São Paulo — A indústria de máquinas e equipamentos do Brasil encerrou o primeiro semestre de 2026 com queda de 13,8% Os dados são da Abimaq, Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, que justificou a queda como reflexo da retração da demanda doméstica, do impacto dos juros elevados e do avanço das importações, que já respondem por 47,7% do consumo nacional.
A receita líquida de vendas registrou queda acumulada de 13,6% no primeiro semestre.
De acordo com a entidade o mercado interno continua sendo o principal fator de pressão sobre a indústria de máquinas. As vendas domésticas recuaram 17% no acumulado do semestre, movimento atribuído principalmente à política monetária restritiva. Os juros elevados elevaram o custo do crédito, reduziram a viabilidade de novos investimentos e adiaram projetos de modernização do parque industrial.
Comércio exterior
No comércio exterior as exportações mantiveram desempenho positivo. Em junho os embarques cresceram 3,4% com relação ao mesmo mês do ano passado, totalizando US$ 1 bilhão. No acumulado do semestre a alta chegou a 12,7%, impulsionada principalmente pelas vendas de componentes e de máquinas destinadas aos segmentos de construção, infraestrutura e agricultura. Ainda assim a valorização de cerca de 10,5% do real frente ao dólar reduziu o impacto positivo sobre o faturamento em moeda nacional.
Já as importações seguiram em expansão mesmo em cenário de retração do mercado doméstico. As compras externas cresceram 9,9% em junho na comparação anual e 3,9% no acumulado de janeiro a junho, atingindo US$ 2,8 bilhões no mês. Como consequência os equipamentos importados passaram a representar 47,7% do consumo nacional de máquinas e equipamentos no semestre, participação 2,1 pontos percentuais superior à observada um ano antes.
A China foi o principal vetor deste avanço. As importações provenientes de lá cresceram 15,9% no semestre e as compras dos demais mercados recuaram 1,8%. O crescimento concentrou-se em segmentos como logística, construção civil, máquinas agrícolas e equipamentos para a indústria de transformação, ampliando a pressão competitiva sobre os fabricantes nacionais.
Os indicadores antecedentes apresentaram comportamento misto. A utilização da capacidade instalada recuou ligeiramente para 78% e a carteira de pedidos avançou para 9,7 semanas, puxada principalmente por projetos ligados à infraestrutura e à indústria de base. No mercado de trabalho o setor registrou leve alta de 0,1% no emprego em junho, atingindo 416,6 mil trabalhadores, mas ainda contabiliza cerca de 3,8 mil postos a menos do que no mesmo período do ano passado.
Na avaliação da Abimaq os resultados de junho ainda não caracterizam uma retomada consistente da atividade: “A entidade afirma que uma recuperação mais robusta dependerá da redução do custo do capital, da melhora do ambiente macroeconômico, do fortalecimento da confiança empresarial e da adoção de medidas capazes de ampliar a competitividade da indústria nacional diante do avanço dos fornecedores estrangeiros”.


















