São Paulo – A Volkswagen Caminhões e Ônibus anunciou sua estreia no ramo de veículos comerciais leves com vans de carga a diesel, a princípio, a partir de veículos fabricados em colaboração com a SAIC Motor, na China. Esta parceria, segundo o CEO Roberto Cortes, foi fundamental para que o projeto saísse do papel. E mais parcerias podem estar a caminho.
A diretoria da empresa analisa as possibilidades e realiza estudos para regionalizar a produção do veículo. Não está descartada uma outra parceria, com outra empresa, a fim de unir forças, acelerar o processo e escapar do imposto de importação que a partir de janeiro de 2027 volta a ser cobrado em sua integralidade, em 35%.
Este é o motivo para que “o mais rápido possível” torne-se realidade para a segunda fase do projeto de veículos comerciais da marca envolvendo a localização da plataforma de produção. Ainda que inicialmente via montagem de kits CKD e SKD. Segundo o executivo a regionalização seguramente ocorrerá até 2030, antes que termine o novo ciclo de investimentos da VW Caminhões e Ônibus que ainda nem foi anunciado, do qual os R$ 300 milhões injetados para desenvolver o produto fazem parte.
Cortes não descarta uma nova linha em Resende, RJ, nem uma nova fábrica em outro local. “Eventualmente podemos produzir fora do Brasil. Somos regionais, não podemos excluir a Argentina”, assinalou, ao completar que Uruguai também é uma opção – vale lembrar que é de lá que saem as Ford Transit e os veículos da Stellantis. E da indústria argentina a Mercedes-Benz Sprinter.
“Estamos conversando com Estados, cidades e com quem já tem o produto, se tem interesse.”
Conforme o CEO, se a VW Caminhões e Ônibus fosse desenvolver 100% sozinha este projeto, ele “seria mais caro e demoraria muito mais. Com a SAIC, saímos de um plataforma de engenharia que já existia, nós incorporamos 250 alterações para adaptar o veículo ao nosso mercado. Por isto o investimento é basicamente nosso”.
Sem parceria valor do veículo poderia dobrar
Ricardo Alouche, vice-presidente de vendas marketing e pós-vendas da Volkswagen Caminhões e Ônibus, complementou que se o projeto nascesse do zero, em vez de dois anos, considerando que teve início em 2025, demoraria até oito ou nove anos. Isto refletiria, inclusive, no preço do veículo, podendo custar mais que o dobro do valor.
“Investindo muito mais teríamos de diluir isto no custo do produto para pagá-lo. Aí o cliente não compraria. Esta foi a forma, portanto, que encontramos para ajustar a equação com o DNA Volkswagen e praticar um preço bastante competitivo”, afirmou Alouche, ao indicar que valores serão divulgados durante a Fenatran 2026, em novembro, quando o veículo será lançado.
O vice-presidente justificou como motivador à entrada no segmento de utilitários o crescimento em torno de 15% nos últimos três anos da demanda de veículos para atender ao e-commerce e à distribuição urbana. “Nós avaliamos trazer o alemão Volkswagen Crafter nos últimos quinze anos, mas o aporte seria elevado e, o custo ao consumidor, também.”
Perguntado sobre concorrência dentro de casa com o Delivery Express e eventual canibalização, Alouche disse que enxerga ambos como complementares. “Quem compra o Express precisa de um veículo com chassi, da robustez de um caminhão para transportar carga mais densa com o conforto de um automóvel. Quem não tem essa necessidade pode comprar a van. Ou seja, não que ela tenha menos qualidade, mas ela é monobloco. Então, para determinadas operações atende perfeitamente.”
Por enquanto ainda não foram anunciados testes em clientes, mas este é o próximo passo. No médio prazo, em torno de três anos, a marca projeta abocanhar fatia de 20% de um mercado estimado em 50 mil unidades/ano.























