Wuhu, China – Presidente da maior montadora da América do Sul, a Stellantis, Herlander Zola recentemente admitiu em encontro com jornalistas que a indústria ocidental errou. Não fez, como os chineses, uma leitura adequada da intenção do consumidor em adotar os veículos de novas tecnologias. Agora precisa correr atrás.
A questão é que os chineses já estão dando novos passos. A reportagem de AutoData passou uma semana em Wuhu, China, para acompanhar o International User Summit, organizado pelo Grupo Chery, o maior exportador de veículos da China e que deposita no Brasil a maior parte de suas fichas para sua expansão global. E, pelo que a fabricante das marcas Chery, Omoda, Jaecoo, Lepas, Icaur, Jetour, Exeed, Luxeed e Freelander, apresentou no evento, a distância para as ocidentais está aumentando.
Além de aprimorar a eletrificação, desenvolvendo baterias melhores e com mais autonomia, o Grupo Chery investe para colocar a inteligência artificial e mais tecnologias autônomas dentro dos automóveis. E não são apenas promessas: os participantes do International User Summit puderam experimentar algumas dessas inovações, ainda em fase final de desenvolvimento.
Um exemplo é o Super Intelligent Valet Parking, da Omoda Jaecoo. Ele substitui o serviço de valet tradicional de cidades brasileiras: com um toque no celular o motorista aciona o veículo que, sozinho, pode ir buscá-lo. Basta ficar parado na frente de algum local que o carro sai da vaga e chega a você. Do mesmo modo é possível descer do carro e deixá-lo estacionar sozinho – ele procura a vaga, mapeia e faz a manobra.

Sim, existem projetos-piloto do tipo em outras regiões do mundo, como a Agência AutoData já relatou com Mercedes-Benz e Bosch e BMW e Valeo. A diferença é que os chineses já planejam adotar em larga escala, não apenas em veículos das prateleiras de cima.
Para chegar ao Brasil outros passos deverão ser dados, especialmente na questão da regulação. A questão é que a tecnologia está chegando, e mais rápido do que imaginávamos.
Inteligência artificial
Outra tecnologia em demonstração pela Omoda Jaecoo, ainda em fase bem inicial e com bastante erros – os chineses não têm vergonha de mostrar o erro: ao contrário, o fazem depois pedem a sua opinião, solicitando que questionários sejam respondidos, para aprimorar o desenvolvimento com a opinião de terceiros –, é a da inteligência artificial como assistente do motorista.

A ideia é levar uma espécie de Alexa, da Amazon, para as centrais multimídias. O assistente pode fornecer informações sobre o tempo, as últimas notícias e tocar músicas conforme o seu humor, dentre outras centenas – ou milhares – de possibilidades. As possibilidades de ampliação de uso são inúmeras, além destas demonstradas.
De novo nenhuma grande novidade dentro da indústria, pois as ocidentais também trabalham neste sentido. Já existem veículos com Alexa e Gemini integrados em circulação. A diferença é que a IA é desenvolvida pela própria Chery e pode conversar melhor com o automóvel.
Os Jetsons se tornando realidade
Carros voadores, autônomos, robôs integrados à vida cotidiana. O cenário do futuro imaginado por William Hanna e Joseph Barbera nos anos 1960 para o desenho Os Jetsons muito se assemelha ao demonstrado em um vídeo no qual a Chery apresenta sua visão para o futuro da mobilidade.
Não é só a crença: a Chery investe para desenvolver soluções para este cenário. Os carros autônomos são os robotaxis, que já começam a ser testados este ano em Dubai e nos Estados Unidos. Os robôs da Aimoga já são realidade e os carros voadores são os eVTOLs – e a Chery tem o seu em desenvolvimento.

Em paralelo investe uma boa quantia em semicondutores mais potentes para suportar toda esta transformação, bem como em centros de pesquisa e desenvolvimento – a ideia é abrir mais ao redor do mundo.
E usa a inteligência artificial, também, para aprimorar os processos produtivos e utilização de materiais mais sustentáveis para a composição de seus veículos.
Sem nenhum pudor a Chery abriu seus planos e sua visão a quem esteve presente no evento. Mostrou, também, novidades em todas suas marcas, incluindo carros conceitos da Omoda e Lepas. As montadoras ocidentais estão avisadas: só não enxerga quem não quer. Ou correm atrás ou ficam para trás.























