Manaus, AM – Em 4 de novembro a Moto Honda da Amazônia completou 50 anos de atividades ininterruptas. É um marco celebrado desde a primeira CG 125 laranja lançada em 1976, com Pelé como garoto propaganda, à liderança absoluta de mercado e mais de 33 milhões de motocicletas produzidas. Em cerimônia com a presença de autoridades, representantes da indústria e trabalhadores, Toshihiro Mibe, CEO global da Honda, ressaltou a visão de longo prazo de Soichiro Honda, que disse na inauguração da fábrica:
“Não estamos aqui apenas para montar produtos no Brasil, mas para crescer junto com o País, gerando empregos e transferindo tecnologia para a sociedade brasileira”.
De fato, o crescimento da estrutura impressiona no maior complexo produtivo da Honda Motos. De 90 mil m² de área construída em 1976 o complexo passou a 530 mil m² em produção altamente verticalizada. Quase tudo é produzido na fábrica.

Há uma fábrica de tubos de aço, operação que reduz o custo final das motocicletas, segundo Lourival Barros, chefe de produção, qualidade e logística da Moto Honda da Amazônia. “Produzimos todos os chassis e guidões das motos aqui, garantindo qualidade, agilidade e um custo competitivo que reflete no preço final aos consumidores”.
A fundição, usinagem e produção de todos os motores também é feita em uma unidade específica dentro do complexo. Durante a visita à fábrica a reportagem não foi autorizada registrar a operação dessas áreas nem das duas linhas que produzem 7 mil unidades todos os dias.
São motores para as motos de 125 cm³ de cilindrada a propulsores mais complexos dos grandes modelos de até 1 mil 100 cm³. A Honda deixou de fabricar rodas e passou a produzir motores porque a demanda está aquecida: a fabricante entendeu que é melhor garantir internamente a produção desse item crucial para suas motocicletas e buscar fornecedores locais para as rodas.
Este ano a Moto Honda da Amazônia pode chegar a impressionantes 1,6 milhão de unidades produzidas. E isto se deve justamente à verticalização, segundo Barros. Em outro enorme barracão são produzidos vários componentes, como os bancos, que são injetados ali. Somente na planta produtiva do Brasil a Honda produz internamente o assento de suas motos.
Em Manaus são mais de trinta fornecedores de componentes, além de centenas de fornecedores de serviços para os 9,2 mil trabalhadores diretos. Além disso mais de 70 fornecedores estão espalhados pelo País e outros pelo mundo. No total, a operação da Moto Honda da Amazônia gera mais de 13 mil empregos diretos e indiretos.
Os dois grandes locais de produção final possuem duas linhas cada um. A área 1 produz motos pequenas, como a Pop, a Biz e a CG. Ali o ritmo é de uma motocicleta a cada 19 segundos. A área 2 concentra a produção dos modelos maiores, como CB 1000 Hornet e a aventureira Africa Twin 1100. São produzidos 20 modelos no Brasil.
50 anos, 33 milhões
Quase metade da produção, 15 milhões de unidades, foi da pioneira CG, que evoluiu bastante ao longo dessas cinco décadas. Um dos objetivos do novo ciclo de investimentos de R$ 3,3 bilhões até 2030, para elevar a capacidade produtiva a 2,3 milhões de unidades, é ampliar a oferta de modelos flex, capazes de utilizar etanol e gasolina em qualquer proporção no tanque.

Durante a cerimônia de celebração dos 50 anos Uallace Moreira, Secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do MDIC, disse que a Moto Honda da Amazônia “é referência para a indústria automotiva nacional por demonstrar que uma produção altamente verticalizada pode gerar ótimos resultados no longo prazo”.
Em conversa com a reportagem, logo após a cerimônia, Moreira ressaltou que este modelo pode ser perseguido por outras empresas e setores industriais. “Uma política de valorização do mercado interno é permitir que uma fábrica como a Honda permaneça no Brasil. A Honda mostrou para esse governo que não é incentivo que contribui com o mercado. É a oferta de crédito, como o Move Brasil Moto, que foi criado após ouvir executivos da Honda, dentre outros da indústria”.
Ainda na seara política da cerimônia, o senador Eduardo Braga disse que o alto índice de nacionalização dos produtos – no caso da CG chega a 90% – contribui para a geração ajustes como o da “reforma tributária, uma ferramenta indispensável para dar previsibilidade aos investimentos como este que a Honda anunciou”.
O novo ciclo de investimentos anunciado para os próximos anos prevê a construção de duas novas unidades produtivas dentro do complexo industrial de Manaus, cada uma com uma linha própria de montagem. O projeto deverá gerar 2 mil novos postos de trabalho e elevar a capacidade instalada para 2,3 milhões de motocicletas por ano em 2029. Além de abastecer o mercado brasileiro, a fábrica amazonense exporta atualmente para 19 países, consolidando sua importância dentro da estrutura global da Honda.
Cinco décadas depois daquela primeira CG 125 laranja, a operação de Manaus se tornou um dos principais pilares da estratégia mundial da fabricante japonesa. Se em 1976 a Honda começava a construir sua história no Brasil, a expansão da capacidade produtiva mostra que a fabricante pretende continuar escrevendo os próximos capítulos dessa trajetória de sucesso a partir da sua invejável estrutura na Amazônia.























