17 AutoData | Abril 2026 Dan Ioschpe, da Fiesp Bruno Plattek de Araújo, do BNDES A visão de longo prazo, projetada para 2040, propõe uma transformação conceitual: “Não estamos falando apenas de uma indústria de veículos, estamos construindo uma indústria de mobilidade logística”, disse a diretora, descrevendo um ecossistema que integra descarbonização, inovação, adensamento produtivo, inserção internacional e renovação contínua da frota. PAPEL ESTRATÉGICO A indústria automotiva global atravessa transformação estrutural que exige forte apoio ao investimento produtivo no Brasil. O momento não é de expansão de capacidade mas de modernização e lançamento de novos produtos. A avaliação de Bruno Plattek de Araújo, gerente do Departamento de Indústrias Intensivas em Tecnologia e Conectividade do BNDES, contextualizou a posição do País como sexto maior mercado e oitavo maior produtor mundial de veículos. “Vivenciamos uma grande mudança de paradigma tecnológico, talvez a maior já vista, que é a eletrificação.” Para ele a mão-de-obra qualificada pode se tornar um gargalo em tempos de transição, e o banco voltou a priorizar o setor: “A reindustrialização é um objetivo claro. A indústria voltou a ser o centro da estratégia do BNDES”. Contribuição tributária três vezes maior do que sua participação no PIB do País, uma das maiores taxas de juros do mundo ção do País, que emprega direta e indiretamente 1,3 milhão de trabalhadores e conecta cadeias que vão da siderurgia aos plásticos e à eletrônica avançada. Para Margarete Gandini, diretora do Departamento de Desenvolvimento da Indústria de Alta-média Complexidade Tecnológica do MDIC, o Mover, Programa Mobilidade Verde e Inovação, estruturado para regular e promover o desenvolvimento do setor automotivo no País nos próximos quinze anos, até 2040, é descrito como o maior ciclo de investimentos já executado pelo setor no Brasil: “O objetivo não é apenas produzir mais veículos, é reter mais valor industrial por veículo produzido”. Há, porém, muitas regulamentações ainda estão pendentes em discussão, envolvendo diferentes setores e atores: declarações, conteúdo local, reciclagem e fiscalização estão na pauta de portarias a serem publicadas nos próximos meses. A transição para o Imposto Seletivo sobre veículos, que substituirá o IPI Verde e incorporará critérios adicionais de descontos e acréscimos, como densidade tecnológica, pegada de carbono e etapas produtivas, está prevista para ser regulamentada ainda este ano, pois entra em vigor em janeiro de 2027 com os novos impostos da reforma tributária e, na avaliação de Gandini, contribuirá para reduzir a carga sobre a indústria nacional.
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