Setenta anos de Mercedes-Benz no Brasil representam também sete décadas de construção de uma cadeia automotiva que cresceu, ganhou tecnologia e se tornou cada vez mais exigente. Em parte importante dessa trajetória, está a relação com fornecedores capazes de acompanhar essa evolução. Para a RIO, que está celebrando 80 anos em 2026, essa história começou há três décadas — e justamente com um desafio.
Os primeiros contatos ocorreram em 1993. A RIO buscava fornecer componentes que já faziam parte da capacidade produtiva da empresa. Substituir fornecedores de peças internas de motor, porém, exigia processos de homologação complexos.
A oportunidade surgiu por outro caminho. A empresa foi desafiada a desenvolver um componente de difícil fabricação. A equipe técnica da RIO aceitou o projeto e aquele produto abriu a porta para uma relação que ganharia importância crescente nos anos seguintes.

Cerca de quatro a cinco anos depois, a parceria avançou para componentes de maior representatividade, incluindo peças internas de motores e outros componentes. Algumas homologações exigiram testes realizados na Alemanha e levaram anos até a aprovação definitiva. O resultado desse processo foi um salto no volume de negócios.
Mas permanecer fornecedor durante quase 30 anos, talvez, seja um desafio ainda maior do que conquistar o primeiro contrato.
Nesse período, mudaram veículos, motores, processos produtivos e tecnologias. Mudaram também as exigências impostas à cadeia de fornecimento. Qualidade e desempenho de entregas passaram a dividir espaço com indicadores de saúde financeira, relações comerciais e, mais recentemente, ESG e compliance.
A própria complexidade industrial da Mercedes-Benz acrescenta outro componente a essa equação. A grande variedade de veículos e motores produzidos exige capacidade para responder rapidamente às alterações das programações eletrônicas de entrega, os EDIs (Intercâmbio Eletrônico de Dados). Para a RIO, adaptar produção e logística a essas oscilações tornou- se parte da rotina da parceria.

Dois momentos ajudam a dimensionar essa evolução. O primeiro foi justamente a entrada no fornecimento de componentes internos de motores e de peças externas de maior valor agregado. Mais recentemente, outro passo foi dado com o início do fornecimento de componentes fundidos em aço destinados aos ônibus Mercedes-Benz.
Nos 70 anos da Mercedes-Benz no Brasil e aos 80 anos da RIO, as duas empresas carregam histórias próprias de transformação. Há três décadas, porém, parte dessas trajetórias segue em paralelo.
Porque relações industriais duradouras não sobrevivem apenas pelo tempo. Confiança é fundamental, mas precisa ser sustentada todos os dias por qualidade, tecnologia, competitividade e capacidade de adaptação. É assim que uma parceria atravessa gerações.























