São Paulo — As importações de máquinas agrícolas avançaram 42% de janeiro a setembro de 2026 e as vendas internas recuaram 15,8% de janeiro a agosto. Os dados foram divulgados pela Anfavea, Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, na quarta-feira, 21.
No acumulado até setembro o Brasil importou 11,2 mil máquinas agrícolas. As exportações somaram 5 mil unidades, alta de 9% na comparação com o mesmo período de 2025. Já as vendas ao mercado interno totalizaram cerca de 27 mil unidades até agosto.
A queda das vendas foi observada em diferentes categorias de máquinas agrícolas. Os tratores de rodas somaram 25,5 mil unidades comercializadas nos oito primeiros meses do ano, recuo de 14,1% ante as 29,7 mil unidades registradas no mesmo período de 2025.
O desempenho negativo atingiu todas as faixas de potência. Os tratores de até 100 cv tiveram queda de 8,3%, para 18,2 mil unidades. Na faixa de 100 cv a 180 cv as vendas diminuíram 22,4%, para 4,4 mil unidades. Nos tratores acima de 180 cv o recuo foi de 30,3%, para 2,8 mil unidades.
As colheitadeiras também registraram retração. As vendas caíram 39,4% de janeiro a agosto, para 1,4 mil unidades, ante 2,3 mil no mesmo período do ano passado.

Tratores chineses avançam 117%
A China ampliou sua participação nas importações brasileiras de tratores agrícolas. De janeiro a setembro as compras cresceram 117% na comparação anual, para cerca de 5,2 mil unidades.
A Índia também aparece como das principais origens dos equipamentos importados, com volume semelhante ao chinês e crescimento de 11% no período. Junto os dois países concentram a maior parte das importações brasileiras de tratores agrícolas.

Os equipamentos importados são, em sua maioria, de menor potência. Cerca de 90% dos tratores que entraram no País até setembro tinham até 100 cv. A faixa de 50 cv a 100 cv respondeu pelo maior volume, com 6 mil 412 unidades, alta de 56% ante igual período de 2025.
Nas demais faixas as importações de tratores de até 24 cv cresceram 36%, para 1 mil 154 unidades. Na faixa de 24 cv a 50 cv o avanço foi de 29%, para 3 mil 564 unidades. Na faixa de 101 cv a 175 cv foram importadas 756 unidades, alta de 43%. Acima de 175 cv o volume ficou praticamente estável, com 452 unidades e crescimento de 0,4%.
Importados dominam licitações de tratores
A participação de máquinas importadas também aparece nas compras públicas. Em 2025 foram licitadas 10 mil 603 máquinas agrícolas e rodoviárias, em um mercado que movimentou R$ 3,7 bilhões.
Os equipamentos de origem chinesa representaram 33,5% das unidades licitadas e 26% do valor total das compras. A participação conjunta dos demais países ficou abaixo de 1%, de acordo com o levantamento apresentado pela entidade.
Dos produtos analisados os tratores agrícolas tiveram o maior volume de licitações, com 3 mil 318 unidades. Deste total 65% eram importados e 35% correspondiam à produção local.
A presença de equipamentos estrangeiros variou conforme a categoria. As importações representaram 16% das retroescavadeiras licitadas, 14% das escavadeiras hidráulicas, 21% das pás carregadeiras e 18% das motoniveladoras. Nos rolos compactadores 95% das unidades eram de produção local. No caso dos tratores de esteira esta participação chegou a 98%.
Para o presidente da Anfavea, Igor Calvet, a análise das propostas precisa considerar a operação dos equipamentos ao longo do tempo, além do preço de aquisição: “Uma máquina não termina sua relação com o comprador no momento da entrega. É um ativo que precisa operar por muitos anos e isto depende de peças, assistência técnica, manutenção e capacidade de atendimento. Nas licitações é importante considerar o custo total de propriedade e não apenas o menor preço de aquisição”.
A classificação da entidade considera o local de fabricação. Assim equipamentos de marcas estrangeiras produzidos no Brasil entram na categoria de produção local.
Juros e custos pressionam o setor
O cenário econômico também limita a demanda por máquinas agrícolas. Dentre os fatores apontados pela Anfavea estão o custo do crédito, o endividamento dos produtores e a baixa rentabilidade, que reduzem o estímulo à renovação dos equipamentos.
A entidade também chamou atenção para a pressão sobre os custos de componentes plásticos. A alíquota de importação de 20% sobre resinas e polímeros foi mantida por mais doze meses, conforme decisão tomada em reunião do Gecex, Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior, realizada em 27 de agosto.
Segundo estimativas das empresas associadas consolidadas pela Anfavea a tarifa pode elevar de 4% a 7% o custo dos componentes plásticos. A medida antidumping aplicada ao setor de resinas também compõe este cenário de custos.
A combinação de demanda doméstica menor com avanço das importações e pressão sobre os insumos representa um desafio adicional para os fabricantes instalados no País.
Máquinas rodoviárias têm desempenho positivo
Em sentido oposto ao mercado agrícola as vendas internas de máquinas rodoviárias cresceram 13,1% de janeiro a agosto, para 27 mil unidades, ante 23,8 mil no mesmo período de 2025.

No comércio exterior suas exportações aumentaram 19,2% nos nove primeiros meses do ano. As importações também avançaram, com alta de 19,3% na comparação com igual período do ano passado.
Dos principais destinos das exportações brasileiras estão os Estados Unidos, com 9,3 mil unidades e crescimento de 26%, seguidos pelo Peru, com 1,3 mil unidades, alta de 19%, e pelo México, com 1,2 mil unidades, avanço de 16%.
Do lado das importações a China liderou o fornecimento com 15,2 mil unidades e crescimento de 30%. A Índia aparece na sequência, com 1,2 mil unidades e alta de 3%.























