São Paulo – Há oito meses Ebru Semizer assumiu a diretoria de marketing da Hyundai do Brasil. Nascida na Turquia, e vivendo há quinze anos no Brasil teve uma passagem pelos caminhões da Mercedes-Benz e hoje assina as decisões de uma das montadoras mais relevantes do País, que escolheu o esporte como eixo central de sua comunicação.
A aposta não é nova, mas ganhou capítulo inédito na temporada 2026 com a Copa Hyundai HB20: a criação da primeira categoria feminina da competição, a principal monomarca do automobilismo nacional. A executiva não fala em números de investimentos, apenas que cada piloto ou pilota tem um gasto próprio em torno de R$ 280 mil por temporada – custo para cobrir despesas com a equipe, combustível, pneus e logística dos carros.
Os modelos HB20 vêm equipados com motor 1.6 exclusivo para competição, de 160 cv de potência com câmbio automático com paddle shift, conjunto que é capaz de levá-lo a 200 km/h. Eles são produzidos em Piracicaba, SP, em lote único.
A Copa Hyundai HB20 está na oitava temporada. São mais de dez corridas no calendário e quarenta carros no grid. A etapa de Interlagos, realizada em maio, marcou a metade do campeonato e a estreia das sete pilotas no principal autódromo da América Latina.
As jovens pilotas correram pela primeira vez em Interlagos, justamente no autódromo que, para o automobilismo brasileiro, tem o peso simbólico que poucos palcos do esporte conseguem carregar.
A coincidência de assumir o cargo em um momento em que essas iniciativas tomavam forma não foi casual. Para Semizer foi o tipo de encontro de valores pessoais com visão corporativa que descreve como essencial para qualquer movimento consistente de marca.
Conversamos com a diretora de marketing da Hyundai do Brasil durante os preparativos do evento, em Interlagos.
A senhora chegou à Hyundai há oito meses. A categoria feminina já estava sendo discutida quando assumiu?
Sim. Quando cheguei as iniciativas já estavam sendo debatidas internamente. Como recém-chegada você não chega dando palpite e aprovando decisões assim. Eu sou mais de observar primeiro. Então estou muito feliz com o fato de as bases já existirem. Acho que a minha contribuição é apoiar na construção: como isto não será apenas a exibição de um logotipo? Como ir além de um simples patrocínio, da iniciativa para um legado? O que a marca pode fazer para transformar isso em exemplos, em inspiração? É neste sentido que tenho contribuído. E a equipe inteira está muito engajada tanto com o futebol feminino quanto com a categoria feminina na Copa HB20.
A Hyundai também anunciou patrocínio ao futebol feminino. Como este movimento se conecta à estratégia da marca?
Anunciamos em fevereiro o patrocínio para a Copa do Brasil, o Brasileirão e a Supercopa feminina. Igual aqui: precisamos de talentos, inspiração e exemplos no futebol feminino. É uma outra paixão brasileira, tem emoção, tem conexão humana, genuína. A Hyundai já é muito forte no território do futebol globalmente. Somos parceiros da Fifa desde 1999, quando começamos com a Copa do Mundo. Continuamos em 2002 e desde então não paramos. Com a Copa do Mundo Feminina chegando ao Brasil em 2027 fazia sentido perguntar: por que não fazer nossa parte também no futebol feminino?
A categoria feminina da Copa HB20 tem pontuação separada ou as pilotas competem diretamente com os homens?
Elas têm uma pontuação própria, mas correm a mesma corrida e estão incluídas na classificação geral da categoria Super. Não está separado em nada que importa: é a mesma pista, o mesmo regulamento, os mesmos carros. A pontuação feminina existe para incentivar o talento, para que se forme uma campeã. Mas elas competem dentro do geral. A Manu Clauset, por exemplo, está em segundo na categoria Super. A Mika Peixoto em quarto. Não é uma vitrine paralela, é a mesma competição.
A senhora vinha do marketing de caminhões, na Mercedes-Benz. Como foi a transição para o universo de automóveis de passeio e o contato com esse tipo de iniciativa?
O importante era a união dos meus valores e os da empresa. E deu certo: a visão da Hyundai é progresso para a humanidade. Globalmente a marca trabalha com isto. Quando você vê o tamanho da empresa e coloca isto nas ações do dia a dia tudo faz sentido. Mobilidade, robótica, tecnologia. É um lugar onde existe espaço para inovação, e inovação dentro da Hyundai não é só produto. A categoria feminina na Copa monomarca é uma inovação. É a primeira vez no mundo em que isto acontece nesse formato. Então estou muito feliz com a escolha que fiz.
O que diria que já é a sua marca dentro da Hyundai nestes oito meses?
Acho que é colocar o cliente no centro, com emoção e conexão genuína. A gente fez, por exemplo, uma ação de test drive: as pessoas participavam e concorriam a uma viagem para Nova York para assistir a um jogo do Brasil. Estas experiências para o consumidor não têm preço. Eu consigo vivenciar isto todos os dias e em todas as ações. Esta abertura para ideias novas, para o novo, é muito boa.