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31 AutoData | Abril 2024 também fazem muito sentido porque emitem menos CO2 do que os elétricos quando se faz a conta do berço à roda, que compreende, além do uso do veículo em si [a porção de emissões do tanque à roda], todas as emissões acumuladas desde a mineração de matérias-primas, produção de insumos e componentes, processos de fabricação dos carros, além da produção e distribuição dos combustíveis que os alimentam. O estudo da LCA e MTempo utiliza dados extraídos do trabalho do pesquisador Marcelo Gauto, da Unicamp, para mostrar que, levando em consideração todo o ciclo berço à roda, um modelo bioelétrico, híbrido utilizando só etanol, emite 77,5 gramas de CO2 por quilômetro rodado, enquanto no elétrico a emissão sobe para 104,8 gCO2/km. Este mesmo veículo equipado só com motor a combustão usando 100% de etanol hidratado emite 120,9 gCO2/km. A emissão mais que dobra para 269,3 gCO2/km quando se usa gasolina pura – diferente da distribuída no Brasil, misturada com 27% de etanol anidro. As emissões, tanto do modelo elétrico como do bioelétrico, foram calculadas com base na matriz energética mais limpa do Brasil – hoje 55% da eletricidade gerada no País vêm de usinas hidrelétricas e 35% de captação eólica e solar. Se fosse na Europa, onde a energia elétrica é gerada predominantemente por termelétricas, este mesmo carro elétrico emitiria mais CO2 para recarregar suas baterias. A conclusão é que, no Brasil, é possível descarbonizar – ou desfossilizar – as emissões de CO2 dos veículos leves com uso de etanol e ainda obter mais ganhos econômicos com isto. É uma vantagem incontestável. “As sociedades lá fora estão pagando para fazer a transição energética de baixo carbono, direcionando incentivos aos carros elétricos. Aqui no Brasil é o contrário: só com veículo flex economizamos mais de R$ 110 bilhões e evitamos 660 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera. Portanto aqui é o único lugar do mundo em que a gente economiza descarbonizando”, raciocina Evandro Gussi, presidente da Unica, que reúne empresas da cadeia produtora de etanol e biocombustíveis, no evento em Brasília no qual foi apresentado o estudo. OPÇÕES PARA O BRASIL O MBCB já vinha se organizando há alguns anos mas só recentemente tornou-se uma organização representativa com o objetivo de promover esforços e propostas para impulsionar uma transição viável para a descarbonização dos transportes de acordo com as características única do País. A ideia, dizem os representantes do MBCB, é abraçar todas as rotas tecnológicas disponíveis e em desenvolvimento e, ao mesmo tempo, utilizar o momento e suas necessidades para estimular a neoindustrialização do País baseada na mobilidade de baixo carbono. A organização foi lançada oficialmente no seminário Descarbonização – Os Caminhos para a Mobilidade de Baixo Carbono no Brasil, organizado pelo Grupo Esfera e pelo MBCB em Brasília, DF. O evento foi prestigiado pela principais autoridades do Executivo ligadas ao desenvolvimento econômico do País, incluindo os ministros Geraldo Alckmin, do MDIC e também vice-presidente da República, Fernando Haddad, da Fazenda, Carro elétrico: recarga cara para a indústria Divulgação/Peugeot

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