Camaçari, BA – A BYD avança a passos largos em seu plano de consolidação produtiva na Bahia, projetando transformar o complexo de Camaçari em um hub de exportação para toda a América Latina. O investimento, que em julho estava em R$ 5,5 bilhões, agora já dobrou e chega a R$ 11,3 bilhões, segundo o vice-presidente sênior Alexandre Baldy.
Baldy disse que a celeridade no processo, considerando a aquisição da antiga fábrica da Ford em 2023, o lançamento da pedra fundamental em 2024, o início da montagem de SKD em outubro de 2025 e, agora, a realização dos testes finais para, até dezembro, iniciar o processo de produção local, deve-se à reforma tributária.
“Tivemos uma verdadeira luta para reintroduzir no arcabouço tributário brasileiro o estímulo, o incentivo do regime automotivo da Lei 9 440, que permitiu o investimento da BYD. E este incentivo tem um prazo de usufruto. Quanto mais tempo demoramos para iniciar a produção, por menos tempo utilizaremos o incentivo que nos torna competitivos para produzir daqui.”
A Lei 9 440 citada pelo executivo, criada em 1997, prevê incentivos fiscais dentro do regime automotivo especial, criado para ajudar a desenvolver as regiões Nordeste, Norte e Centro-oeste. No passado a Ford, instalada em Camaçari, fez uso do regime. Hoje, além da BYD, Stellantis, em Pernambuco, e o Pace, no Ceará, estão inscritas no regime dentro da Região Nordeste.
Segunda fase pode ser antecipada
Baldy citou que hoje a marca comercializa em torno de 30 mil veículos por mês, mas que a fabricante não consegue faturar mais do que 26 mil. “Já estamos vendendo acima da nossa capacidade produtiva. E a demanda imaginada para uma segunda fase, de 2027 ou 2028, torna-se necessária desde já.”

A empresa projeta o início da produção local completa em regime total de novembro a dezembro. Atualmente em fase de testes e validação de estamparia, soldagem e pintura com o SUV médio híbrido Song Plus e o recém-lançado SUV compacto Atto 2, a BYD já trabalha com a montagem final e prepara a entrega do complexo fabril expandido.
A área construída saltou dos 334 mil m² originais da Ford para cerca de 1,25 milhão de m², com projeção de alcançar 2,2 milhões de m² ao fim do projeto, inicialmente aguardado para 2030, com grandes chances de ser antecipado. “Já estamos entregando agora, no fim de novembro, mais 920 mil m² de área construída.”
O planejamento fabril, que previa inicialmente a produção anual de 300 mil veículos, já projeta a implantação da segunda fase para alcançar 600 mil unidades por ano. Seguindo o ritmo crescente de contratações, o objetivo é saltar dos atuais 9 mil postos de trabalho para 20 mil com o complexo totalmente concluído.
O ritmo de vendas também tem puxado esta aceleração: 200 mil carros BYD já foram emplacados este ano, enquanto que no ano passado foram 120 mil. Para efeito de comparação, na Tailândia foram vendidos 35 mil carros em no Reino Unidos, 38 mil. Não à toa o Brasil foi escolhido para abrigar a primeira fábrica da marca fora da China.
“O brasileiro gosta de produto inovador, tecnológico, e por um preço acessível, competitivo, menor do que os carros a combustão que estão disponíveis no mercado”, afirmou. “Isto surpreendeu indústria e, quando você não consegue competir, busca desqualificar. Só que hoje, de fato, nos consolidamos no mercado.”
Ao contar que a BYD acabou de inaugurar a concessionária de número 249, em quatro anos, o executivo lembrou da dificuldade de convencer, em 2022, concessionários locais a revenderem sua marca. “Formamos uma rede de distribuição vital para termos sucesso muito rápido. Mas tivemos de convencer os concessionários a investirem em um bom ponto. O da Bahia não quis, disse que vender carro elétrico não era para ele. Tivemos de trazer outro Estado.”























