e torque de 56,1 kgfm, 550 Nm. A rotação nominal chega a 4,8 mil rpm, enquanto a máxima alcança 12 mil rpm. A velocidade máxima é de 110 km/h e a capacidade de rampa, com o veículo em PBT máximo, chega a 25%.
O conjunto ainda conta com frenagem regenerativa e modo ECO, recursos que contribuem para o gerenciamento do consumo de energia durante a operação.
Bateria CATL oferece autonomia de 200 km
Na configuração apresentada o EJT 9.5 ER utiliza bateria LFP, fosfato de ferro-lítio, fornecida pela CATL, com capacidade de 100,46 kWh e tensão de acordo com o conjunto elétrico do veículo. O pacote pesa 642 kg e fica instalado no meio das longarinas do chassi.

A autonomia informada pela fabricante é de 200 quilômetros com o caminhão carregado até o PBT de 9,5 mil kg. A partir desta relação o consumo de referência fica próximo de 0,50 kWh por quilômetro rodado. Naturalmente o resultado efetivo depende de fatores como carga transportada, topografia, trânsito, temperatura e estilo de condução.
Para recarga o modelo utiliza conector CCS2. Em corrente alternada AC aceita potência de até 11 kW. Já em corrente contínua DC a potência chega a 75 kW.
De acordo com os dados técnicos da JAC a recarga de 20% a 100% demora aproximadamente 7 horas em corrente alternada e 1 hora em corrente contínua.
Chassi permite diferentes configurações
Com 6 metros de comprimento, 2m100 de largura e 2m345 de altura o EJT 9.5 ER oferece entre-eixos de 3 mil 365 mm. O chassi permite receber diferentes tipos de carroceria e implementos desde que respeitados os limites de peso e distribuição de carga.
A suspensão dianteira e traseira utiliza feixes de molas e amortecedores de dupla ação. O caminhão também conta com pneus 215/75 R17.5, freios pneumáticos com discos nos dois eixos, freio de estacionamento eletromecânico e direção elétrica.
Na cabine a JAC reuniu equipamentos de segurança e conforto, como duplo airbag frontal, ABS, assistente de partida em rampa, monitoramento da pressão dos pneus, câmara 360 graus e sensores de estacionamento. O pacote inclui ainda painel LCD, central multimídia com Apple CarPlay e Android Auto, ar-condicionado e volante multifuncional com controle de cruzeiro.
As primeiras entregas do EJT 9.5 ER estão previstas para janeiro de 2027.
EJT 3.5 busca entregas urbanas e última milha
O segundo lançamento é o EJT 3.5, caminhão elétrico de 3,5 toneladas principalmente com vocação para operações de distribuição urbana de última milha. A proposta é atender empresas que precisam transportar mercadorias volumosas em rotas concentradas, com paradas frequentes e circulação em regiões de maior restrição ao tráfego. A vantagem é que o modelo pode ser conduzido por motoristas com CNH categoria B.
O EJT 3.5 oferece autonomia de 250 quilômetros, capacidade de carga útil próxima de 1,7 mil kg e volume de carga de 8 m³ até 15 m³, conforme a configuração da carroceria.
Uma das aplicações já confirmadas é a operação do Mercado Livre. Segundo Habib a JAC recebeu um pedido firme de trezentas unidades do modelo para atender às atividades de distribuição da empresa. Cerca de duzentas destas unidades já foram entregues.
Nesse tipo de operação o caminhão percorre trajetos urbanos, realiza diversas entregas e retorna à base, o que favorece o planejamento das recargas e o aproveitamento da infraestrutura instalada nas próprias empresas.
Habib defende eletrificação onde a conta fecha
Apesar do avanço dos lançamentos Sérgio Habib pondera que a eletrificação não apresenta a mesma viabilidade econômica em todas as categorias de caminhões. Para ele o preço de aquisição e a utilização diária do veículo determinam o retorno do investimento.
O executivo chama atenção para o aumento expressivo do custo das baterias conforme cresce o porte do veículo. Por isto a diferença de preço com relação a um caminhão a diesel pode comprometer a economia obtida durante a operação.
Na avaliação de Habib os modelos leves e semileves oferecem condições mais favoráveis porque conseguem combinar investimento inicial mais competitivo, menor consumo energético e rotas urbanas previsíveis.
Todavia, nos caminhões de maior porte, a conta exige quilometragens muito elevadas. Como exemplo ele citou o segmento de 18 toneladas, no qual a viabilidade pode depender de operações que percorrem de 500 km a 600 km por dia, com infraestrutura de recarga disponível ao longo do trajeto.
“Precisa olhar onde a conta fecha”, disse o executivo sobre o avanço da tecnologia.
Além do preço de aquisição Habib destacou a manutenção como componente importante da equação. A ausência de itens tradicionais do conjunto de transmissão, como embreagem e eixo cardã, reduz a quantidade de componentes sujeitos a desgaste.
Por outro lado, a implantação de uma operação elétrica exige planejamento da infraestrutura. A fabricante conta com mais de 120 oficinas credenciadas terceirizadas no Brasil, a maior parte da Bosch Service, para oferecer apoio aos clientes.
Assim, com os novos EJT 9.5 ER e EJT 3.5, a JAC concentra sua expansão em aplicações nas quais a autonomia atende à rotina operacional. No ano que vem a JAC Motors deverá trazer seu primeiro cavalo-mecânico elétrico. A intenção, segundo Habib, é oferecer o modelo para atuar em rotas rodoviárias fixas, como de fábricas a centros de distribuição, por exemplo.























