São Paulo – A aguardada tensa reunião do Conselho de Supervisão para discutir o plano de reestruturação do Grupo Volkswagen foi, na verdade, um grande consenso. Após diversos atores trabalharem nos bastidores para apaziguar os ânimos e chegar a uma solução que pudesse desatar o nó do futuro da companhia, o encontro foi antecipado em um dia e o plano do CEO Oliver Blume aprovado por unanimidade, com apoio de trabalhadores, acionistas e do governo.
O planejamento de cortes de empregos continua: são 100 mil no total, o dobro do que já estava programado. Não foram especificados em quais localidades, mas é na Europa, especialmente na Alemanha, que existe excesso de capacidade de produção – estimada em 500 mil unidades pela própria Volkswagen.
Representantes dos trabalhadores procuraram atenuar o impacto das demissões, afirmando a agências de notícias internacionais que os 50 mil são uma estimativa derivada da meta de atingir margem de 9% até 2030, e que poderá ser menos se o desempenho for melhor. No segundo trimestre a margem do Grupo VW foi de 4,2%.
Fábricas seguem em risco
A Volkswagen admite que não existe garantia de competitividade futura para as fábricas de Emden, Zwickau, Hannover e Neckarsulm após 2031. Desta forma, em nota, afirmou que “estão sendo avaliadas utilizações alternativas” para as unidades.
Desta forma elas acabam entrando na mira de outras fabricantes, especialmente chinesas que planejam industrializar seus modelos em solo europeu. Parcerias com outros fabricantes e até eventuais compradores de fora da indústria automotiva não estão descartados.
Simplificação do portfólio
Até 2035 o grupo reduzirá pela metade a complexidade de seu portfólio e em 75% a variedade de sua oferta. Serão priorizados modelos que se destaquem em design e tecnologia. O objetivo é alcançar mais volume por modelo, gerando economia de escala e reduzindo custos.
O Grupo traçou como meta vender 9 milhões de veículos por ano e alcançar margem operacional de 9% até 2030. Corresponde a resultado operacional de cerca de 31 bilhões de euros. A companhia planeja também investir 135 bilhões de euros em pesquisa e desenvolvimento.























