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Locadoras elevam compras em 35% e frota de veículos avança 5%

Segundo a Abla o setor deverá alcançar 1,8 milhão de automóveis e comerciais leves até dezembro

São Paulo — A frota de automóveis e de comerciais leves das locadoras deverá chegar a 1,8 milhão de veículos em 2026, crescimento de 4,8% com relação às 1 milhão 717 mil unidades registradas no ano passado. As empresas compraram 570 mil veículos até setembro, alta de 35,7% na comparação com os 420 mil adquiridos no mesmo período de 2025. Os dados são da Abla, Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis.

Para Paulo Miguel Júnior, vice-presidente da Abla e presidente a partir de janeiro, o resultado do setor este ano deve ser positivo, apesar dos desafios econômicos. “Foi um crescimento grande na compra de veículos, mas nem tudo isso refletirá aumento de frota, porque boa parte foi de substituição. Mas mostra o impacto do setor na compra de veículos”.

A expectativa é que as locadoras respondam por 25,5% a 27% dos emplacamentos nacionais em 2026, mantendo a participação dos últimos anos. O tíquete médio mais alto dos veículos adquiridos também deve contribuir para o faturamento do setor, que registrou receita de R$ 61,7 bilhões em 2025.

“Os números deste ano tendem a ser muito bons para o setor de locação frente aos demais segmentos do mercado”.

Para 2027, ele também prevê crescimento: “O resultado anual do setor de locação será positivo frente ao ano anterior. Isto sem dúvida nenhuma. Para 2027 eu ainda prevejo crescimento, mas ainda não consigo ter uma ideia de quanto seria.”

Terceirização de frotas pode favorecer o setor

Miguel Jr vê oportunidades na terceirização de frotas, especialmente se as empresas buscarem reduzir ativos próprios para reforçar o caixa: “Temos juros altos, um endividamento muito alto das famílias e isso vem complicando não só o setor de locação mas o mercado como um todo.”

Segundo ele, em momentos de crise, as empresas podem vender os veículos próprios para levantar recursos e substituir a compra pela contratação de locadoras: “Analisando as outras crises pelas quais o Brasil já passou é um momento que pode ser muito favorável ao setor de locação de veículos na terceirização de frota”.

O executivo, no entanto, não espera necessariamente um avanço semelhante na locação diária: “Talvez no turismo não traga um grande aumento porque deve ser impactado também por essas condições”.

De acordo com os dados mencionados 54% da frota das locadoras está destinada à terceirização, que inclui contratos corporativos e carros por assinatura. Os outros 46% correspondem à locação diária, que atende tanto turistas quanto motoristas de aplicativos. Neste último grupo a estimativa é de aproximadamente 300 mil automóveis alugados.

Desvalorização dos seminovos preocupa

Apesar das oportunidades a desvalorização dos veículos usados é um dos principais pontos de atenção para as locadoras. A combinação de juros elevados, financiamento mais caro e redução dos preços dos seminovos pressiona a rentabilidade das empresas, que dependem da revenda dos veículos substituídos: “Temos uma depreciação muito grande dos seminovos. O mercado de seminovos baixa o preço, taxa de juros alta, os seminovos vendem mais com financiamento do que à vista. Então temos uma grande preocupação com este mercado”.

Miguel Jr citou a projeção da Fenauto, Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores, de 20 milhões de transações de seminovos em 2026, mas observou que o tíquete médio caiu: “Hoje dizemos que carro parado no pátio para venda é prejuízo. Às vezes é melhor você baixar um pouco o preço e vender. Então o mercado está cada vez mais dinâmico nesta medida”.

O mercado de automóveis novos, por outro lado, pode oferecer oportunidades às locadoras. A entrada de novas marcas no Brasil tem provocado mudanças na precificação dos veículos, o que, segundo Paulo Miguel Jr, pode beneficiar o setor.

Veículos de entrada concentram a demanda

A maior parte das compras das locadoras está concentrada em modelos de menor preço: “75% da demanda das locadoras é por veículos de entrada, hatches pequenos, sedãs pequenos e caminhonetes pequenas também”.

Este perfil também ajuda a explicar por que a chegada de fabricantes chinesas ainda provocou poucas mudanças na estratégia de aquisição das empresas. “Apesar da chegada de várias marcas chinesas, o valor dos veículos ainda está muito alto frente ao patamar de preço do veículo básico brasileiro”.

Embora reconheça que estes modelos ofereçam mais equipamentos, Miguel Jr pondera que o preço continua sendo determinante para boa parte dos clientes: “A pessoa busca efetivamente o que cabe no bolso dela”.

Segundo ele os veículos chineses ainda enfrentam uma barreira para avançar no segmento de entrada, por permanecerem acima dos modelos básicos nacionais. Dentre as marcas que já apresentam maior presença nesta faixa ele cita BYD e GWM.

Eletrificados avançam, mas custo limita expansão

A frota de veículos eletrificados das locadoras está em torno de 30,8 mil unidades. O mercado cresceu 120% com relação ao ano anterior, segundo os números mencionados por Paulo Miguel Jr, e a expectativa do executivo é de continuidade do avanço. Apesar disto ainda há obstáculos para ampliar a participação dos eletrificados nas frotas.

“Faltam quantidade e modelos disponíveis que atendam à necessidade do público da locação de veículo. Os veículos elétricos e eletrificados ainda estão num patamar muito maior do que aqueles a combustão. Enquanto estes custos efetivamente não se ajustarem, por conta da precificação do carro, a maioria ainda vai ser a combustão.”

O executivo avaliou que a adoção dos elétricos tende a ser mais vantajosa para quem roda longas distâncias diariamente ou precisa cumprir metas de redução de emissões. Para o consumidor pessoa física ainda há dúvidas sobre autonomia e abastecimento, embora ele alegue que “quem dirige um carro elétrico não quer voltar para a combustão”.

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