Hannover, Alemanha — A DAF já está nos preparativos do próximo capítulo de sua operação brasileira. Embora ainda não estabeleça prazo para a chegada das novas cabines e tecnologias, apresentadas durante a IAA para a Europa, a empresa já trabalha na tropicalização de produtos do portfólio europeu para atender às condições do mercado nacional.
Segundo Luís Gambim, diretor comercial da DAF Caminhões, o trabalho envolve um projeto de longo prazo, com testes e avaliações para adaptar os veículos às características brasileiras.
“Tudo o que vocês estão vendo aqui é o futuro do Brasil”, afirmou Gambim a AutoData Mobility no estante da marca, em Hannover, Alemanha. A declaração resume a ideia da companhia para os próximos anos. Mas não significa uma transferência imediata do portfólio europeu para o País.
Tropicalização exige projeto de longo prazo
A DAF precisa adaptar produtos desenvolvidos para o mercado europeu às condições brasileiras. O que envolve desde calibrações até componentes e especificações adequadas às operações locais. Por isto alguns caminhões com cabines europeias estão sendo vistos em rodovias brasileiras, todos em testes de engenharia.
Gambim evita estabelecer uma data para a chegada das novas cabines. A empresa também avalia a possibilidade de promover mudanças graduais no portfólio antes de uma eventual entrada de modelos como o XG.
Hoje a operação brasileira trabalha principalmente com a cabine XF. Na Europa a DAF dispõe de família mais ampla, que inclui XF, XG e XG+, além das versões vocacionais da linha XDC.
O executivo, porém, indicou que o plano para o Brasil não depende apenas da chegada de uma nova geração de cabine. Enquanto o projeto avança a empresa pretende preencher lacunas do portfólio atual.
Mais caminhões antes da eletrificação
A expansão do portfólio aparece como uma das principais prioridades da DAF no Brasil. Gambim afirmou que a empresa ainda tem dever de casa a fazer antes de concentrar investimentos em caminhões eletrificados. O motivo está nas condições estruturais do País: “Enquanto, no Brasil, não tivermos legislação e infraestrutura capacitadas para receber caminhão elétrico para nós isto seria apenas distração”.
Desta forma a DAF pretende direcionar recursos para segmentos nos quais identifica oportunidades concretas de crescimento. Em outras palavras o projeto concentra esforços nos segmentos de vocacionais e semipesados. Inclui ampliar combinações de entre-eixos, relações de transmissão e configurações para operações específicas. Betoneiras, basculantes, coleta de resíduos, transporte de bebidas e outras aplicações são segmentos avaliados.
A companhia também acaba de ampliar sua operação no segmento de distribuição com o CF Urbano, equipado com motor de 7 litros e 260 cv.
CF Urbano busca fatia que faltava à DAF
O novo caminhão representa uma tentativa de aumentar a competitividade da marca em uma faixa na qual ainda não tinha uma oferta tão agressiva.
De acordo com Gambim a DAF trabalhou com fornecedores para rever componentes e reduzir custos do produto. “Não tínhamos um custo competitivo”.
O CF Urbano foi desenvolvido para operações de curta e média distância e chega com proposta de preço competitivo diante dos principais concorrentes do segmento.
A empresa pretende apresentar o modelo na Fenatran, como plano mais amplo de ampliar a presença em nichos.
Gás e biometano continuam no radar
A eletrificação não é a única alternativa de motorização avaliada pela DAF. O executivo reconhece que gás, biometano e biodiesel podem fazer mais sentido para determinadas aplicações brasileiras. O gás, entretanto, ainda não tem prazo definido para chegar ao mercado.
Gambim afirmou que a DAF considera a possibilidade de utilizar motor da própria Paccar em uma futura solução alternativa. A disposição da DAF é avançar primeiro nas oportunidades mais próximas do mercado. Enquanto amplia o portfólio convencional a empresa mantém as tecnologias de menor emissão no radar para uma segunda etapa.
Vocacional é prioridade
A expansão dos vocacionais também atende a uma característica específica do mercado brasileiro. Aplicações como madeira, cana-de-açúcar, mineração e construção exigem configurações diferentes das utilizadas no transporte rodoviário. A DAF já opera com caminhões para cana, madeira e caçamba e pretende acrescentar novas aplicações: “Vocacional é onde queremos ampliar bastante”.

Neste sentido a marca lançou o CF 6×4 Construção Betoneira. O modelo foi desenvolvido e testado em parceria com a Bennter em condições reais de operação. E combina o motor Paccar PX-7 de 6,7 litros, com 308 cv e 1,2 mil Nm de torque, com foco em robustez, economia, conforto e desempenho em diferentes terrenos.
Com isto a DAF pretende reduzir a dependência de um portfólio concentrado no transporte rodoviário e aumentar sua participação em segmentos nos quais identifica espaço para crescimento.
A companhia atualmente alcança participação de 13,5% a 14% no segmento de caminhões rodoviários acima de 16 toneladas com a linha XF, segundo Gambim. Agora a meta é levar esta presença para outras operações.























