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Estudo com concessionários aponta perda de rentabilidade em marcas tradicionais

Peugeot, Nissan e Citroën registram as maiores quedas em avaliação sobre retorno financeiro e a valorização das redes. A Audi permanece na última posição.

São Paulo – Anualmente a Fenabrave realiza com seus associados uma ampla pesquisa, que visa avaliar diversos aspectos do negócio, sobretudo sua capacidade de gerar resultados positivos à atividade do varejo automotivo. O objetivo é identificar seus pontos fortes e direcionar ações específicas para o aprimoramento do negócio e da parceria com a marca à qual representa.

A Agência AutoData teve acesso à trigésima edição do estudo conduzido exclusivamente junto aos empresários. Dentre as várias questões relacionadas ao negócio, e considerando todas as marcas representadas por revendedores no País, há preocupações. Por exemplo: concessionários de automóveis e comerciais leves avaliaram o retorno financeiro e a valorização de seus negócios em 2026, e algumas redes concentraram as maiores quedas.

Nestes dois quesitos, retorno financeiro e valorização do negócio, Audi, Jaguar Land Rover e GM, com a grife Chevrolet, tiveram as avaliações mais baixas. A Audi ficou em último lugar em ambos.

As respostas foram dadas em sua maioria pelos titulares das empresas. As questões fazem com que o concessionário olhe para o seu próprio desempenho do ponto de vista financeiro e de valor do negócio. Nos dois a média do segmento recuou com relação a 2025. A Audi, que já estava na parte inferior da tabela no ano anterior, teve forte descolamento da média.

Os representantes das marcas Jaguar Land Rover e Chevrolet também deram às marcas as últimas colocações nos dois itens.

No crescimento do valor da concessionária o trio formado por Audi, Jaguar Land Rover e Chevrolet ocupou as três últimas posições em 2025 e em 2026 teve a companhia da Peugeot.

Avaliação geral

Considerando a pontuação atribuída para o conjunto das respostas, as maiores quedas foram de Peugeot e Nissan. A Peugeot teve o maior recuo na avaliação sobre o valor da concessionária e passou a ter a segunda pior avaliação de retorno financeiro. A Nissan teve a maior queda sobre o retorno financeiro e uma das maiores no valor da concessionária, e saiu de uma posição acima da média para a parte inferior da tabela. A Citroën também teve um dos maiores recuos sobre o crescimento do valor do negócio para seu concessionário.

Toyota, BMW e Ford formavam o grupo que tiveram as respostas mais positivas para os dois quesitos em 2025. Em 2026 nenhuma das três foi uma das cinco primeiras. A Toyota caiu para o décimo lugar nas duas questões, com uma das maiores quedas quando ao crescimento do valor da concessionária. A BMW teve um dos maiores recuos sobre o retorno financeiro. A Ford ficou em sexto lugar em ambos.

Outras marcas passaram de uma posição acima da média para abaixo da linha de referência, que foi de 63 pontos em 2025 e de 58,1 este ano quando a pergunta queria saber sobre o retorno financeiro. A média para a questão de sobre se o valor da concessionária cresceu nos últimos doze meses foi de 64,9 em 2025 para 57,6 pontos este ano.

Em síntese: no geral os donos das concessionárias de todas as marcas perceberam que, de alguma maneira, seu negócio se deteriorou nos últimos doze meses. Acompanhe alguns exemplos:

  • Hyundai e Suzuki estavam acima da média nos dois quesitos em 2025 e ficaram abaixo em 2026
  • Ram/Jeep ficou abaixo da média no crescimento do valor da concessionária
  • Mitsubishi, que era uma das primeiras quanto ao valor da concessionária no ano anterior, recuou para perto da média

Os resultados desta pesquisa acompanham um movimento mais amplo no setor, que reflete ao mesmo tempo a maior competitividade e as dificuldades com um ambiente macroeconômico mais restritivo ao crédito. Somados, estes dois fatores contribuem para uma percepção menos otimista quanto a expectativa de valorização do negócio dos concessionários para os próximos doze meses.

Mas é importante ressaltar que este levantamento mede a percepção dos concessionários, não os resultados financeiros das empresas. Ele também não se aprofunda nas causas das variações desta percepção pelas marcas.

O que dizem as marcas?

Pior avaliada nos quesitos, a Audi informou em nota que reconhece a pesquisa e acompanha regularmente a dinâmica do mercado, além das contribuições de seus parceiros de negócios. “A marca monitora continuamente indicadores de satisfação dos clientes, que refletem uma avaliação positiva dos produtos e serviços oferecidos pela Audi no Brasil, incluindo resultados consistentemente elevados em seus índices de satisfação de clientes”.

A Peugeot disse que a evolução dos indicadores está relacionada ao trabalho conjunto e à colaboração contínua com a rede e que sua rede é um “pilar estratégico no País”.

A Toyota, que teve considerável piora na avaliação de um ano para o outro, disse que os resultados são uma “oportunidade de aprendizado e melhoria contínua, princípio fundamental da nossa filosofia”.

A Nissan reconheceu que alguns fatos ocorridos no início do ano geraram pontos de descontentamento em alguns parceiros. Foi, segundo a empresa, durante a transição para um novo sistema operacional interno, que gerou impactos na cadeia de suprimento de peças e teve desdobramentos na rede de concessionárias. “As questões foram solucionadas e estamos trabalhando com respeito, e em conjunto, para voltarmos ao bom índice de satisfação que a marca sempre manteve”.

Para o Grupo BMW a pesquisa é um “canal fundamental para a rede de concessionários, ao mensurar temas em assuntos específicos” e destacou a boa avaliação em outras edições. Mas alegou que as métricas podem sofrer alterações, de acordo com a variação do mercado. ”Em 2026, a BMW mantém a liderança no segmento premium pelo sexto ano consecutivo, além dos dois modelos premium mais vendidos do segmento no acumulado do ano”.

Já a Ford afirmou que a pesquisa é de grande valia e que monitora continuamente o sentimento da rede. “Esse resultado se junta a outras pesquisas internas de satisfação da nossa rede, suportando nossas prioridades de ações. Há hoje grande volatilidade e uma quantidade grande de variáveis no nosso negócio. Era esperada alguma queda considerando esse cenário aliado ao bom resultado do ano anterior”.

As demais marcas não retornaram até a publicação deste texto. Atualizaremos se houver mais respostas.

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