São Paulo – A competição mais acirrada na faixa dos R$ 150 mil, sobretudo pelo amplo leque de opções fornecido por montadoras tradicionais e, mais recentemente, chinesas, obrigou a Stellantis a fazer uma rápida correção de rota na fábrica de Porto Real, RJ, onde é produzido o Jeep Avenger, seu mais recente lançamento. Nestas primeiras semanas de venda a demanda foi maior nas configurações de entrada do SUV:
“No geral ocorre o contrário”, afirmou o presidente da Stellantis América do Sul, Herlander Zola, que admitiu ter uma previsão diferente de mix. “É sempre difícil acertar o mix. Mas toda a movimentação nesta faixa de mercado mudou o comportamento. Agora estamos ajustando.”
Segundo ele não houve situação crítica de falta de produto no mercado ou vendas perdidas, mas um descompasso. Na avaliação do executivo o Avenger entrou na faixa de mercado com mais competição, de R$ 120 mil a R$ 180 mil.
O Jeep Avenger é oferecido em três versões: Altitude, R$ 120 mil, Longitude, R$ 136 mil, e Limited, R$ 146 mil.
Ajustes também na Argentina
Outra fábrica que precisou passar por reorganização produtiva, desta vez por baixos volumes, foi a de El Palomar, Argentina, que produz os Peugeot 208 e 2008. Mais uma vez foi consequência da maior competição de importados:
“No ano passado a Peugeot tinha 9% de participação no mercado argentino. Este ano caiu para 5%. Só esta queda já justifica os movimentos que precisamos fazer em El Palomar, porque era de lá que vinha o maior volume”.
Segundo Zola a abertura de mercado da Argentina promoveu uma invasão de modelos importados. No segmento dos 208 e 2008, além de veículos chineses, há uma forte concorrência com modelos produzidos no Brasil, que também ficaram mais competitivos.
Na avaliação do presidente da Stellantis ainda é competitivo produzir picapes na Argentina pela vocação industrial do país. Carros de passeio, hoje, não: “O custo de mão-de-obra na Argentina é o dobro do brasileiro”.
Ele admite, inclusive, fechar alguma fábrica argentina:
“Tudo dependerá da previsibilidade e do equilíbrio do mercado sul-americano. Temos duas fábricas na Argentina. Podemos tomar a decisão de fechar uma e manter outra, ou de manter as duas.”
Parceria com a Dongfeng
Zola reiterou que a parceria global com a Dongfeng renderá frutos no Brasil, sem entrar em pormenores. E acrescentou: “Existe a possibilidade de haver um desdobramento ainda maior na nossa região”.
Ele falou que a chinesa possui várias marcas e que o leque de possibilidades é amplo. E admitiu que uma eventual parceria deles com a Nissan não impediria que exista, também, outra com a Stellantis na América do Sul.























