São Paulo – A Mercedes-Benz revisou para baixo suas projeções de rentabilidade para o ano, mesmo caminho seguido pelo Grupo Volkswagen e pela BMW, diante da deterioração do mercado chinês. A fabricante prevê agora retorno ajustado sobre as vendas em sua principal divisão de automóveis de 2% a 3%, frente a estimativa anterior de até 5%.
Com a revisão, o EBIT, lucro antes de juros e impostos, do grupo deve permanecer estável em relação ao ano anterior, anulando a expectativa de alta significativa. Foi o que afirmou reportagem da Bloomberg e da Reuters publicada pela Automotive News Europa.
Além da fraca demanda na China, onde as vendas de seus principais modelos recuaram 8% no terceiro trimestre, a operação foi impactada pelo aumento nas despesas com materiais no quarto trimestre. Embora a montadora não tenha especificado os insumos, a pressão decorre de gargalos nas cadeias globais de suprimentos de commodities, como alumínio e produtos químicos, agravados pelo cenário geopolítico.
O desempenho reflete a rápida transformação do mercado chinês, que deixou de ser o principal motor de rentabilidade das fabricantes europeias para tornar-se um verdadeiro gargalo operacional.
O cenário coloca sob forte pressão a estratégia do CEO Ola Källenius, focada em volumes menores acompanhados de maior margem por meio de veículos de alto luxo, como o Classe S, Maybach e Classe G. Este posicionamento perdeu força com a desaceleração imobiliária na China e o avanço de concorrentes locais no segmento premium.
Em resposta, a Mercedes-Benz vem implementando planos de contenção de custos administrativos e de P&D, combinados a programas de demissão voluntária na Alemanha para preservar o caixa corporativo.
Para reverter a trajetória, a montadora aposta em lançamentos de veículos com atualizações de portfólio e novos modelos elétricos, como o GLC e o CLA, buscando superar a recepção morna da linha EQE e EQS.
Contudo, analistas do setor destacam que a forte dependência do mercado chinês continua sendo o principal fator de vulnerabilidade para as marcas alemãs frente a concorrentes que diversificaram suas operações ou avançaram ainda mais no segmento super luxo.























