Porto Feliz, SP – Ao caminhar pelos corredores apertados das linhas de montagem de motores da Toyota no DVR Business Park, a poucos quilômetros da fábrica em reconstrução em Porto Feliz, a reportagem da Agência AutoData ficou ainda mais surpresa com a agilidade e velocidade da montadora diante da tragédia que destruiu a unidade, há exatamente um ano.
Antes de descer às linhas e ver de perto os processos altamente automatizados da produção do motor 1.5 flex que equipa o Yaris Cross vendido no mercado brasileiro, a reportagem conversou com Gilberto Paulino Júnior, o diretor da fábrica de motores. E o responsável por encontrar aquele galpão que parece ter sido feito sob medida para o que Toyota precisava naquele momento difícil.
Quatro dias depois do acidente, que não deixou nenhuma vítima fatal ou gravemente ferida, e enquanto outras frentes negociavam com sindicatos, governo e trabalhadores o que seria feito enquanto não houvesse produção, o diretor já esboçava em um papel o layout da nova fábrica.
“Já tínhamos uma ideia de como recomeçar a produzir o motor 1.5, que era a necessidade mais urgente”, contou o executivo ao relembrar todo o difícil processo. Era urgente porque um motor 1.5 com injeção direta era exclusividade do novo Yaris Cross, que seria lançado em poucos dias – mas teve seu calendário postergado por causa da tragédia. “O motor 2.0 do Corolla Cross e do Corolla e o 1.5 com injeção indireta, que seria usado para exportação, era produzido em outras unidades”.
O primeiro passo foi distribuir a produção destes motores para outras unidades da Toyota, no Japão e na Indonésia. A diretoria bateu na porta do governo e conseguiu licença temporária de importação, sem impostos, do produto. Assim, em novembro, voltaram a ser produzidos o SUV e o sedã em Sorocaba, SP, em sua versão híbrida, com o motor 1.8 que já era importado. Depois começaram a chegar os 2.0 da Ásia.
Em paralelo Paulino Jr trabalhou para estruturar as linhas de produção transferidas da fábrica de Porto Feliz para o DVR Business Park. Foi autorizada a locação de todo o galpão, ainda que pudesse ter sido feito em módulos. “Desta forma conseguiríamos produzir tanto o 1.5 como o 2.0 no DVR, além de ter espaço para a logística e escritórios”.




No meio do caminho a matriz descartou o retorno da produção do 2.0: como não havia similar, o 1.5 seria feito lá, mas as máquinas do motor do Corolla e Corolla Cross não seriam ligadas. Estão lá no galpão, guardadas.
Em janeiro, pouco mais de quatro meses depois do acidente, a Toyota montou o primeiro motor 1.5 do Yaris Cross, que foi lançado algumas semanas depois. O diretor destacou o tempo recorde e as dificuldades que surgiram, como a falta de energia elétrica:
“O condomínio era novo, tinha sido inaugurado há pouco tempo. Então não tinha ligação elétrica que precisávamos. Fomos atrás da distribuidora, que nos ajudou e instalamos em tempo recorde uma subestação para a nossa operação”.
A retomada parcial de Porto Feliz foi feita na terça-feira, 22 de setembro – um ano depois do acidente. A fundição, que estava sendo feita no Japão, voltou a operar, após a reconstrução total da área. Os fornos são novos, bem como as estruturas metálicas e, naturalmente, as telhas. 150 trabalhadores estão de volta à fábrica, que agora fornece os blocos e cabeçotes para o DVR.
Paulino Jr disse que são produzidos diariamente 400 motores na instalação provisória, que equipam as versões híbridas flex e flex do Yaris Cross. Era o mesmo volume previsto na planta antiga. Lá também são recebidos e enviados para o Exterior os componentes do sistema flex do motor 2.0, que retornam junto com ele montado.
O próximo passo será a retomada da montagem dos motores 2.0, por uma questão lógica: como as máquinas estão paradas a transferência poderá ser feita sem perder o ritmo, pois os carros que saem de Sorocaba são equipados com motores importados. A ideia é que seja retomada no início de 2028.
O passo seguinte, ainda sem prazo definido, é voltar a produzir tudo na fábrica original. Para isto será preciso resolver outra equação: como manter a produção do Yaris Cross enquanto os equipamentos são transferidos. Paulino Jr, naturalmente, tem algumas soluções em mente. Mas não contou para a reportagem.























