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ZF avança na nacionalização de componentes para veículos comerciais

Empresa projeta iniciar a produção da transmissão TraXon 2 em Sorocaba em 2027 e começa a remanufaturar o sistema ConAct em Araraquara
Carlos Delich, presidente da ZF América do Sul

São Paulo — A ZF levará à Fenatran, de 9 a 13 de novembro, novidades para o mercado de veículos comerciais com produção local. Dentre os destaques estão a nova geração da transmissão automatizada TraXon 2, com fabricação prevista para Sorocaba, SP, e o sistema ConAct, que começará a ser remanufaturado na unidade de Araraquara, SP, com peças importadas e planos de localização futura.

A fabricante também apresentará uma transmissão automatizada de nove marchas, desenvolvida pela engenharia local para caminhões médios e semipesados, e uma nova embreagem para aplicações com motores Euro 6. Os lançamentos fazem parte do plano de ampliar a oferta de produtos desenvolvidos ou adaptados às necessidades do mercado regional. “Trabalhamos muito próximos dos usuários finais e, naturalmente, também das montadoras”, afirmou Sílvio Furtado, vice-presidente de negócios da ZF América do Sul.

A TraXon 2 terá produção em Sorocaba a partir de meados de 2027. A ZF já tem contratos de fornecimento com duas montadoras que não foram reveladas. A primeira deverá utilizar a transmissão em seus veículos a partir do ano que vem, enquanto a segunda iniciará a aplicação posteriormente.

A nova geração representa uma evolução da transmissão, que já soma 1,5 milhão de unidades fornecidas mundialmente e aproximadamente 120 mil na América Latina. Segundo Furtado a produção será realizada em uma linha flexível, preparada para trabalhar tanto com a primeira geração quanto com a nova versão.

Nacionalização

Além dos lançamentos a ZF avalia ampliar a produção local de tecnologias que já oferece a clientes da América do Sul, como sistemas de freio para veículos elétricos, assistência ao motorista para veículos pesados, compressores de ar elétricos e transmissões automáticas para caminhões e ônibus.

Segundo Carlos Delich, presidente da ZF América do Sul, a localização, porém, dependerá de alguns fatores: “Dependerá da legislação, das condições econômicas dos clientes finais para que possam pagar por estas tecnologias e também da infraestrutura que o País terá disponível”.

Para Delich o plano da companhia é adaptar os produtos às características regionais antes de avançar com a produção local. Ele ainda falou sobre os objetivos de fazer a localização destes produtos:

“Evitar os riscos relacionados às políticas cambiais e alcançar o que chamamos de hedge natural, ou seja, equilibrar os volumes de exportações e importações. Como não temos um volume considerável de exportações é sempre vantajoso ampliar a localização da produção o máximo possível”.

Remanufatura

Outra frente é a remanufatura do ConAct, sistema que opera com a transmissão e a embreagem. A operação começará em Araraquara, inicialmente para o mercado de reposição. Inicialmente a unidade fará a recuperação dos componentes em condições de reutilização e a substituição dos itens de desgaste, com testes e garantia equivalente à de uma peça nova, conforme os padrões ZF. A empresa prevê avançar futuramente para a produção local de componentes novos, de acordo com a demanda.

O processo envolverá inicialmente 63% dos componentes sujeitos a desgaste. O ConAct tem mais de 6 milhões de unidades em operação no mercado mundial e, quando utilizado em conjunto com uma transmissão automatizada, pode contribuir para aumentar em até 30% a vida útil da embreagem, segundo a ZF.

A remanufatura representa 3,5% das vendas totais da companhia na América do Sul. Nas embreagens, porém, a participação é maior: aproximadamente 25% dos componentes comercializados pela empresa já são remanufaturados.

“Se considerarmos especificamente as embreagens o volume é considerável. Praticamente 25% das embreagens que comercializamos são remanufaturadas.”

Investimentos e cenário de mercado

A ampliação das operações industriais e o desenvolvimento de produtos fazem parte do plano de investimentos de US$ 1 bilhão da ZF, iniciado em 2025 e com conclusão prevista para 2030. Delich destacou que os recursos não são direcionados apenas a lançamentos mas, também, à modernização das fábricas e ao aumento da produtividade.

Na América do Sul, a ZF registrou vendas consolidadas de R$ 7,9 bilhões em 2025. A companhia informou ter destinado R$ 198,2 milhões a pesquisa e desenvolvimento e investimentos no período. A estrutura regional reúne 5 mil 354 colaboradores e treze localidades, com oito unidades de manufatura — sete no Brasil e uma na Argentina. Para 2026 a expectativa é de crescimento de 3% nas vendas da região.

O cenário de juros elevados, entretanto, tem limitado a recuperação do mercado de caminhões. Delich afirmou que as vendas do segmento recuaram em 2025 com relação a 2024 e voltaram a cair em 2026, mesmo com o programa Move Brasil. A expectativa inicial era de que a redução das taxas de juros impulsionasse a renovação das frotas: “Diferentemente dos automóveis o caminhão é um bem de negócio, um instrumento de trabalho. Com os juros ainda elevados acredito que essa recuperação demorará”.

Segundo o executivo a demanda postergada não deve necessariamente resultar em uma retomada concentrada das vendas: “Estes veículos que deixam de ser renovados no curto prazo serão substituídos mais adiante. Isso não é muito positivo, porque não devemos ter picos de demanda como os que tivemos anteriormente”.

A ZF espera encerrar 2026 com vendas globais cerca de 5% superiores às do ano anterior, abaixo da projeção inicial, que apontava crescimento próximo de 8%.

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