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Para a Renault Geely localização é fator de competitividade no Brasil

Elliud Estrada, da Renault Geely, apontou avanço dos importados, eletrificação e novos concorrentes como fatores que elevaram a complexidade da localização de componentes
Elliud Estrada, gerente de projetos de compras da Renault-Geely do Brasil, durante o Seminário de Manufatura Automotiva, promovido pela AEA

São Paulo — A mudança no perfil do mercado brasileiro de veículos aumentou a complexidade dos programas de localização. Eles passaram a envolver não apenas custo mas também tecnologia, fornecedores, risco e velocidade de desenvolvimento. Essa foi a avaliação de Elliud Estrada, gerente de projetos de compras da Renault Geely do Brasil, durante o Seminário de Manufatura Automotiva, promovido pela AEA.

Estrada destacou que a participação de veículos importados no mercado brasileiro passou de 9% para 18% nos últimos cinco anos. No mesmo período os SUVs chegaram a representar 48% das vendas e os eletrificados avançaram de 35 mil unidades anuais para 224 mil. Do volume atual de eletrificados 61% são importados e 39% produzidos localmente.

A presença chinesa também ganhou espaço. Segundo os dados apresentados por Estrada as marcas chinesas representavam menos de 1% do mercado brasileiro em 2019, chegaram a 10% em agosto de 2025 e alcançaram 15% de janeiro a abril deste ano.

Mas para o executivo a mudança não está restrita à origem dos veículos. O consumidor também passou a considerar outros atributos na decisão de compra. Na pesquisa apresentada qualidade apareceu para 65% dos consumidores, desempenho para 56% e preço para 44%. Além disso 76% consideram o ecossistema veicular tão importante quanto ou mais importante que o smartphone.

“Se analisarmos o que está acontecendo no mercado, todos os concorrentes que estão chegando, o produto como está evoluindo, e inclusive o que o cliente está querendo, tudo leva a uma só palavra: competitividade.”

Estrada destacou que a eletrificação, a conectividade e a maior velocidade de lançamentos aumentaram a complexidade para localizar componentes no País. A industrialização, segundo ele, começa com a validação do mercado por meio de veículos importados e avança para a montagem local e a integração de fornecedores e componentes. Deste modo a exportação pode ampliar a escala regional.

“Depois disto localizamos, industrializamos com peças e com componentes importados. E aqui é onde está o ponto importante: como integramos os fornecedores.”

Na sua avaliação a integração de componentes precisa considerar não apenas a possibilidade de produção local mas, também, sua competitividade e sustentabilidade. A localização, segundo ele, deve levar em conta cinco fatores: competitividade, tecnologia, cadeia, risco e timing.

Integração e capacidades

Neste processo compras passa a ter função integradora das diferentes áreas da montadora com os fornecedores: “Temos esta missão de orquestrar todas as funções e todas as áreas para garantir uma boa estratégia de localização e de poder utilizar todas as ferramentas que temos para aproveitar todas as oportunidades”.

Estrada também propôs que a decisão de localização não seja baseada exclusivamente no custo. Para ele é necessário considerar as capacidades existentes no País e a possibilidade de desenvolvê-las. A ampliação da produção local, neste contexto, depende da capacidade de integrar fornecedores, tecnologia e demais áreas da indústria para reduzir riscos e ganhar escala.

“A competitividade é o custo e é bem importante, mas as capacidades que a gente tem no País também são importantes para colocar junto e conseguir o objetivo final.”

Por fim, para Estrada, a localização deixou de ser uma decisão isolada de compras e passou a fazer parte da estratégia industrial das montadoras: “O desafio é muito grande e a oportunidade de fortalecer a indústria brasileira também”.

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