Sorocaba, SP — A demanda por robôs pelas empresas fabricantes de veículos e fornecedores do setor automotivo brasileiro caiu 29% de janeiro a julho, com relação ao mesmo período do ano passado. O balanço é da ABB Robotics, que tem no setor 50% de seus negocios no Brasil.
A queda na demanda por equipamentos novos também está relacionada à existência de uma base instalada de robôs ociosos. Segundo Wagner Anai, gerente regional de projetos automotivos da ABB Robotics, a empresa tem reaproveitado estes equipamentos em novos projetos: “Temos ajudado os fornecedores a serem competitivos também também justamente com o reuso de robôs”.
O processo envolve a atualização de equipamentos que ficaram defasados e a aplicação em novas células de produção. O projeto reduz a necessidade de compra de máquinas novas e ajuda fornecedores de autopeças a diminuir custos.
Segundo a empresa chegam cerca de dez a quinze robôs por mês para fazer a manutenção. Além disto o preço do retrofit é de 40% a 60% do valor de um robô novo.
Segundo Anai este movimento foi importante para a ABB ampliar a atuação mesmo com a queda de demanda por robÔs novos. A empresa também passou a atender mais fornecedores da cadeia, com projetos menores e em maior quantidade: “Então temos muito mais projetos, muito mais alocação, só que também estamos ajudando muito mais clientes”.

Eletrificação
A transição para veículos eletrificados é outra frente de crescimento para a automação. A ABB já possui tecnologia para processos de produção de baterias e participa de projetos relacionados a veículos elétricos e híbridos.
O avanço, porém, ainda ocorre principalmente por meio das operações chinesas da companhia. Segundo Rodrigo Bueno, diretor da ABB Robotics, as montadoras chinesas que estão chegando ao Brasil têm levado fornecedores e equipamentos da China para os novos projetos: “Estamos perdendo esse mercado para os fabricantes chineses”.
Um dos exemplos é a BYD. A ABB China forneceu cerca de duzentos robôs IRB5500 de pintura para projetos da montadora no Brasil em Camaçari, BA. Segundo Bueno a operação brasileira participa da instalação e presta serviços, mas os robôs vieram da China. A operação brasileira vendeu cerca de US$ 1 milhão em serviços, mão de obra e atividades relacionadas ao projeto.
A expectativa é ampliar a participação no pós-venda, com manutenção e fornecimento de peças depois do início da produção: “Depois que a linha começar a produzir venderei serviços, manutenção, peças. Aí, sim, terei uma visibilidade boa”.

A mesma dinâmica ocorre com outras montadoras chinesas. Segundo Bueno os novos projetos chegam ao Brasil mas os fornecedores locais ficam de fora.
Para o executivo este cenário pode mudar conforme as operações brasileiras amadureçam: “Pode ser que daqui a dois, três anos eles entendam que precisam de soluções locais”.
Apesar do avanço dos eletrificados a ABB também continua atendendo projetos com motores a combustão e híbridos. Segundo Wagner Anai a demanda por aplicações para motores convencionais também aumentou.























