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Cadeia de Autopeças de Cajuru obtém recursos da SP Produz e cria ferramentaria

Programa da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado repassa recurso de R$ 750 mil a cadeias locais estabelecidas. Edital de R$ 30 milhões está aberto.

São Paulo – Frente à falta de mão de obra qualificada, a forte concorrência com produtos importados, principalmente da China, e à necessidade de se modernizar e aprimorar processos tanto para sobreviver como para reduzir custos e ampliar as vendas, empresas relacionadas ao setor de autopeças, muitas com mais de seis décadas de história, decidiram organizar-se e unir forças em busca de investimento coletivo que trouxesse benefícios a toda a cadeia da pequena Cajuru, cidade de 25 mil habitantes situada na região de Ribeirão Preto, SP.

Três anos atrás a Associação Comercial e Empresarial do município assumiu a dianteira e começou a organizar desde fazendas de seringueiras, fabricantes de autopeças, comércios e distribuidoras de itens automotivos até oficinas mecânicas, totalizando sessenta participantes, para estabelecer uma CPL, Cadeia Produtiva Local, assim reconhecida pelo governo do Estado em 2025.

A chancela é fruto do programa SP Produz, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, que visa fomentar o desenvolvimento e o fortalecimento de cadeias produtivas de forma descentralizada, a fim de estimular a economia em diversas regiões do Estado e reduzir a dependência externa. Hoje há 194 CPLs de diversos setores formalizadas em 16 regiões administrativas de São Paulo, sendo duas delas de autopeças e quatro de metalmecânica.

Reconhecida como uma CPL madura, ou seja, que já está estabelecida há algum tempo, a Autopeças Cajuru então desenhou projeto no valor de R$ 750 mil e pleiteou recursos em edital para adquirir maquinário e passar a produzir localmente peças que até então vinham de fora, refletindo em custo elevado e, muitas vezes, prazos a perder de vista.

À Agência AutoData a gerente executiva da CPL, Geisa Nicolau, contou que os recursos liberados em abril permitiram criar dentro de uma das empresas mais antigas do grupo, a MPS, fabricante de peças para máquinas, uma ferramentaria coletiva, a partir da aquisição de fresadora e torno para iniciar a produção de itens que, até então, não eram feitos ali.

Exemplo é a fabricação de componentes em poliacetal. “Antes, essas peças eram compradas prontas de um fornecedor localizado em outra região, o que gerava custos elevados com frete, maior prazo de entrega e dependência de terceiros”, afirmou. “Com a aquisição de máquinas por meio do projeto da CPL, a empresa passou a fabricar internamente os moldes e dispositivos utilizados no processo produtivo, aplicados na máquina injetora.”

Desta forma, a MPS passou a adquirir apenas a matéria-prima e produzir os componentes na própria empresa, reduzindo despesas logísticas, diminuindo o tempo de produção, aumentando a autonomia e garantindo maior controle sobre a qualidade dos produtos.

Cursos para qualificar a mão de obra

Com relação a outra dor da região, a falta de mão de obra qualificada, Nicolau contou que empresários líderes estão participando de cursos do Sebrae e, a partir de setembro, carreta escola do Senai aportará na cidade para oferecer cursos de 40h a 160h de auxiliar mecânico, auxiliar de manutenção, eletricista automotivo, leitura e interpretação de desenho e lubrificação, dentre outros, para os funcionários de empresas da cadeia e também para a população em geral que tiver interesse de participar, de forma gratuita.

“Hoje a cadeia toda gera mais de 2 mil empregos e temos a expectativa de criar mais 250 vagas até o fim do projeto, que tem duração de dois anos”. 

Além da modernização tecnológica, capacitação de trabalhadores, fortalecimento da governança e preparação das empresas para acessar novos mercados, incluindo a eletromobilidade, será estabelecida ação de sustentabilidade. Parceria com a empresa Ecolive dispôs tambores para a coleta de resíduos como óleo, filtros, graxas, solvente, discos, materiais perigosos, EPIs e borrachas, nas oficinas mecânicas. Mensalmente o material é recolhido e destinado adequadamente. “A meta é recolher 35 toneladas em 24 meses.”

Novo edital oferece R$ 30 milhões

CPLs já reconhecidas pelo SP Produz podem pleitear recursos do novo edital que oferece um total de R$ 30 milhões a fundo perdido com incrições até 27 de julho. Os valores variam conforme o nível de maturidade da cadeia, de R$ 250 mil a R$ 750 mil.

“O objetivo é fortalecer cadeias produtivas locais e ofertar serviços para auxiliar no desenvolvimento e crescimento das empresas, a fim de torná-las mais eficientes e elevar o valor agregado das cadeias”, assinalou a subsecretária de Competitividade e Desenvolvimento Econômico Regional da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Júlia da Motta. “Temos sete eixos, além dos já mencionados pela CPL Autopeças Cajuru, há também o apoio para montar laboratório de pesquisas e inovação.”

Júlia da Motta. Foto: Divulgação.

Motta citou que há a possibilidade de o projeto superar o valor solicitado, e então o SP Produz entra como verba complementar, cabendo à CPL buscar outras fontes de recursos. Ressaltou ainda que, como forma de controle, a iniciativa exige prestação de contas a fim de atestar o uso idôneo do dinheiro.

A novidade desta edição é a categoria inovação industrial, que pode ser aplicada por CPLs consolidadas e maduras. Serão contempladas cinco iniciativas, no valor de R$ 1 milhão cada. 

Para aglomerados de empresas que desejam ser reconhecidos como CPLs o prazo é 14 de setembro. Conforme a subsecretária não é preciso que as participantes estejam na mesma cidade, há casos em que iniciativas de municípios limítrofes podem se unir.

As inscrições devem ser realizadas pela Plataforma SP Produz, disponível em www.spproduz.sp.gov.br. “Tudo é feito de forma online, mas temos também plantões de dúvidas e lives a fim de orientar melhor os interessados.”

CPL em Atibaia busca aprovar fomento

A segunda CPL do setor a participar da iniciativa, a Autopeças Atibaia, foi reconhecida no ano passado como em desenvolvimento, mas ainda não teve fomento aprovado. Conforme Motta, embora já conte com governança estruturada e estabelecida, está em fase de fortalecimento da articulação e da ampliação dos elos da cadeia, como empresas, instituições de apoio, pesquisa e demais parceiros. Trata-se de etapa inicial de organização e consolidação, com foco em desenvolver a competitividade, a cooperação e o impacto econômico regional.

Além delas, existem outras quatro do segmento metalmecânico, que podem contribuir ao setor automotivo: CPL Metalmecânica de São Joaquim da Barra, Aglomerado Produtivo Local de Metalmecânica de Monte Azul Paulista, CPL Metalmecânica de Limeira e CPL Metalmecânica de Sorocaba e Região.

Criado em 2024, o programa já ofereceu, em seu primeiro edital, R$ 65 milhões. Ao todo oitenta projetos foram aprovados, tendo sido concedidos R$ 41 milhões.

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