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39 AutoData | Agosto 2020 do cenário atual de forte retração, preci- sou adotar novas medidas para garantir a sustentabilidade da sua operação no País”. Com isso a unidade, que produz March e Kicks, voltou a operar em apenas um turno. Ao abrir o segundo turno, em 2017, a companhia havia contratado seiscentos trabalhadores – muitos serão reaprovei- tados em outras funções no turno único, segundo a empresa: “Uma parte da equipe será alocada em outro turno, mas, infeliz - mente, não será possível integrar todos os postos de trabalho”. Ainda em junho a Scania a rmou que “planeja reavaliar suas estruturas, o que acarretará em redução da força de traba- lho”, e que está estudando com o Siste - ma Único de Representação, grupo que envolve sindicato dos metalúrgicos local e comissão de fábrica, “alternativas para atender às diretrizes estabelecidas pela matriz” – que calcula excedente de 5 mil funcionários em sua operação em todo o mundo frente à atual demanda por cami- nhões. Mas depois Christopher Podgorski, presidente, acrescentou: “Estamos bus- cando maneiras de sermos mais ágeis e e cientes. Demitir seria uma últimamedida dentro desse contexto”. Omovimento prosseguiu em julho. Car - los Zarlenga, presidente da GM, avisou que “manter ou não o emprego dependerá da retomada do mercado. E eu acho que não vai voltar tão cedo”. Mas tambémdisse que “esperaremos o máximo possível antes de qualquer medi- da. Só vamos fazer isso quando car claro o momento certo para ajustar a capacidade”. Logo após Pablo Di Si, presidente da VW, revelou que participou de reuniões com sindicatos dos metalúrgicos das re- giões onde a empresa mantém fábricas: “Serão tempos difíceis, mas trabalharemos juntos e os sindicatos vêm atuando em conjunto conosco, discutindo os temas, conversando, o que é o mais importante”. Ele assegurou que demitir seria “o últi- mo dos últimos dos últimos recursos. O emprego é a última coisa a se tocar. O turnaround tem que ser no negócio, não nas pessoas”. Alguns dias depois a empresa anteci- pou o retorno dos funcionários do segundo turno da fábrica de Taubaté, SP, inicialmen - te programado para agosto ou setembro, o que envolveu 1,3 mil trabalhadores. A montadora disse que “demandas adicio- nais do mercado interno e de exportações por tempo determinado, até dezembro” justi cavam a medida. Em agosto os dois turnos trabalharão com redução de 25% da jornada. A Renault, em São José dos Pinhais, PR, foi no caminho inverso. Decidiu fechar o terceiro turno e com isso demitiu 747 trabalhadores. Em nota disse que “após realizar todos os esforços possíveis para as adequações necessárias, e não havendo aprovação das medidas propostas, não restou alternativa”. Como resposta os funcionários entra - ram em greve. Após quinze dias da paralisação, no começo de agosto, a Justiça do Traba- lho da 9ª Região deu causa favorável a uma ação impetrada pelo Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, o SMC, e determinou a anulação das demissões sob pena de multa diária de R$ 100 mil. Na decisão a juíza Sandra Mara de Oliveira Dias entendeu que a Renault descumpriu um termo de compromisso rmado com o Ministério Público do Tra - balho, no qual se comprometia a negociar com o SMC previamente qualquer pauta de demissões.

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