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Abraciclo revisa para cima projeções de produção, vendas e exportações de motocicletas

Vendas no varejo atingiram recorde histórico para o período de janeiro a setembro, com quase 1,8 milhão de unidades

São Paulo — A Abraciclo elevou de 2 milhões 70 mil para 2,1 milhões de unidades a projeção de produção de motocicletas no Brasil em 2026. A nova estimativa representa crescimento de 6% com relação a 2025 ante os 4,5% previstos no início do ano.

A revisão considera o desempenho do mercado nos primeiros nove meses e as particularidades do calendário de produção no último trimestre. De janeiro a setembro as fabricantes instaladas no Polo Industrial de Manaus, AM, produziram 1 milhão 645 mil e 34 motocicletas. Deste modo o resultado representa alta de 9,9% na comparação com as 1 milhão 496 mil 169 unidades registradas no mesmo período de 2025. Ou seja: o volume representa acréscimo de 148 mil 865 unidades.

Segmentos

Todas as faixas de cilindrada registraram crescimento na produção de motocicletas. O destaque foi o segmento de alta cilindrada, com avanço de 19,5% na comparação com o mesmo período de 2025. As motos de até 160 cm³ cresceram 10,3%, enquanto as de média cilindrada avançaram 7,3%.

Na divisão por combustível a tecnologia flex respondeu por 62% da produção, ante 38% dos modelos movidos somente a gasolina. Os dois grupos tiveram aumento de volume, de 6,9% e 15,4%, respectivamente.

Nas categorias a entidade destacou o avanço de 39,3% das motocicletas Naked e de 600% das Sport Touring.

Fatores que afetam a produção

Em entrevista à Agência AutoData o presidente da Abraciclo, Marcos Bento, afirmou que a projeção anual considera fatores sazonais que afetam o ritmo de produção. Ele trouxe um destaque para dezembro, quando há menos dias úteis e férias coletivas nas fábricas.

Apesar disto o executivo negou que a desaceleração prevista na produção significaria um último trimestre mais fraco: “Fazemos sempre a projeção anual. Tivemos os desafios do primeiro semestre e agora teremos os desafios do segundo semestre, como questão de calendário”.

Segundo ele a indústria não acompanha a mesma dinâmica do varejo no fim do ano, período marcado por datas comerciais como black friday e natal. Por isso o crescimento da produção tende a seguir um comportamento diferente do observado nas vendas ao consumidor: “Por esta razão a nossa projeção é melhor do que a do início do ano, mas ela já leva em conta isto e projeta um crescimento de 6%. É um ótimo índice não que o último trimestre seja pior”.

Bento estima que outubro e novembro concentrem volumes de produção acima da média para compensar a redução dos dias úteis em dezembro. Para atingir a meta anual de 2,1 milhões de unidades a indústria precisará produzir aproximadamente 455 mil motocicletas no último trimestre, considerando o acumulado até setembro.

Varejo e exportações

A entidade também revisou para cima as projeções de vendas no mercado interno e de exportações. Para o varejo, medido pelos emplacamentos, a estimativa passou de 2,3 milhões para 2 milhões 350 mil motocicletas. Deste modo representa crescimento de 6,9% ante 2025 — no início do ano a expectativa era de alta de 4,6%.

De janeiro a setembro os emplacamentos somaram 1 milhão 783 mil 972 unidades, aumento de 10,5% com relação às 1 milhão 614 mil 196 motocicletas registradas no mesmo intervalo do ano passado. Segundo a Abraciclo o resultado foi recorde histórico para o período.

As exportações também tiveram revisão positiva. A projeção passou de 45 mil para 47 mil unidades, com crescimento estimado de 9% com relação a 2025, ante os 4,4% previstos anteriormente.

Nos nove primeiros meses do ano foram embarcadas 36 mil 489 motocicletas, avanço de 23,7% na comparação anual. A Argentina foi o principal destino, com participação de mercado em 40,6% das exportações, seguida pelos Estados Unidos, com 19,9%, e pela Colômbia, com 18,4%.

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