AD 348

17 AutoData | Setembro 2018 O sr. então acredita que emalguns anos a indústria nacional pode deixar de ter um papel de relevância? Sem dúvida. Competitividade é o nome do jogo. Onde nós somos competitivos hoje? Vamos olhar. Material: nosso aço é 20%mais caro que qualquer outro lugar domundo, fora o custo logístico. Mão de obra: é uma das menores produtividades que existem no mundo industrializado. Energia: para a indústria é caríssima. Sistema tributário: nós gastamos aqui dez vezes mais tempo para fazer nossa gestão tributária do que em qualquer outro lugar do mundo. Se pudéssemos simplificar as coisas e colocar esse custo dentro de P&D, desenvolvimento de pro- duto, melhoria de produtividade, acho que o País seria muito melhor. Qual o milagre que estamos esperando? Quan- do alguém fala ‘vamos ser relevantes, vamos nos tornar uma plataforma de exportação’, eu digo: Ãhn? Nós vamos regular no dólar? Quanto vamos precisar depreciar o real para cobrir todas essas falhas? Não vai ter milagre, incentivo, governo, messias que vai resolver isso. No Brasil a eletrificação teria espaço nos pesados e no campo? No campo há muitos implementos que quando tracionados por energia elétrica consegue-se uma produtividade muito maior. O Brasil tem tudo para completar não só a eletrificação mas também a direção autônoma para tratores, a colhei- ta já é controlada por satélite há muito tempo. A ZF está prevendo um aumento de fornecimento de sistemas de câmbio automático no Brasil? Não. Já fizemos essa avaliação, e o mer- cado brasileiro quer um câmbio automá- tico mais simples, o que para nós seria fazer um downgrade dos produtos que temos hoje, algo muito caro. Aqui não é ummercado muito atrativo para a ZF, não se vê veículos de entrada automáti- cos e alémdisso os veículos médios que usam esse tipo de transmissão muito aqui é bastante grande. Nós vamos ter também que começar a pensar no que o Brasil vai produzir no futuro, comesses acordos de livre comércio florescendo. Se eles não acontecerem vamos virar uma Cuba. Estaremos provavelmente fechando nossas fronteiras para importar e vamos ficar aqui tentando desenvolver nossas tecnologias e logo estaremos com veículos de 40, 50 anos de idade, iguaizinhos aos que existem em Cuba hoje. Eu não sou ufanista, acho que não ajuda o Brasil agora a gente começar a falar ‘vamos criar um credo aqui, tentar levar todo mundo por este caminho’, acho que precisamos realmente aceitar que a globalização está aí, que temos que internacionalizar nossa economia, temos que nos abrir, sermos mais com- petitivos, temos que acabar com os in- centivos, nós não precisamos deles.

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