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Chinesa Sany montará caminhões na antiga Mercedes-Benz até o fim do ano

Plano é contratar de quatrocentos a setecentos funcionáriosem Campinas assim que a fábrica estiver em operação, em novembro
Sany Caminhão Extrapesado Elétrico _ Foto Andrea Ramos

São Paulo – O galpão onde funcionou o Centro de Distribuição de Peças da Mercedes-Benz, em Campinas, SP, de 1979 a 2024, a partir deste ano abrigará a linha de montagem de caminhões e máquinas pesadas da chinesa Sany. O investimento ainda não foi divulgado e a ideia é que os veículos comecem a sair dali ainda este ano, até novembro.

Foi o que contou à Agência AutoData o diretor de vendas e marketing de caminhões da Sany, Dieter Martin Lommer: “Estamos trabalhando a passos largos para produzir unidades até novembro, inclusive com a montagem de algumas unidades piloto”.

Embora a Sany já importe máquinas pesadas há quase duas décadas, a estreia dos seus caminhões no Brasil se deu em fevereiro, com o início das atividades da divisão de modelos extrapesados desenvolvidos para operações severas de transporte rodoviário. 25 unidades made in China já foram vendidas desde então para empresas do setor sucroalcooleiro, mineração, transporte de porto e agronegócio, com valor médio de R$ 1,7 milhão.

O foco da fábrica, que realizará a montagem em CKD, se concentrará em caminhões elétricos mas, segundo Lommer, haverá a possibilidade de serem montados também veículos a diesel: “O grupo está tirando as licenças necessárias para ambas as matrizes energéticas”.

Enquanto isto o espaço que outrora pertenceu à Mercedes-Benz – onde, a propósito, o executivo trabalhou por 25 anos –, foi alugado e está sendo adequado para abrigar a fábrica. “Já fizemos duas cabeças de chave para testar a viabilidade. Montamos dois modelos em forma de tryout, ou seja, mantido como no original, um caminhão dumper, com caçamba, e um cavalo elétrico 588 Composite. Porém, primeiro temos de montar a parte estrutural da linha.”

Quanto à mão de obra a Sany está em fase de contratação e, segundo Lommer, a intenção é que, com a fábrica pronta para operar, sejam admitidos de quatrocentos a setecentos funcionários em um primeiro momento. De acordo com Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região uma reunião com a empresa é esperada para ocorrer nos próximos dias a fim de tomarem pé da situação acerca da geração de emprego.

Sany busca a liderança em pesados elétricos

Lommer afirmou que a empresa tem como objetivo ocupar posição de liderança de vendas no segmento de veículos pesados a bateria: “Isto é algo factível, sim, mas alcançar números que incomodem o mercado a diesel é algo mais trabalhoso e que demandará algum tempo”.

Para ganhar fatia de mercado o plano da Sany é testar os caminhões no maior número possível de operações antes de começar a vender, além de promover estrutura de recarga em grandes corredores rodoviários.

O executivo ainda não divulga a capacidade de montagem da unidade em Campinas ao justificar que será preciso verificar a tração do produto no mercado nacional. “Mas, em uma segunda fase do projeto, pretendemos exportar os veículos para toda a América Latina”.

Azul é a cor mais limpa

Ao afirmar que a “onda azul” está se espalhando pelo mundo e chegando ao Brasil, Lommer refere-se à cor típica do caminhão elétrico da Sany, em um tom de azul celeste, que indica sua motorização. A escolha não se dá à toa uma vez que ela vem sendo utilizada em veículos elétricos ou tecnológicos para transmitir a ideia de sustentabilidade, modernidade e energia limpa. Os caminhões a diesel da marca, por exemplo, são tradicionalmente brancos.

Lommer deixou claro, no entanto, que se o cliente desejar que o veículo tenha outra cor, como a de sua empresa, é possível customizar lotes do tom escolhido.

Sany tem matriz brasileira em Jacareí

A Sany está estabelecida em Jacareí, SP, onde existe armazém logístico e estão alocadas as áreas de vendas e de pós-vendas, toda a parte comercial e administrativa. Há ainda um escritório em São José dos Campos, SP. Desde 2007 a empresa comercializa máquinas pesadas no País. 

O galpão em Campinas está sendo alugado, assim como durante os 45 anos em que foi ocupado pela Mercedes-Benz. Quando a montadora inaugurou o espaço, a propósito, havia ali uma linha de produção de ônibus completa. A partir do momento em que optou por focar nos chassis em detrimento do encarroçamento a operação foi transferida para São Bernardo do Campo, SP.

E, após decidir por fechar a unidade de Campinas, mais uma vez migrou à matriz no ABC Paulista a atividade de pós-vendas e outras funções administrativas, enquanto que a linha de remanufatura de peças e o CD foram terceirizados para o parceiro Penske Logistics em Itupeva, SP.

marcopolo - volare

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