São Paulo – A América do Sul reforçou sua posição de protagonismo nos resultados globais da Stellantis ao se consolidar como a região mais rentável da fabricante no terceiro trimestre. A operação sul-americana gerou um lucro operacional ajustado de € 431 milhões no período, valor que permaneceu estável em comparação com o mesmo trimestre do ano anterior.
O desempenho da região colocou a unidade sediada em Betim, MG, à frente de mercados historicamente centrais para a companhia, como a América do Norte e a Europa. Foi o que apontou balanço divulgado na quarta-feira, 28, com base em informações das agências Bloomberg e Reuters.
O resultado ganha relevância diante do cenário desafiador enfrentado pela montadora em outras frentes globais. Atrás da América do Sul veio o Oriente Médio e a África, que figurou como a segunda região que mais rendeu lucro à empresa, com resultado operacional positivo em € 244 milhões – queda de 10% na comparação com o período de julho a setembro de 2025.
Em contrapartida, outras regiões-chave enfrentaram momentos mais complexos. A operação na América do Norte apresentou recuperação gradual ao alcançar € 64 milhões de lucro operacional ajustado, saindo do prejuízo do ano anterior, impulsionada pela chegada de novos produtos como a Jeep Cherokee híbrida e a Ram 1500 Hemi, a despeito de uma queda de 3% na receita regional.
A Europa, por sua vez, foi a única região a registrar prejuízo operacional, acumulando perdas de € 311 milhões – revertendo o lucro de € 157 milhões de um ano atrás – em razão da forte pressão competitiva de preços, do ajuste de estoques nas redes de concessionárias. Para contornar a falta de suprimentos, incluindo baterias de longa autonomia para elétricos e outros componentes, a Stellantis suspendeu temporariamente as atividades em quatro de suas cinco fábricas na França e paralisou outras unidades na região durante o mês de outubro.
A consistência dos resultados na América do Sul reafirma a eficiência operacional e a força das marcas do grupo na região, lideradas por Fiat, Jeep e Peugeot, servindo como sustentação fundamental para o plano de ajustes e contenção de custos que a Stellantis executa em âmbito global.
Cenário desafiador
No geral, o lucro operacional ajustado da Stellantis no terceiro trimestre foi de € 256 milhões, reação frente aos € 90 milhões registrados em igual período do ano passado, em meio às ações do plano de ajustes liderado pelo CEO Antonio Filosa. Apesar da melhora operacional, a montadora registrou forte queima de caixa industrial, consumindo € 4 bilhões no período.
Para compensar o cenário desafiador, o programa de eficiência de custos da fabricante vem acelerando. A previsão é obter entre € 500 milhões e € 600 milhões em economia no quarto trimestre, frente aos € 300 milhões gerados de julho a setembro. A meta do grupo é implantar ao menos 40% das eficiências estimadas em € 6 bilhões até o fim do ano. A empresa manteve a projeção de margem operacional ajustada de um dígito baixo em 2026 e reiterou a meta de retornar ao fluxo de caixa positivo em 2027.
Das próximas etapas da reestruturação, que inclui a ampliação da oferta de modelos para as marcas Jeep, Ram, Peugeot e Fiat, a Stellantis aposta na parceria com as chinesas Leapmotor e Dongfeng para otimizar o uso das fábricas europeias. Além disso, a companhia confirmou para o dia 10 de dezembro, em Modena, na Itália, a apresentação de um novo plano estratégico.























