13 AutoData | Abril 2026 o sistema flex bicombustível etanol- -gasolina, como já fizeram em passado recente? O principal entrave do sistema flex a etanol é que se trata de uma tecnologia extremamente localizada. Você não consegue escaloná-la globalmente, o que funciona no Brasil não se replica na Europa, na China ou na Índia. Para as matrizes globais as decisões de investimento precisam reverberar em várias regiões para fazerem sentido financeiro. Não somos contra o etanol, mas entendemos que ele não coloca o Brasil no mapa mundial de desenvolvimento tecnológico. Já os carros híbridos e elétricos são padrões globais que permitem integrar o Brasil às cadeias de produção mundiais. O recuo de grandes fabricantes mundiais em investimentos bilionários em carros elétricos afeta o mercado brasileiro? Na minha opinião não afeta o movimento em si. Estamos vendo ajustes contábeis e de expectativas porque o crescimento, embora altíssimo, ficou um pouco abaixo das estimativas ultraotimistas iniciais. O que me deixa muito tranquilo é a pesquisa que fazemos com quem já dirige um carro elétrico: os clientes que entram nessa tecnologia não querem voltar para o motor a combustão. Ainda não é um veículo para todos, devido a gargalos de infraestrutura que ainda estão sendo resolvidos. Mas a desvalorização dos elétricos usados já está se equiparando à dos veículos convencionais e a confiança do consumidor só cresce. As empresas podem estar ajustando a curva de adesão, mas o crescimento continua lá. O carro elétrico veio para ficar. atingida. O que garantimos é que lutamos incansavelmente por isso. O cenário global mudou drasticamente após a pandemia. A globalização, como a conhecíamos, deu lugar ao nearshoring, em que a produção precisa estar perto do consumo. Barreiras tarifárias estão surgindo no mundo inteiro e essa é uma variável nova na equação. Portanto, embora busquemos a isonomia, o contexto internacional torna a resposta a esta pergunta extremamente complexa. Qual seria o regime tributário ideal para os importadores de veículos no Brasil? A Abeifa tem alguma proposta neste sentido? Mais do que discutir se a alíquota deve ser 16% ou 35% deveríamos discutir o custo Brasil de forma ampla. Qualquer barreira tributária é artificial e acaba gerando apenas demanda reprimida temporária. Se o imposto for zero ninguém produz no País, mas se for 50% também não há garantia que uma empresa abrirá uma fábrica eficiente aqui. Uma política industrial séria precisa olhar para a logística, para os tributos e, fundamentalmente, para a qualificação das pessoas. Hoje o custo logístico interno do País é proibitivo: o frete para trazer um carro da China ou da Europa é comparável ao custo de transportá-lo do porto para estados brasileiros por rodovias. Precisamos de ferrovias, de melhor aproveitamento da nossa malha fluvial e de engenheiros qualificados para operar fábricas de alta tecnologia. Essa é a discussão que realmente importa para o futuro do País. Por que os importadores perderam o interesse em equipar seus veículos com
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