Camaçari, BA – Um ano depois de iniciar a montagem de veículos importados da China a partir de kits SKD, veículos semidesmontados, a BYD dá os primeiros passos rumo à produção local completa em Camaçari, BA. Há cerca de um mês a fabricante migrou para o sistema CKD, por meio do qual monta partes e peças de kits desmontados e, até o fim do ano, o plano é iniciar, de fato, a fabricação dos carros em solo brasileiro.
A reportagem da Agência AutoData conheceu três dos quatro prédios principais do complexo industrial baiano: montagem final, soldagem e pintura. A estamparia está em fase final de obras e a expectativa é de que entre em fase de testes em novembro ou dezembro.

A área mais avançada é a montagem final, última etapa da produção, onde são inseridos nos veículos o trem de força, os pneus e o tanque de combustível, além dos testes antes de os carros seguirem para as concessionárias.
O maior volume na linha de montagem, de longe, é do recém-lançado SUV compacto Atto 2, primeiro híbrido flex da marca. Dali também saem o compacto 100% elétrico Dolphin Mini e o SUV médio híbrido Song Pro. O sedã híbrido King não está sendo montado atualmente porque, segundo a BYD, há estoque suficiente do modelo – existem rumores também de que ele possa ser atualizado, posteriormente, para tornar-se flex, uma vez que a ideia é que todos os veículos ali produzidos possam ser abastecidos também com etanol.
150 mil carros já foram produzidos
Segundo Lúcia Anderson, supervisora administrativa que liderou a visita pelo complexo, saem da linha diariamente de seiscentos a setecentos veículos. “Na semana passada conseguimos montar novecentas unidades.”
Desde outubro do ano passado, quando teve início a operação em Camaçari, foram montados 150 mil carros no local. O plano é encerrar o ano com 200 mil veículos.

Na unidade trabalham 2,5 mil funcionários, em dois turnos de produção, sendo 30% mulheres, número que é atualizado constantemente, devido ao processo de expansão das etapas produtivas. “Até a semana que vem devem ingressar mais quinhentos profissionais”.
Chamou atenção também a expressiva quantidade de AGVs circulando pelo local, transportando peças e partes e auxiliando os operadores no amplo espaço. “Hoje há 900 mil m² construídos. Queremos chegar a 2 milhões de m² até 2030.”
Conforme Anderson a fábrica é quatro vezes maior que a da antecessora Ford, que encerrou as operações no local em 2021 – nenhuma das instalações foram aproveitadas porque o maquinário da BYD é mais alto e não era compatível com a estrutura. O espaço hoje é usado como depósito.
Soldagem e pintura entram em testes
O segundo galpão visitado, aberto pela primeira vez para visita guiada de jornalistas, foi a soldagem. É o mais automatizado do processo produtivo. Ainda sob ajustes, sem dúvida era o espaço mais quente, no aguardo da instalação de equipamentos de ar-condicionado.
Com o maior volume de robôs é lá que o conjunto de peças é formado, o assoalho e a lateral dos carros montados, assim como o capô e outras partes móveis. A área também é dedicada à verificação e eventuais retrabalhos. Lá trabalham setecentos profissionais.

No local foram flagrados testes com a picape híbrida Mako, primeiro produto desenvolvido em solo baiano que nasce para atender a demanda do consumidor brasileiro e que será o primeiro veículo totalmente produzido em Camaçari.
Terceiro turno começa até o fim do ano
Por fim, a pintura, área mais sensível da linha de montagem, onde, antes de entrar, é preciso se descontaminar. Esta foi a seção em que havia menor movimento, mas também é o que abriga menos funcionários, quatrocentos deles. Nela novamente a Mako foi flagrada.

Ao todo, 9 mil pessoas trabalham no complexo industrial da BYD em Camaçari, que pouco a pouco vai perdendo a cara de canteiro de obras e ganhando forma em galpões que tornam a produção local realidade. Destes, 5,5% ou quinhentos, são chineses, e 22% ou 1 mil 980, mulheres, sendo que 7 mil estão alocados na Divisão 11, responsável pela produção do carro.
Até o fim do ano, quando a montadora pretende dar início efetivo à fabricação completa, o plano é ampliar o quadro total para 10 mil pessoas e dar início ao terceiro turno de produção.























