359-2019-09
17 AutoData | Setembro 2019 anos. A relação industrial é de comple- mentariedade, foi pensada para esse nível de integração, e isso é bastante lógico: o Brasil tem uma capacidade e um mercado muito maiores, da mes- ma forma que a Argentina exporta tri- go para o Brasil. É o lógico. Temos que aproveitar isso. Aqueles que entendem isso, que a integração é inevitável, que vai além dos governantes, provam sua maturidade. Temos que trabalhar nas vantagens competitivas. Se paramos de competir com o outro e competirmos com terceiros será muito bom: tomara que os dirigentes políticos e empre- sariais entendam isso o quanto antes. Quais mercados seriam interessantes para o Mercosul explorar com maior vigor? precisa de mercados e nada melhor do que os da União Europeia. Alguma possibilidade de a economia argentina, após as eleições, começar a se recuperar? Até antes das primárias a Argentina já estava começando a notar alguns sinais positivos, a inflação começava a cair e o primeiro semestre foi bom para o agronegócio, ainda que tenha sido ruim para a indústria. Um próximo governo deve incentivar o consumo, não de forma irresponsável, mas para, a partir disso, gerar recursos para reduzir o déficit. Não creio que 2020 será um ano recessivo para a Argentina e isso deve favorecer a indústria automotiva. Mas como se aumenta o consumo quan- do 30% da população está abaixo da linha da pobreza? Existem elementos que podem ser uti- lizados em um caso como este, como, por exemplo, redução de impostos ou concessão de subsídios. Investir em infraestrutura também não seria uma boa saída? O governo atual tinha um plano am- bicioso de infraestrutura. Está relati- vamente desenhado e deve ser co- locado em prática, mas depende de investimentos. E para que eles venham é necessário resolver a crise institucio- nal, política e econômica que o país atravessa. O grande desafio de um novo governo é quanto tempo os mercados demorarão a acreditar nele. Depender da capacidade de unir os peronistas. Especificamente sobre o setor automo- tivo, como o senhor vê a integração do Mercosul? O setor automotivo está fora do Mer- cosul, tem uma regra própria. Em 24 anos de Mercosul, nos últimos vinte o Brasil tem um superávit no comércio bilateral com a Argentina, de US$ 50 bilhões, e o setor automotivo teve uma participação relevante nisso nos últimos “A agenda na Argentina atualmente é muito pobre perto daquela do Brasil e a capacidade para promover medidas é muito limitada” Agosto 2019
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